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Caça ao tesouro do século XXI

Elas estão aí, as caches! São pequenos tesouros à espera de serem descobertos um pouco por toda a parte

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Talvez não saiba, mas, quer viva na cidade ou no campo, todos os dias deverá passar por algumas caches nas suas deslocações. São pequenos contentores escondidos em zonas públicas, para serem descobertos pelos participantes de uma actividade lúdica em crescimento, o Geocaching.

O termo resulta da junção de dois significados: geo, de geografia, e caching, que em termos informáticos significa informação armazenada. A aventura começa no site www.geocaching.com, pela selecção de um local e pesquisa de caches (ou geocaches) na zona que se pretende explorar. Seleccionado o alvo, procuram-se as pistas colocadas pelo owner (dono da cache) e pelos participantes (geocachers). A actividade promove a utilização da tecnologia GPS para encontrar as caches, pelo que também são dadas as coordenadas. Depois, é só partir para o terreno à procura do contentor!

E o que atrai tanto nesta actividade? O gosto pela aventura e a própria experiência em si, normalmente feita em grupo, são razões que conquistam muitos dos praticantes: «Pratico principalmente pelo desafio e descoberta de algo escondido, é uma espécie de caça ao tesouro. Em segundo lugar, porque me permite conhecer cantinhos especiais e é uma óptima maneira de praticar exercício físico. Quando é feito na companhia de amigos, ainda se torna mais agradável», refere Neuza Neves, 27 anos, de Lisboa, que colecciona até ao momento 45 caches. João Cunha, 24 anos, de Coimbra, com 145 caches descobertas, acrescenta: «Pratico Geocaching muito pelo sentimento de aventura e união em torno de um objectivo: a procura da “caixinha”! Outra das principais razões é o facto de se descobrirem locais bastante interessantes que, de outra forma, seria difícil».

Mas desengane-se quem pensa que é um processo fácil! Por vezes, é necessário voltar várias vezes ao mesmo sítio. E, sobretudo em cidade, é preciso ter cuidado com os “muggles”, termo que teve origem nos livros do Harry Potter e que significa humanos. Ou seja, é preciso ter cuidado com o cidadão comum que desconhece a prática. A procura deve ser feita o mais discretamente possível, o que acaba por tornar o desafio ainda mais estimulante. Não é invulgar os geocachers ficarem à espera durante bastante tempo que o local fique livre de pessoas ou veículos, para ser finalmente “inspeccionado”.

Encontrada a cache, o passo seguinte é registar o nome e data no bloco de papel (logbook) que se encontra no seu interior. O contentor também inclui uma mensagem oficial, para quem inadvertidamente encontrar o contentor, a explicar a actividade e a pedir que deixe a cache no mesmo local. Por vezes, os participantes também deixam pequenos presentes uns aos outros. Então, quando o objectivo é finalmente alcançado, a sensação de conquista e alegria invade os praticantes: «Durante o processo de procura, existe sempre uma certa tensão, desde um olhar de soslaio para verificar se não há nenhum muggle nas redondezas até à luta psicológica com a cache do “não vou desistir enquanto não te encontrar!” Quando finalmente a cache é encontrada, há uma sensação de conquista e de missão cumprida. Normalmente, o caminho de volta é sempre feito com um sorriso na cara», conta Mónica Oliveira, 27 anos, de Coimbra, que conta com um lote de 80 caches.

Vários tipos de caches

Mas os tesouros não se ficam pelas simples caches prontas a serem descobertas. Ao todo, existem nove tipos de caches. Para além das tradicionais, há outras que exigem operações de busca bem mais complexas, as multi-caches. Estas são caches que ao serem encontradas apontam para outra, que por sua vez também poderá dar indicações para mais uma e, só descobrindo todo o grupo, se dá a cache por “feita”. Também há caches-puzzle, onde, para se conhecerem as coordenadas, é necessário solucionar primeiro um mistério. Estas podem tornar-se verdadeiros desafios. De referir ainda os travel bugs. São pequenas chapas de metal que viajam de cache em cache e facilmente saltam para outro país ou continente. Poderão viajar durante anos, sendo a sua trajectória acompanhada online pelos seus seguidores.

Geocaching em Portugal

Em Portugal, existem, até à data, 8859 caches registadas. Qualquer geocacher pode esconder uma cache. Basta seguir algumas indicações específicas e regista-la no site. Os monumentos históricos são sempre um local apetecível e escondem normalmente um ou dois destes tesouros.

Para Neuza Neves, “a descoberta mais interessante que fiz foi numa casa abandonada na Serra da Arrábida, onde havia uma caixa do tipo militar com alguns filmes vhs e notas de dólar. E destaco ainda a cache do Coliseu de Roma, que é uma das mais visitadas do mundo”. Para João Piedade, 18 anos, de Lisboa, a sua conquista de eleição foi “uma cache escondida numa rocha falsa misturada no meio de outras verdadeiras. Deu algum trabalho a encontrar”.

Uma actividade para toda a família

Esta é uma actividade destinada a toda a família. Para além da experiência física e de sociabilidade, pode também ser encarada como uma actividade didáctica. Todas as caches têm uma descrição histórica sobre o local onde se encontram ou outra informação considerada relevante. Os participantes consideram uma actividade muito estimulante. “Ao irmos procurar caches acabamos por fazer algum exercício físico, pomos em prática o nosso sentido de orientação e enriqueces a nível cultural, pois conhecemos sítios lindíssimos. Mas, ao mesmo tempo, acabamos por fortalecer amizades e nos divertirmos com os nossos amigos, chegando até a conhecermos pessoas diferentes”, sintetiza Matilde Calheiros, 29 anos, de Lisboa, que conta com 15 caches descobertas. Por onde começar então? Basta escolher uma das 1.5 milhões de caches escondidas um pouco por todo o mundo… e parta à aventura!

Por Sónia Santos Dias

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