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Azeitão, a vila rica da Arrábida

É conhecida pelo queijo, pelas tortas e pelo vinho que se produz à sua volta. Tinto, branco, moscatel… Mas o que muitos não sabem é que foi o azeite que pôs esta vila, literalmente, no mapa. O seu nome deriva de Azzeitum, nome dado pelos árabes, no século VIII, aquando da sua passagem pela região, devido aos extensos olivais que cobriam as suas terras. E por ali ainda se encontram algumas oliveiras milenares. É só olhar com atenção e descobrir todo os seus tesouros.

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Localizado a cerca de 15 km de Setúbal, nas encostas da Serra da Arrábida, Azeitão é um destino que, na realidade, são quatro: Vila Nogueira de Azeitão, Brejos de Azeitão, Vendas de Azeitão e Vila Fresca de Azeitão. Partilham o nome Azeitão e, assim, juntas, ganham força para se fazerem notar numa região rica a muitos níveis, circundada por Setúbal, Sesimbra e Palmela, sempre com a Arrábida como pano de fundo. Veja imagens na galeria acima.

 

Comecemos pela riqueza mais antiga e pouco conhecida de Azeitão, as oliveiras milenares que datam do século II a.C. Quem percorre a Nacional 10 em direção a Setúbal, logo a seguir a Vila Nogueira de Azeitão, do lado direito, pode ver três oliveiras imponentes e testemunhas milenares da história da região. Uma placa identifica-as, mas basta olhar para perceber que os seus troncos largos e bem enraizados ali se emancipam há muitos, muitos anos. Foram classificadas em 1959 como árvores de interesse público pela então Direção-Geral das Florestas. E lá estão, a passarem despercebidas pela esmagadora maioria dos automobilistas que ali passam.

 

No campo do património natural, para além da serra e das suas falésias e praias, merecem destaque também os jardins de algumas quintas antigas, que remontam aos tempos áureos da nobreza. A natureza e a arquitetura unem-se aqui em projetos que ficaram para a história.

 

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O Palácio da Bacalhoa é considerado a primeira manifestação da arquitetura renascentista em Portugal e pode ser visitado. Propriedade de reis, senhoras e senhores nobilitados na história de Portugal, com mais de 500 anos de história, o Palácio da Bacalhoa foi propriedade desejada ao longo dos últimos séculos. O jardim labiríntico com fontes e estátuas do Palácio da Quinta da Bacalhoa serviu de modelo aos jardins portugueses dos séculos XVII e XVIII. É a mais famosa quinta da região devido ao seu rico património azulejar dos séculos XV e XVI. Procure pelo famoso painel de azulejos ‘Susana e os Velhos’ na Casa do Lago, sendo considerado o primeiro azulejo datado em Portugal. Classificado como Monumento Nacional há mais de um século, apresenta uma exposição sobre a sua história, arquitetura e decoração. Tem de a visitar.

 

Ali bem perto e com data posterior à Quinta da Bacalhoa, a Quinta das Torres, do século XVI, tem uma casa apalaçada construída em quadril com imponentes torreões em cada ângulo do edifício. Foi construída em 1570, por iniciativa de D. Diogo d’Eça, um adepto das novas ideias do Humanismo Renascentista. No centro do palácio, destaca-se o amplo pátio exterior, onde se encontra uma belíssima fonte. As paredes da casa que ligam ao pátio estão cobertas de folhas de hera. O interior do palácio tem várias salas destacando-se a sala das armas. A norte existe um jardim com um lago de 900 metros quadrados com um coreto ao centro. Apenas os jardins estão atualmente abertos ao público sem marcação de algum evento.

 

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Destaque também para o Palácio dos Duques de Aveiro, na freguesia de S. Lourenço. É a construção mais monumental e a que melhor simboliza o passado aristocrático das terras de Azeitão. Foi construído em meados do século XVI por ordem de D. João de Lencastre, primeiro Duque de Aveiro. Neste palácio foi preso o Duque de Palmela e toda a sua família, por alegada participação numa conjura contra o Rei D. José. Sobre o portal ainda é visível o brasão de armas ducais, picado por ordem do Marquês de Pombal, informa a Junta de Freguesia de Azeitão. É um solar severo e majestoso, em estilo maneirista, que se apresenta num estado de elevada degradação.

 

Depois das mais famosas casas nobres, vamos agora prosseguir para o centro da Vila Nogueira de Azeitão. É hora de olhar para a Igreja de São Lourenço. Data do século XVI e tem um interior rico em azulejos: os da cúpula (século XVII), os da capela-mor (século XVIII) e os do baptistério (época pombalina) que merecem observação cuidada. Bem perto, os Lavadouros de Azeitão mostram um Portugal de antigamente, testemunhando que nem todos eram aristocratas aqui em Azeitão. Já em frente, a Fonte dos Pasmados, uma das várias fontes antigas existentes na região, destaca-se pela sua grandiosidade.  Terá sido um juiz a mandar construí-la no século XVIII. Em estilo barroco, tem uma bacia em mármore rosa com duas bicas. Diz a lenda que de quem dela beber ficará para sempre ligado a Azeitão.

 

Nesta visita ao centro histórico, deverá passar também pelo Museu Sebastião da Gama, dedicado à memória do «poeta da Arrábida». Além de poeta, Sebastião Artur Cardoso da Gama (1924– 1952) foi um dos primeiros defensores da Serra da Arrábida. Terá sido pela sua insistente intervenção que terá sido criada a Liga para a Proteção da Natureza, em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa.

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