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Beja, da freira apaixonada aos bailes da alta sociedade

As paredes de Beja contam histórias fascinantes de outros tempos. Num Alentejo profundo e em tempos idos, uma freira apaixonou-se perdidamente por um militar francês… e por lá podemos ver hoje a janela gradeada de onde via o seu amado. A história peculiar de Mariana Alcoforado é o ponto de partida para mais uma edição do Festival Terras Sem Sombra, que no último fim de semana passou por Beja e que até julho vai continuar a dar a conhecer o Alentejo através da música, do património e da biodiversidade local.

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Mas vamos deixar Mariana para trás. Este museu é visita obrigatória também para os apreciadores de azulejos. Devido às várias obras que foi sofrendo ao longo dos séculos, desde o século XV quando foi fundado como convento, contém azulejos de quatro séculos: XV, XVI, XVII e XVIII. Nele está também exposto um dos supostos únicos cinco bustos do imperador romano Júlio Cesar. É também visita obrigatória para os apreciadores de arte sacra que aqui se apresenta de forma bastante majestosa. Os altares em talha dourada da igreja, um mausoléu em mármore, um altar em mosaico florentino, dois grandes andores processionais em prata são alguns dos elementos a destacar.

 

O Festival Terras Sem Sombra, como já dissemos, traz à tona histórias e locais pouco evidenciados. Aquele que foi o solar da família Alcoforado foi transformado no Clube Bejense, em 1854, frequentado apenas pela alta sociedade de Beja, onde consta que os homens só entravam de smoking e as senhoras de vestido de gala. Este clube – que também parece um museu –  ainda mantém muito dos objetos de outrora por se manter em atividade até hoje, embora já não nos mesmos moldes. Um relógio com aplicações em madre perola, um piano e alguns jarrões de época ainda por lá se podem ver. Entrar lá dentro é como uma viagem ao passado. Faltará só a música de baile e o fumo dos charutos.

 

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De regresso ao presente, no que respeita à música, nesta edição, foi possível assistir ao espetáculo de Barbara Furtuna. Este grupo de quatro vozes masculinas da ilha da Córsega ecoou na igreja do Convento de São Francisco, num concerto dedicado a Michel Giacometti (1929-1990), um etno-musicólogo que estudou as pontes musicais existentes entre a Córsega e o Alentejo, nomeadamente o canto.

 

Já no que toca à biodiversidade, a passagem por Beja deu-nos a conhecer a Herdade dos Grous, que nos seus 1100 hectares alberga 160 espécies de aves durante todo o ano. Num percurso de observação de aves, os participantes, gratuitamente, puderam ouvir o cantar forte do rouxinol grande dos caniços (oiça no vídeo abaixo); saber que os cucos, as poupas e os chapins devoram a temível lagarta do pinheiro; ou observar bem de perto algumas das 100 cegonhas brancas que vivem na propriedade.

 

No final do ciclo da edição de 2018, a 7 de julho, é atribuído o Prémio Internacional Terras Sem Sombra nas categorias Património, Música e Biodiversidade, distinguindo personalidades ou instituições da sociedade civil que se destacaram internacionalmente nestas áreas. Para saber mais, visite o site do Festival Terras Sem Sobras. Veja algumas imagens na galeria acima.

 

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