Home»ATUALIDADE»EDITORIAL»As duas lutas mundiais: contra a pandemia e entre dois titãs

As duas lutas mundiais: contra a pandemia e entre dois titãs

Uma está no primeiro plano e é temporária, a outra é subliminar e será duradoura. O certo é que, nesta luta paralela de titãs, leia-se EUA e China, quem encontrar a vacina vai sair como novo líder da ordem mundial. Pelo menos, é fundamental para a sua consolidação. Digo eu que apenas faço contas de merceeiro.

Pinterest Google+

Sempre gostei de política internacional. Do macro, do grande plano, para perceber este mundo. E a partir daí ir para o micro. Afinal, compreender o mundo é a primeira missão do jornalista, para depois poder relatar a informação da forma mais contextualizada possível.  Não é fácil e não há leituras únicas. É sempre uma perspetiva, mas o mais rigorosa possível, para deixar o leitor fazer as suas análises e tirar as suas conclusões. Seja em que área temática for.

 

Posto isto, tem sido interessante não só relatar noticias relacionadas com o novo coronavírus – que dominam todos os escaparates – assim como refletir sobre o papel da comunicação social e a dificuldade que está a ter em sobreviver e a lidar com a constante desinformação, e ainda a perceber as dinâmicas que se formam, entrelaçam, se opõem, se criam, se dissolvem neste mundo. Uma análise que precisa de mil olhos.

 

Mas há algo inquestionável: a procura desesperada do mundo para encontrar uma vacina que debele o novo coronavírus. E quem a encontrar sairá como o ‘salvador do mundo’. E se são centenas os laboratórios por todo o planeta à procura da desejada solução, saltam à vista duas forças a emergir como grandes titãs nesta luta, os EUA e a China. Ambos lançam notícias de que os testes estão a correr bem e que são líderes nesta pesquisa. Ambos querem ganhar, independentemente de Oxford estar muito avançada, diga-se…

 

Eles, que se percebe que andam a digladiar-se há anos pela manutenção ou tomada da liderança, têm agora uma necessidade maior de ser, cada um deles, a encontrar a solução. A reeleição de Donald Trump, em novembro próximo, depende de serem os EUA a criarem a desejada vacina. Só assim o presidente dos EUA poderá não sair esmagado pela estratégia tresloucada de desvalorização do impacto da Covid-19 e emergir como salvador da pátria. Recorde-se que este é o país do mundo onde o vírus está a ter o maior impacto, liderando o pelotão a uma larga distância. Nos EUA já morreram mais de 90 mil pessoas e têm 1,5 milhões de pessoas infetadas por Covid-19, de acordo com o último balanço da Universidade Johns Hopkins.

 

A nível global, a pandemia já provocou a morte a pelo menos 316 mil pessoas e infetou mais de 4,8 milhões em 188 países. E continua a somar. Na China, onde tudo começou, as mortes estão acima das 4600 e os casos confirmados nos 84 mil. Acho estes números muito tímidos, mas enfim. Nesta ‘luta’ em particular, percebe-se que os EUA são claramente vencidos.

 

No campo da procura da vacina, enquanto que Trump inicialmente deu sinais de que queria guardar para si uma vacina, a China já veio a público dizer que uma vacina ‘será um bem público mundial’. Uma estratégia isolacionista e egoísta de Trump que não funciona no mundo globalizado de hoje, ainda mais para viajantes microscópicos – é um tiro no pé. A China ‘humaniza’ aqui um pouco a sua imagem. Também aqui os EUA saem vencidos.

 

Em termos económicos, com a pandemia controlada, a China já voltou a ligar os motores e está a voltar à normalidade, fazendo com que a sua recuperação seja mais célere. Não tarda estará em pleno. Os EUA com o arraso da doença no seu território ainda estão na luta pela saúde antes de seguirem para a recuperação económica. Isto porque não aprenderam a lição com quem lidou primeiro com a doença: confinar para controlar. A casmurrice, arrogância e sobranceria de Trump saem caro aos americanos. São eles os grandes perdedores. E nesta balança, quando os EUA perdem, a China ganha.

 

Apesar de esta pandemia nos mostrar que não podemos depender da China para nos fornecer tudo e mais alguma coisa, pois podemos ficar literalmente com as calças na mão, o certo é que o país continuará a ser o supermercado do mundo, a ‘loja dos 300’ onde tudo é mais barato. Para além de liderar em muitas áreas tecnológicas e científicas, claro. E se Trump continuar com a sua arrogância e a querer ‘agarrar água com as mãos’, sobrepondo-se às linhas orientadoras de outras soberanias e sempre a tentar encontrar bodes expiatórios externos, calcula-se que perderá cada vez mais aliados.

 

Cada tema carece de uma análise detalhada, mas diria que a apostar será a China a grande vencedora deste impactante e transformador 2020.

 

 

 

Artigo anterior

Compota ayurvédica: o sabor curativo da curcuma

Próximo artigo

O que são sinais de pele e como os avaliar?