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Ayurveda e os cinco elementos: as estruturas da criação do universo

Muitas culturas no mundo inteiro incluem os quatro elementos nas suas tradições filosóficas, religiosas ou mitológicas. A maioria dessas tradições postula uma energia primária, que então se manifesta como quatro correntes de energia, as quais têm sido denominadas de Prana, Força Vital, Chi, Ki. Os elementos são então construtores invisíveis das estruturas de vida, compostos de uma vibração própria, de uma força vital que anima, compõe e interage com toda a criação, e que representa tipos específicos de consciência e de perceção.

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Para além dos quatro elementos habitualmente referidos, existe um quinto elemento denominado de Éter ou Akash. O Éter é o condutor do Princípio Divino, o Som da Criação, e está inerente à Vida que emanamos e respiramos. No Ocidente o Éter está subjacente à estrutura da Criação e é substância primordial dos outros Quatro Elementos, não sendo, por isso, referido.

 

Os Pancha Maha Bhutas – Os Cinco Elementos

“Há cinco elementos subtis, tan-matras, a que se dão o nome de Elementos. Há também cinco elementos grosseiros, Mahabhutas, e também a estes se dá o nome de Elementos. A união deles tem o nome de corpo humano.” Upanishades

 

Os cinco Elementos ou Mahabhutas – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra,  combinam-se entre si sob a Lei dos três Gunas. A energia subtil, a Consciência manifesta – Prana –, gera e alimenta a interação dos Cinco Elementos para materializarem todo o Universo conhecido, desde as suas estrelas anãs brancas, às moléculas e átomos de todas a partículas manifestas e condensadas no corpo físico.

 

O elemento Éter nasce a partir da primeira vibração subtil do som silencioso cósmico Aum. O éter começa por movimentar-se e os seus movimentos subtis criaram o Ar, que manifesta o Éter em actividade. O Éter ativa-se um pouco mais produzindo fricção, e através dessa fricção o calor foi gerado. Partículas de calor-energia coordenaram-se para formar uma luz intensa e dessa luz manifestou-se o elemento Fogo.

 

Pela interação do calor do Fogo, alguns elementos etéreos dissolveram-se e liquidificaram-se, manifestando o elemento Água, solidificando-se depois para formarem as moléculas da Terra. A partir da Terra, todos os corpos orgânicos vivos – reino vegetal e animal – foram criados. A Terra também contém as substâncias inorgânicas que compreendem o reino mineral. Pode-se dizer que do útero dos Cinco Elementos nasceu toda a matéria.

 

“A pulsação dos Cosmos reflecte-se no corpo humano com a batida do coração, espelhando o ritmo pulsante do próprio Universo. Os elementos que compõem o manto da Terra são os mesmos elementos formadores do corpo humano, e as mesmas leis governam as suas formas e ações. O que está em cima é igual ao que está em baixo.” “Dhanwantari”, Harish Johari

 

Os Cinco Elementos no Corpo

“Todas as coisas encontram a Paz final no seu Eu mais íntimo, o Espírito. Terra, água, fogo, ar, espaço e os seus elementos invisíveis; a vista, o ouvido, o olfato, o paladar, o tato e os seus variados campos de sensações; a voz, as mãos e todos os poderes de ação; a mente, a razão, o sentimento do ‘Eu’, o pensamento, a luz interior e o seu objeto; e também a Vida e tudo o que a Vida contém.”  Upanishades

 

Os Cinco Elementos formam um continuum de energia, desde o seu nível vibracional mais denso até ao mais subtil. Este sistema de classificação pode ser compreendido como uma escala de atividades e qualidades.

 

No estado Prithvi – Terra, a energia assume uma forma mais densa e coesiva: os átomos estão estreitamente reunidos e estruturados, e constituem o nosso corpo físico. A Terra é densa, pesada, compacta, estruturante, firme e inerte.

 

A vida é possível nesse plano porque à Terra aderem todas as substâncias vivas e inanimadas rente à sua superfície. No corpo, as estruturas mais sólidas – ossos, cartilagens, unhas, músculos, cartilagens, tendões, tecidos, pele e cabelo – são derivadas da Terra. O elemento Terra está relacionado com o sentido do Olfato (nariz, excreção, ânus). O nariz está relacionado com a excreção. Isso é demonstrado por um paciente que sofre de prisão de ventre (obstipação) ou cólon obstruído: geralmente ele possui mau hálito e o seu olfato é fraco ou inexistente.

