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As mentiras que protegem as crianças

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Quantas vezes caiu na tentação de contar uma “mentira boa” ao seu filho para o proteger, apesar de o incentivar a contar sempre a verdade? Aquilo que aparenta ser um mal menor, porque tem uma boa razão de o ser, será mesmo saudável? Quando conta uma mentira, cria uma estória com falhas e todos sabemos que as crianças têm uma curiosidade digna de um detective se acham que há qualquer coisa que não bate certo, fazendo perguntas até ao ponto em que o apanham em falso! E o que acontece? Provavelmente, e com toda a razão, vão sentir menos credibilidade nos pais que não cumprem com as mesmas regras que exigem.

 

Naturalmente há situações muito dolorosas para que a criança tenha acesso a toda a informação, mas o que pode ser traumático são os pormenores que põe em causa a relação com as pessoas que cuidam delas (e.g. um dos pais abandonar a família), ou pormenores que façam a criança sentir-se fisicamente ameaçada por uma situação parecida (e.g. um familiar ser agredido violentamente). Estas situações podem afetar a criança directamente através de pessoas que ela conhece, ou indirectamente através de estórias que ouve contar ou notícias que vê na televisão, e é nesta diferença que está a solução para a questão!

 

Se ocorre algum evento violento envolvendo alguém que a criança conheça, é quase certo que ela se vai sentir vulnerável perante essa situação. Suponde que um familiar é agredido na rua, talvez seja mais seguro contar que a pessoa teve um acidente e se aleijou, caso contrário a criança pode ficar com muito medo de andar na rua. No entanto, supondo que a criança vê na televisão uma notícia sobre uma situação semelhante, o momento deve ser aproveitado para começar a explicar à criança que existem pessoas que estão tão descontroladas por coisas que aconteceram nas suas vidas, que por vezes fazem coisas más, mas que a criança pode estar descansada porque os pais estão lá para a proteger e que também existem os polícias que tomam conta das pessoas.

 

Grande parte das situações que os pais consideram traumáticas para os filhos são aquelas em que eles próprios se sentem ansiosos e portanto concluem que os filhos também vão sentir o mesmo. Não é uma ideia incorrecta, mas deve ter-se atenção não confundir uma dor ou crença pessoal com uma informação que uma criança não tem capacidade para assimilar. As crianças, até à adolescência, não têm capacidade cognitiva para perceber todas as consequências das situações, portanto o adulto tem noção de muitos pormenores dolorosos que a criança não atinge.

Visto que a criança não sente as situações com a mesma intensidade negativa que um adulto, há mentiras que têm pouca utilidade. E, em acréscimo, podem interiorizar a ansiedade e o pânico dos pais, sentir-se desprotegidas e concluir que estão a ser cuidadas por pessoas que não sabem o suficiente para o fazer com calma e segurança.

 

Proteger as crianças não passa por mentir para evitar que sofram, mas adaptar a mensagem de forma a que elas consigam compreender as situações, criando um sentimento de que os adultos estão encarregues do sucedido e disponíveis para ajudá-las a resolver o que as preocupa.

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