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Beja, da freira apaixonada aos bailes da alta sociedade

As paredes de Beja contam histórias fascinantes de outros tempos. Num Alentejo profundo e em tempos idos, uma freira apaixonou-se perdidamente por um militar francês… e por lá podemos ver hoje a janela gradeada de onde via o seu amado. A história peculiar de Mariana Alcoforado é o ponto de partida para mais uma edição do Festival Terras Sem Sombra, que no último fim de semana passou por Beja e que até julho vai continuar a dar a conhecer o Alentejo através da música, do património e da biodiversidade local.

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O Festival Terras Sem Sobra é muito mais do que um programa de espetáculos de música. Une o passado e o presente, trazendo histórias que regressam da memória de outros tempos que fazem emergir um pouco da alma do local. São histórias reveladas pelo património que não está ali só porque sim. As suas paredes têm muito para contar.  O presente junta-se ao programa, através de experiências que permitem vivenciar a biodiversidade local. Já a música, que completa a tríade deste festival, chega à população vinda de vários pontos da Europa, e é compreendida como a linguagem universal que é.

 

Tudo junto, eis o Festival Terras sem Sombra que há 14 anos envolve a população durante meses em programas quer aliam música, património e biodiversidade. Em 2018, de fevereiro a julho, são proporcionadas aos alentejanos e aos visitantes dez experiências imersivas. «Promovemos a descentralização cultural, porque a grande música clássica não se ouve fora dos grandes centros e era essencial que as pessoas da nossa região tivessem acesso a uma temporada musical de qualidade, com um programa interessante e variado. O programa percorre o território de forma itinerante. Todas as atividades são gratuitas, porque queremos valorizar o publico local», explica José António Falcão, diretor do festival.

 

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Mas voltemos ao título. Quem foi afinal a freira alentejana que se perdeu de amores por um militar francês? A casa onde nasceu ainda lá está, o convento para onde entrou aos 11 anos também, a janela que dava para as Portas de Mértola (uma das entradas em Beja quando muralhada) também.  E é através deste festival que a sua história volta a encantar.

 

Tudo começou no solar da família Alcoforado, onde Mariana Alcoforado (1640-1723) nasceu, no centro de Beja. A família era abastada, mas não sendo primogénita a jovem teve de ingressar aos 11 anos no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, bem perto da casa da família. Foi por volta de 1663, com 23 anos, que Mariana terá visto entrar na cidade, pelas Portas de Mértola para onde dava a sua janela de clausura, um militar francês, de 27 anos, de nome Noel Bouton, que estaria a ajudar as tropas portuguesas a lutar contra as castelhanas na Guerra da Restauração.

 

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Consta que se apaixonaram, mas que ele a terá depois deixado, regressando a França no final da campanha militar. E é a ele que Mariana dirigiu as famosas ‘Cartas Portuguesas’, atualmente com mais de 600 traduções em todo o mundo e que na altura da sua publicação desautorizada (1669), em França, terão sido um autêntico best-seller em vários países. Afinal, cartas de amor de uma freira não é algo comum em nenhuma época histórica. Esta é, assim, uma grande história de amor para descobrir em Beja e que faz parte dos anais internacionais do amor.

 

O convento onde Mariana Alcoforado passou a maior parte da sua vida é hoje o Museu Regional de Beja. É lá que está a famosa janela e é lá que pode conhecer a sua história e ver muitas representações deste amor, inclusive do artista francês Matisse. «Mariana é a bejense mais universal, mas é uma figura quase que desprezada pela sua terra natal. A nível nacional e internacional é uma figura muito lembrada. Todos os anos se publicam seguramente 50 edições relativas a Mariana nas mais diversas línguas. Mariana poderia transformar Beja num destino muito privilegiado de turismo romântico e literário. Há que fazer disto a prioridade», refere José António Falcão.

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