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«As nossas casas estão cada vez mais tóxicas, tecnológicas e mecanizadas»

Marcelina Guimarães e Miguel Fernandes, especialistas em bio-habitabilidade e geobiologia, recorrendo a estudos científicos para fundamentar os seus conhecimentos, apresentam o livro ‘Uma Casa Mais Saudável, Uma Família Mais Feliz’. O objetivo é ajudar as pessoas a tornarem as suas casas mais saudáveis.

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De que forma o nosso habitat mudou nos últimos anos?

Marcelina Guimarães – Diria que, para além do habitat, mudou também o grau de exigência dos portugueses.  De uma forma geral, sentimos que os portugueses procuram mais conforto e bem-estar, mas nem sempre fazem as opções mais corretas do ponto de vista da sua saúde. Tal deve-se simplesmente ao facto da existência de falta de informação ou acesso a informação contraditória.

 

Na verdade, o mercado oferece-nos uma série de materiais/objetos de construção e decoração bem como equipamentos/tecnologia que constituem muitas vezes fontes de contaminação ambiental, que nos são vendidos como inócuos. Um bom exemplo disso é o caso do colchão. Na nossa atividade profissional, temo-nos apercebido de que muitas pessoas pagam valores exorbitantes pelo colchão onde dormem, exatamente porque têm consciência do impacto que este exerce sobre a sua saúde, mas infelizmente nem sempre fazem a escolha acertada.

 

Apesar do crescente aumento de exigência, por uma parte cada vez maior da população, o nosso habitat tem evoluído no sentido oposto. Isto porque o habitat está cada vez mais tecnológico, mecanizado e tóxico, em virtude da panóplia de compostos químicos existentes no interior das nossas casas, associados a tintas, materiais sintéticos, isolamentos, mobiliário, ambientadores, etc.

 

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Quais são então os principais problemas nas casas portuguesas que afetam o bem-estar da família?

Marcelina Guimarães – Os problemas que detetamos com maior frequência, em habitações já existentes, são: a existência de cablagens elétricas, nas cabeceiras das camas, as quais geram por vezes elevados campos elétricos alternos elevados; a existência de cabeceiras de camas encostadas à mesma parede onde se encontram os eletrodomésticos (por vezes a funcionar em bi-horário) da cozinha, cilindros de aquecimento, quadros elétricos, etc. Também detetamos a presença de elevados campos eletromagnéticos de alta frequência elevados, provenientes de antenas de telemóvel (exterior), redes wireless existentes em casa e nos vizinhos, etc.; a presença de radiações naturais, extremamente nefastas, em locais de longa permanência humana, em especial os quartos;

 

elevados níveis de radão em algumas regiões do país; elevados índices de humidade relativa; a ausência de espaços verdes e/ou plantas quer no exterior das habitações, quer no interior das mesmas; e a utilização de sistemas de iluminação (lâmpadas/candeeiros) desadequados, entre outros.

 

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É possível de facto uma casa provocar doenças? Podem dar exemplos?

Marcelina Guimarães –  Sim. A ciência tem-nos vindo a comprovar uma relação causa-efeito cada vez mais evidente. Temos o caso do radão vs cancro do pulmão, o caso da contaminação eletromagnética vs leucemias e tumores cerebrais, os excessivos níveis de humidade vs problemas respiratórios/pulmonares, entre uma variabilidade de sintomas e doenças que enumeramos no nosso livro “Uma Casa Mais Saudável, Uma Família mais Feliz” e que fundamentamos com referências científicas. Para os mais curiosos ou céticos, aconselho vivamente a leitura do livro no seu capítulo 4, ‘As radiações e a saúde’.

 

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