 

No estado Jala ou Ap – Água, a energia é menos densa, os átomos estão mais dispersos, permitindo um grau de frequência mais elevado, e gerando os fluidos do nosso organismo. A Água é adaptável, húmida, pesada, fria, fecundante, purificante, fluída, lubrificante.

 

O elemento Água manifesta-se nas secreções, sucos digestivos, glândulas salivares, nas mucosas, na parte líquida do sangue (plasma) e citoplasma. A Água é absolutamente vital para o funcionamento dos tecidos, dos órgãos e dos vários sistemas do corpo. Casos de desidratação causados por diarreia e vómito devem ser tratados com urgência de forma a preservar a vida do paciente. O elemento Água está relacionado com o sentido do Paladar (língua, ato de procriar). Na Ayurveda o pénis e o clitóris são considerados a língua inferior, e a língua da boca, a superior. Logo, ensina e refere que aqueles que controlam a língua superior, também possuem o controle da inferior.

 

No estado Agni – Fogo, a matéria é ainda menos coesiva, e mais ativa, surgindo nos ácidos e enzimas. O Fogo é luminoso, transformador, transmutador, penetrante, quente, extrovertido, purificante.

 

A fonte do Fogo e da Luz no sistema solar é o Sol. No corpo humano a fonte do Fogo é o metabolismo. O Fogo trabalha no sistema digestivo. Na massa cinzenta das células cerebrais o fogo manifesta-se como inteligência. Ele ativa ainda a retina, que percebe a luz, por isso o elemento Fogo está relacionado com a Visão (olhos, ativa a retina que percebe a luz, pés, ato de caminhar). Desta forma, a temperatura do corpo, a digestão, os processos do pensamento são todos funções do Fogo corporal. Todo o metabolismo e os sistemas de enzimas são controlados por este elemento.

 

No estado Vayu – Ar, toda a aparência de estrutura e coesão desapareceu; o Ar é o Prana e a respiração. O Ar é leve, volátil, seco, frio, aéreo, associado ao movimento e à inquietude.

 

No corpo humano, o Ar está presente no movimento dos músculos, nas batidas do coração, na expansão e contração dos pulmões, nos movimentos dos músculos e contrações do estômago e intestinos, e nas atividades do sistema nervoso central, no que diz respeito aos movimentos das células nervosas. O elemento Ar está relacionado com o sentido do Tato (pele, mãos, ato de segurar). A pele das mãos é muito sensível e imprescindível nas ações de segurar, dar e receber.

 

No estado Akash – Éter, a extremidade do continuum, as partículas individuais deixaram de existir como matéria percetível. Elas vibram para além do plano material, e representam a vibração conjunta de todos os sistemas vitais. O Éter é frio, leve, subtil, penetrável, associado ao som e à comunicação, e ao Espaço, amplitude e expansão.

 

No corpo humano há muitos espaços, que são manifestações do elemento Éter, tais como os espaços na boca, nariz, sistema respiratório, esófago, estômago, tórax, capilares, linfáticos, intestino, vasos, tecidos e células. Para que o ser humano se comunique verbalmente de forma compreensível, é preciso que os ouvidos expressem a ação através dos órgãos da fala. O elemento Éter está relacionado ao sentido da Audição (ouvidos, língua, boca, cordas vocais, ato de falar) e é o meio pelo qual o som é transmitido.

 

Os Cinco Elementos e a Ayurveda

Os cinco elementos são também muito importantes na formação das estações do ano, no clima, na composição dos remédios e nos alimentos dentro da tradição védica. Quanto ao clima, o éter predomina nos climas frios e secos, enquanto o fogo e a água predominam nos climas quentes e húmidos. O ar predomina em dias muito ventosos, e terra em dias mais secos. Desta forma percebe- se as ações do clima sobre a saúde do homem.

 

A Ayurveda explica as influências climáticas sobre a saúde exatamente pela ação dos cinco elementos, ou seja, dependendo da estação do ano, da constituição de determinado elemento, da tendência fisiológica do indivíduo, pode ocorrer tanto o excesso como a ausência de algum destes elementos no organismo do indivíduo atuando sobre os princípios vitais da sua fisiologia.

 

Na visão terapêutica, compreendendo a interação dos cinco elementos na estrutura física e psíquica do indivíduo, já é possível compreender o micro (organismo) no macrocosmos. Os cinco elementos também possuem relação com os órgãos do sentido e com a harmonização do nosso corpo. Este elementos em equilíbrio, sem excessos ou deficiência geram uma coordenação no nosso corpo e nos nossos movimentos, manifestando uma consonância entre o corpo e a mente.

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