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Beleza para lá da pele: harmonia com a ayurveda

Na ayurveda, a beleza autêntica tem a sua origem na saúde, na qualidade e equilíbrio dos nossos sete tecidos: plasma, sangue, músculos, gordura, osso, medula óssea e tecido reprodutivo. Muito para lá da pele.

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A verdadeira beleza emerge como uma característica que podemos ver e reconhecer mais com o coração do que com os olhos. As experiências da vida, os caminhos percorridos, a aceitação sábia dos desafios, as alegrias e as tristezas que traçam trilhos no nosso rosto, todos emanam como brilho na nossa compleição.

 

Na ayurveda a beleza autêntica tem a sua origem na saúde, na qualidade e equilíbrio dos nossos sete tecidos (Dhatus), no plasma, no sangue, nos músculos, na gordura, no osso, na medula óssea e no tecido reprodutivo, muito para lá da pele.

 

Nos textos ayurvédicos, a palavra ‘beleza’, Soundarya, em sânscrito, é amplamente referida, tanto quanto a digestão, a eliminação e outras facetas de nossa saúde física e mental. A beleza é o resultado final de todo um corpo, e todo um sistema adequadamente nutrido e cuidado, cumprindo o propósito de espelhar e manifestar o produto de uma gentil, regular e resiliente rotina diária – Dina Charya. O nosso nível de beleza torna-se a medida que traduz a nossa aparência multidimensional, ou seja, o nosso nível de saúde, de harmonia, e homeostase física, emocional, mental e espiritual.

 

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Existem três pilares da beleza de acordo com a Ayurveda: roopam (ou beleza exterior) personificada por cabelos brilhantes e saudáveis, e uma tez clara e radiante; gunam (beleza interior — a beleza que brilha de dentro) caracterizada por uma personalidade calorosa e agradável, e inocência de mente e coração; e vayastyag (beleza duradoura), ou parecer, e sentir uma grande jovialidade, sem correspondência com a nossa idade cronológica. O Roopam não especifica um tipo de figura, cor de pele ou comprimento de cabelo. A beleza exterior é simplesmente um reflexo de boa saúde – boa digestão, hábitos alimentares saudáveis e um estilo de vida equilibrado.

 

Beleza espiritual

Quanto mais nos sintonizamos com as nossas dimensões mais subtis, mais começamos a revelar um tipo de beleza que irradia da nossa aura, e que se apresenta como um halo de tranquilidade, leveza e bem-estar.

 

Na Ayurveda, nós somos o Microcosmos que materializa o Macrocosmos. Ou seja, estamos no Mundo, e somos o Mundo, e somos sensíveis aos ritmos e ciclos, tanto da nossa Galáxia como da Terra, e a nossa beleza espiritual deriva, em parte, da nossa capacidade de nos adaptarmos, com suavidade e consciência, às mudanças delicadas do nosso inconsciente coletivo.

 

Para o desenvolvimento deste aspeto, a Ayurveda alia-se ao Yoga, que nos ajuda a implementar um trabalho mais profundo e contínuo de ligação com a nossa dimensão espiritual, instituindo o hábito do enraizamento e da meditação diários, leituras espirituais e inspiradoras, a prática de valores amplos e sublimes quotidianamente, assim como de rotinas que nos devolvam à nossa Essência, mantêm-nos no momento Presente, e consubstanciam a nossa beleza espiritual.

 

Beleza mental

A nossa mente recebe ininterruptamente estímulos dos nossos cinco sentidos, tanto das suas dimensões mais físicas, como da mais subtis. Torna-se, por isso, fundamental a criação e manutenção de uma rotina de triagem mental, através da prática de várias técnicas de meditação, como a mantraterapia, a contemplação, visualizações positivas, a limpeza dos pensamentos do dia, e por aí adiante.

 

Numa era de excesso de informação, precisamos de trabalhar regularmente o músculo mental do discernimento, para efetuarmos escolhas sábias e saudáveis, e filtrarmos e separarmos tudo aquilo que pode poluir a nossa mente, e desta forma, desequilibrar a nossa Vida. Havendo uma vulnerabilidade do Vata (Éter e Ar), que se associa aos movimentos da mente, mais facilmente o Pitta e o Kapha ficam também desajustados.

 

Uma mente sattvica irradia um brilho excecional, uma beleza que contagia positivamente os outros com as suas ideias, pensamentos, e inspirações que iluminam o seu próprio caminho e o dos outros em torno, com a sua sensatez, sanidade e equilíbrio.

