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Campanha alerta para desvalorização e estigmatização da depressão

Entidades ligadas à saúde mental juntam-se em campanha protagonizada pelo humorista António Raminhos. O mote da campanha é “A depressão é mais do que um estado de humor”.

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A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a FamiliarMente, Federação Portuguesa das Associações das Famílias de Pessoas Com Experiência de Doença Mental, a associação para a promoção da saúde mental Manifestamente e a farmacêutica Lundbeck lançam a campanha “Depressão sem Rodeios”, um alerta à população para esta doença que afeta milhares de portugueses.

 

O humorista António Raminhos é o embaixador da campanha com o mote “A depressão é mais do que um estado de humor”, focada em reduzir o estigma e a desvalorização associados à doença e alertar para a necessidade de procurar ajuda médica atempadamente.

 

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Uma doença transversal

Para Beatriz Lourenço, médica psiquiatra e vice-presidente da associação de doentes, Manifestamente, «a depressão é uma doença que pode atingir qualquer pessoa ao longo da sua vida.  Não é um sinal de debilidade nem de fraqueza psicológica ou emocional. Como em outras doenças, existe tratamento clínico para a depressão e, com a terapia adequada, muitas pessoas ultrapassam a doença sem voltar a ter recaídas para que isto aconteça, é muito importante que a pessoa sinta que as suas queixas são ouvidas e valorizadas. O respeito e a empatia pelo seu sofrimento são a maior ajuda, para que tenha motivação e energia necessária para procurar ajuda médica, essencial para o sucesso do tratamento».

 

«A depressão é um dos problemas de saúde com mais incidência no mundo afetando cerca de 350 milhões de pessoas. Portugal não é exceção, cerca de 700 mil pessoas vivem com sintomas depressivos. Sabemos que a medicina geral e familiar é a porta de entrada para o tratamento destes doentes, que devem ver o médico de família como a solução para um tratamento mais célere e um acompanhamento precoce», explica Nuno Jacinto, presidente da APMGF.

 

«Um dos principais obstáculos para o tratamento da doença é a falta de diagnóstico atempado e de tratamento adequado, facto que se deve à parca procura de ajuda especializada, escassez de respostas dos Cuidados de Saúde Mental de proximidade e ao desconhecimento de que a depressão tem cura e deve ser tratada pela medicina geral e familiar sempre que possível ou nos Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental. Para que a população tenha esta consciência é necessário aumentar a literacia relacionada com a doença e implementar e desenvolver, as Equipas Locais de Saúde Mental, proporcionando cuidados especializados de proximidade e em tempo útil», refere Joaquina Castelão, presidente da Direção da Familiarmente.

 

Maria João Heitor, presidente da SPPSM explica: «Segundo o relatório Saúde Mental em Tempos de Pandemia, divulgado em janeiro deste ano, 27% dos inquiridos indicaram ter sintomas moderados a graves de ansiedade e 26% sintomas de depressão. Estes valores são preocupantes, tendo em conta que Portugal é o segundo país da Europa com as taxas de prevalência mais elevadas em doenças psiquiátricas».

 

Ação até outubro

A campanha lançada no dia 14 de junho decorre até ao mês de outubro. O humorista António Raminhos associa-se a esta causa para alertar a população para os sintomas e desmistificar a procura de ajuda médica e acesso ao tratamento adequado à situação da pessoa e, esbater a discriminação social a que estão votadas as pessoas que sofrem da doença.

 

A campanha “Depressão sem Rodeios” engloba um conjunto de ações de divulgação, desde um website especialmente criado para a campanha, um Vox POP, spots de vídeo nos cinemas e na televisão, um ciclo semanal de podcasts, mini curtas-metragens, mupis e distribuição de flyers em locais públicos.

 

 

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