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Cancro do rim: diagnósticos mais precoces e sobrevivência mais longa

O cancro do rim é o 7º cancro mais frequente no homem e o 10º mais frequente na mulher, com um ratio de 2:1, entre os dois sexos, e apresenta uma idade mediana ao diagnóstico de 65 anos. Os casos de cancro do rim correspondem, nos adultos, a 5% das neoplasias no homem e a 3% das neoplasias na mulher. Os principais fatores de risco conhecidos para este tumor são o tabaco, a obesidade e a hipertensão arterial.

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Atualmente, depois de mais de duas décadas de aumento das taxas, as tendências de incidência de cancro do rim, a nível global, têm mostrado sinais de planalto nos últimos anos. Além disso, as taxas de mortalidade, em geral, nivelaram. Assim, os números mais recentes mostram que, anualmente, a nível mundial, são diagnosticados cerca de 400.000 novos casos e verificadas cerca de 175.000 mortes. Na Europa, são diagnosticados aproximadamente 135.000 novos casos por ano, com cerca de 55.000 mortes. Já em Portugal, no ano de 2018 foram diagnosticados 1300 novos casos, tendo sido registados 507 óbitos por esta neoplasia.

 

Estes padrões epidemiológicos da doença são consistentes com situações cada vez mais comuns de diagnóstico acidental de tumores de pequeno tamanho em estadios mais precoces. Com efeito, a utilização generalizada de técnicas radiológicas não invasivas, como é o exemplo da Ecografia e da Tomografia Computorizada (TAC), permite a deteção frequente de tumores do rim precoces e pequenos, que são potencialmente curáveis com uma adequada abordagem cirúrgica.

 

Assim, mais de metade dos casos de neoplasia do rim são atualmente detetados incidentalmente, tornando a tríade clássica, do século passado, de dor no flanco, hematúria franca, isto é, presença de sangue vivo na urina, e massa abdominal palpável, cada vez mais rara. O sinal de alerta mais importante para o diagnóstico desta doença é a hematúria, que, não sendo exclusivo para esta patologia, deve ser sempre adequadamente avaliado e investigado pelo Médico assistente, pois pode ser o sintoma inicial de uma neoplasia do foro urológico.

 

Apesar de, como referido anteriormente, ser cada vez mais comum o diagnóstico acidental em fases mais precoces, cerca de 20% dos doentes já têm doença metastizada aquando do diagnóstico. No entanto, como resultado do aumento da acuidade do diagnóstico, em fases mais precoces da doença, e dos avanços no tratamento cirúrgico e sistémico, a sobrevivência aos 5 anos aumentou de 50,9%, em 1975-1977, para 70,6%, em 2002-2008.

 

Nas fases iniciais da doença, quando esta está claramente circunscrita ao rim, a melhor abordagem terapêutica passa, na grande maioria dos casos, por cirurgia. Já em situações de doença metastizada, a melhor abordagem terapêutica passa, geralmente, pela realização de tratamento sistémico com terapêuticas alvo (inibidores da tirosina cinase) e / ou Imunoterapia, sendo que estes tratamentos poderão ser usados de forma associada ou sequencial, de acordo com as características da doença, a situação clínica de base e o estado geral do doente.

 

Uma palavra final sobre a prevenção para este cancro: esta está ao alcance de todos através da promoção de hábitos de vida saudável e ativa, que passam pela realização regular de atividade física ajustada à idade e estado geral; cessação tabágica nos fumadores; uso restrito, esporádico e em pequena quantidade de bebidas alcoólicas; controlo adequado do peso com uma dieta equilibrada, rica em fruta e vegetais; consumo reduzido de sal e ingestão hídrica adequada.

 

Por Pedro Silvestre Madeira

Assistente Graduado de Oncologia Médica

IPO de Coimbra FG, EPE

 

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