 

Beleza emocional

Encontrarmos e mantermos um estado de grande consonância e coerência emocional é talvez dos maiores desafios, já que as nossas emoções são por natureza algo selvagens, desequilibrando facilmente, à semelhança da nossa mente, os três doshas.

 

Grande parte do nosso desafio emocional provém da sensação de falta de preenchimento, falta de Amor, e descuidos emocionais. A reestruturação da nossa harmonia emocional surge como consequência de hábitos de equilíbrio da mente, a prática da respiração consciente – mantendo os níveis de Prana em harmonia -, a auto-observação, e várias outras técnicas imersivas, como a EFT (Emotional Freedom Technique), a Hipnose, a Regressão, que tratam, cuidam e muitas vezes resolvem padrões emocionais profundamente arraigados.

 

A beleza emocional aflora de um coração resolvido e pleno, de uma inteligência emocional trabalhada, e expressa-se pela boa disposição, o bom humor, por uma excelente capacidade de ressignificar e redimensionar os desafios da vida, por uma serena aptidão para nos adaptarmos às adversidades do nosso quotidiano, e por uma paz interior enraizada.

 

Beleza física

No nosso mundo atual, a beleza física é a dimensão da nossa beleza, aparentemente, mais fácil de reconhecer. Ela emana pela nossa pele, pela nossa compleição, exalando a vibração do nosso autocuidado, auto-mimo e amor-próprio.

 

A medicina ayurvédica é riquíssima em recomendações e cuidados internos e externos para obtenção de uma pele, e uma compleição sadia e resplandecente. O stress (nas suas várias dimensões) é o grande desafio da nossa harmonia estética a todos os níveis, já que perturba a matiz da pele, o brilho do nosso olhar, e esmorece a vibração da nossa aura.

 

Para alimentarmos a nossa beleza física, o nosso quotidiano carece da nutrição da nossa Visão, com pores-do-sol, paisagens e horizontes belos; o nosso Paladar com sabores saciantes e deliciosos; o nosso Olfato com aromas inspiradores e calmantes; a nossa Audição com palavras sábias, e melodias comoventes; e o nosso Tato com banhos mornos de óleos aromáticos, esfoliações suaves, abraços e muito carinho.

 

Como a maioria das coisas na Ayurveda, uma pele bonita começa com a digestão. Escolher uma dieta nutritiva que equilibre a nossa constituição, e a estação do ano correspondente, ajuda-nos a produzirmos ojas de boa qualidade – o resultado final da digestão, depois que todas as sete camadas dos tecidos do nosso corpo estarem alimentadas.

 

Ojas é considerado o elixir de imunidade na Ayurveda. Quando temos ojas abundante a circular pelo nosso sistema, todo o corpo fica pleno e abastecido, emanando o brilho da sua satisfação e preenchimento através da beleza do nosso rosto.

 

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Como a pele é considerada um órgão da digestão (expulsa toxinas através do suor), a pele limpa também significa que a digestão e a eliminação dos alimentos ocorrem nos canais certos. Quando há bloqueios no sistema digestivo, os resíduos podem transbordar para a pele na procura desesperada de serem removidos do corpo.

 

Quando se trata das áreas típicas de nosso corpo que associamos à beleza — a nossa pele, o cabelo e as unhas — podemos observar a qualidade de nutrição de certos tecidos, para além da nossa reserva geral de ojas. A pele é um subproduto das camadas linfática e sanguínea (rasa e rakta dhatus), que são os dois primeiros tecidos gerados pela nossa alimentação.

 

Como são camadas mais superficiais do corpo, rasa e rakta são os últimos a sofrer quando a nossa dieta ou estilo de vida está desequilibrada. Isso significa que os problemas de pele são geralmente sinal de desequilíbrios mais profundos e podem ser desafiantes de corrigir.

 

O cabelo e as unhas são os subprodutos do tecido ósseo (asthi dhatu), que é a quinta camada de tecido. Ao contrário de outros tecidos de textura macia, o osso é um mineral e, portanto, alimentado por minerais, com que muitas vezes nos suplementamos hoje em dia. Uma dieta composta por uma variedade de produtos frescos pode fornecer todos os mesmos ingredientes que necessitamos, numa forma mais facilmente digerida pelo nosso corpo do que um comprimido – o que significa mais ojas!

 

A construção da nossa beleza está no cumprimento consciente e consistente da rotina diária adequada à nossa constituição, e o contexto fundamental da nossa Beleza está na Aceitação das nossas medidas, da nossa métrica, como uma expressão única, irrepetível, e inigualável do Cosmos em manifestação.

 

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