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Beja assinala 350 anos das cartas de amor da freira alentejana que se apaixonou por um militar francês

A cidade alentejana comemora em 2019 os 350 anos da primeira edição das “Cartas Portuguesas”, de Soror Mariana Alcoforado, a freira que se apaixonou por um militar francês, em 1663, a quem escreveu cinco cartas de amor, que já foram traduzidas mais de 600 vezes em diversas línguas.

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O dia 4 de janeiro de 2019 marca os 350 anos da primeira edição das ‘Cartas Portuguesas’, cinco missivas de amor da freira Marina Alcoforado a um jovem oficial da cavalaria francesa, de seu nome Nöel Bouton, por quem se terá apaixonado. Veja na galeria acima algumas imagens relativas à história de Mariana Alcoforado em Beja.

 

Terá sido por volta de 1663, com 23 anos, que Mariana terá visto entrar na cidade – pelas Portas de Mértola, para onde dava a sua janela de clausura no Convento de Nossa Senhora da Conceição – Nöel Bouton, um jovem militar que estaria a ajudar as tropas portuguesas a lutar contra as forças castelhanas na Guerra da Restauração. Consta que se apaixonaram, que tiveram alguns encontros, mas que ele a terá depois deixado, regressando a França no final da campanha militar. E Mariana ficou a sofrer de amor neste convento em Beja.

 

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Embora os originais das cartas não tenham chegado aos nossos dias, sabe-se da sua existência pela primeira edição das mesmas, datada de 4 de janeiro de 1669, em França, com o título “Lettres Portugaises Traduites en François”. No mesmo ano, seguiu-se uma outra edição, na cidade alemã de Colónia. As edições sucederam-se um pouco por toda a Europa e, já em 1923, de acordo com Godofredo Ferreira, estudioso e colecionador das obras sobre as cartas, existiam 130 edições em diversas línguas: francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, dinamarquês, holandês e português.

 

Este amor maior foi, e continua a ser, fonte de inspiração para poetas, filósofos, escritores, cineastas, artistas plásticos, músicos… Sucedem-se as obras e as edições. A sua história peculiar todos os anos faz correr rios de tinta pelo mundo fora, em livros editados sobre o amor, rivalizando com as histórias de Pedro e Inês ou de Romeu e Julieta. São já mais de 600 as traduções feitas.

 

Neste âmbito, o “Festival B” será dedicado a Mariana Alcoforado e às “Cartas Portuguesas”. As iniciativas começam no dia 4 de janeiro com a inauguração da exposição permanente 100 PASSOS, às 19h00, no Museu Regional de Beja, com o apoio do Arquivo Distrital de Beja. Esta exposição é promovida pela Câmara Municipal de Beja, a CIMBAL e o Museu Regional de Beja  e insere-se na programação do ‘Festival B – Beja, Cidade de Mariana Alcoforado’, que estará patente ao público até ao dia 31 de dezembro de 2019.

 

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Em sentido figurado, Mariana Alcoforado viveu a sua vida no espaço físico de 100 passos. Aquando do seu batismo na igreja de Santa Maria e logo aos 11 anos quando ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição, as distâncias muito curtas desde a casa de seus pais limitaram a sua vivência no espaço e na vida. A exposição 100 passos procura retratar esse espaço, que, embora curto, não coibiu o surgimento de uma enorme paixão e de um amor maior, «grande demais para um só ser», como definiu o poeta Reiner Maria Rilke.

 

A Câmara Municipal de Beja está ainda a preparar um alargado programa dedicado à figura e ao legado de Mariana Alcoforado em 2019.

 

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