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As redes sociais influenciam os eleitores

Um estudo da Universidade de Delaware descobriu que os comentários nas redes sociais têm um impacto substancial na imagem de um político

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No rescaldo das eleições legislativas, um estudo apresentado pela Universidade de Delaware e publicado no “Jornal da Ciência Política Experimental” traz informações relevantes no que diz respeito à influência das redes sociais na construção da imagem de um candidato político. De acordo com os resultados apresentados pelos investigadores, quando os utilizadores de Facebook visualizam um comentário favorável sobre um determinado político, as suas opiniões vão ser positivamente influenciadas, da mesma forma que comentários desfavoráveis têm um impacto negativo.

 

O estudo explica ainda que os utilizadores são influenciados mesmo quando os comentários são feitos por pessoas que estes não conhecem e de quem não são amigos ou seguidores na rede social.

 

A equipa de investigação, constituída por elementos dos departamentos de Comunicação, Relações Internacionais e Ciência Política da universidade, criou uma página para um candidato fictício, usando informação geral. Os investigadores enviaram a página a um grupo de teste, a quem foi pedido que analisasse o conteúdo e classificasse o candidato a vários níveis.

 

«Hoje em dia é praticamente obrigatório cada candidato fazer uma campanha nas redes sociais. Aqui, a palavra chave é a interatividade, ao contrário da publicidade política tradicional, que não tem feedback imediato», explica Paul R. Brewer, um dos professores envolvidos no estudo. «Quisemos testar esta interatividade entre o candidato e os cidadãos.»

 

Nas conclusões, os cientistas explicam que aqueles utilizadores do Facebook que viram os “gostos” na página e os comentários positivos tinham mais probabilidades de vir a apoiar o candidato; enquanto aqueles que viram comentários negativos desenvolveram mais opiniões desfavoráveis. O facto do candidato responder ou não aos comentários não teve efeito nos resultados.

 

«Isto mostrou que as pessoas confiam mais nos comentários dos seus pares do que nas palavras do candidato», explicou Brewer. «Há a ideia de que o que os outros dizem de ti é mais genuíno do que o que tu próprio dizes. Por isso podemos dizer que comentários aleatórios na internet de facto moldam a perceção dos cidadãos.»

 

Os investigadores admitiram que poderá ter sido mais fácil analisar a resposta dos cidadãos a um candidato fictício do que seria com um candidato real. Outra limitação do estudo é o facto dos cidadãos terem sido guiados até à página do candidato, enquanto na realidade estes têm de escolher visitar as páginas oficiais dos políticos. Ainda assim, o investigador justifica a importância do estudo, uma vez que é o primeiro publicado nesta matéria.

 

«Há muito tempo que os candidatos usam técnicas estudadas para influenciar a opinião pública, como aparições em eventos ou espaços públicos e patrocínios, para dar a sensação aos eleitores de que têm um grande apoio. Agora, o crescente uso das redes sociais pelos eleitores dá aos políticos novas ferramentas para projetar a sua imagem, o que poderá ter reais resultados nos atos eleitorais».

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