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Cancro colorretal: porque é tão importante a deteção precoce?

José Manuel Oliveira, cirurgião no Hospital CUF Porto, destaca que, em contexto de pandemia, é ainda mais importante alertar para a relevância de combater o cancro colorretal, o terceiro tipo de tumor maligno mais frequente e que, em Portugal, mata em média 11 pessoas por dia. Março é o Mês Europeu da Luta contra o Cancro do Intestino.

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A prevenção pode salvar vidas

Não há nenhuma forma de prevenir completamente o cancro colorretal, mas há atitudes que podem minimizar o risco. Através dos programas de vigilância podemos detetar, mais precocemente, lesões pré-malignas ou malignas, em fases iniciais que podem ser tratadas permitindo salvar vidas.

 

A maioria das neoplasias colorretais têm origem em pólipos e alguns destes podem evoluir para cancro com o passar do tempo. A probabilidade de um pólipo se tornar um cancro depende das suas características, portanto, se vigiarmos os pólipos vamos descobrir possíveis cancros em fases muito precoces, que poderão ser retirados através de cirurgia, com excelentes possibilidades de cura.

 

Quando procurar o médico?

Estas neoplasias têm atingido cada vez mais pessoas jovens. Anteriormente manifestavam-se maioritariamente em doentes com mais de 60 anos. Hoje em dia manifestam-se mais cedo, sendo portanto importante começar a vigilância geral a partir dos 50 anos. A taxa de mortalidade do cancro colorretal tem vindo a baixar, tanto nos homens, como nas mulheres, desde há várias décadas, mas falta percorrer um longo caminho para podermos reduzir, ainda mais, estes números.

 

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Quais os fatores de risco?

Existem fatores de risco para o cancro colorretal que podem ser mudados e que estão relacionados com o estilo de vida, nomeadamente: obesidade, sedentarismo, tabaco e álcool. Outros fatores, no entanto, não podem ser mudados, tais como: a idade, a história pessoal de pólipos ou cancro colorretal, a história pessoal de doença inflamatória intestinal, a história familiar de cancro colorretal ou síndromes hereditários. Nestes grupos, a vigilância deverá começar ainda mais cedo.

 

A vigilância é a principal arma no combate ao cancro colorretal

A taxa de mortalidade do cancro colorretal tende a diminuir se os pólipos forem detetados em fases mais precoces. Nestas fases a doença está só localizada no intestino e a cirurgia pode ser curativa. Apesar de termos evoluído, em termos de vigilância, só 4 em 10 são descobertos numa fase inicial. Infelizmente cerca de 1/3 dos doentes com cancro colorretal nunca entraram num programa de vigilância, de acordo com a American Cancer Society.

 

A pandemia COVID-19 afastou muitos doentes dos hospitais, o que levou a uma diminuição dos diagnósticos oncológicos. É importante reforçar que nas unidades de saúde são seguidos protocolos rigorosos que garantem a segurança dos doentes e dos profissionais de saúde, pelo que é muito importante que os doentes não adiem, quando necessária, a deslocação aos hospitais, por receio de segurança.

 

Há unidades a disponibilizar uma Via Verde de Oncologia que permite aos doentes sintomáticos obterem o diagnóstico mais precocemente, e aos doentes que querem entrar num programa de vigilância receberem, de uma forma mais rápida e eficiente, todo o apoio para tal.

 

É fundamental manter o acompanhamento do doente oncológico

Apesar desta fase de pandemia, é importante continuar a acompanhar estes doentes. Os hospitais continuam a dar resposta eficaz e segura, cumprindo os requisitos de segurança exigidos, sempre que seja necessário o tratamento com quimioterapia, radioterapia ou uma intervenção cirúrgica de forma a garantir o bem-estar dos nossos doentes.

 

Habitualmente as consultas são realizadas de forma presencial, mas sempre que necessário há hipótese de agendar um vídeo consulta permitindo que o doente tenha sempre o acompanhamento necessário.

 

Ter o diagnóstico de cancro colorretal não é o fim de linha. Conseguimos curar muitos doentes e, nas situações em que não é possível, temos muitas armas ao dispor que visam transformar esta doença numa doença crónica, com uma qualidade e esperança de vida que nos surpreendem.

 

Por José Manuel Oliveira

Cirurgião no Hospital CUF Porto

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