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Artrite reumatóide: quando o sistema imunitário não funciona bem

A prevalência é duas a quatro vezes superior em mulheres do que em homens, devido às alterações hormonais. A inflamação afeta com maior frequência as articulações dos punhos e dedos das mãos e pés.

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A artrite reumatóide (AR) é uma doença crónica, inflamatória, imunomediada, que se caracteriza pela inflamação das articulações e que pode conduzir à destruição do tecido articular e periarticular (tendões e ligamentos).

 

Sendo uma doença imunomediada significa que o sistema imunitário não está a funcionar adequadamente, havendo substâncias do sistema imune que reagem contra os órgãos e tecidos do doente causando uma reação inflamatória local e sistémica.

 

A causa deste “mau funcionamento” é desconhecida, estando, contudo, identificados vários fatores de risco, como as alterações ambientais, infecções, a genética e as alterações hormonais. Estas últimas são provavelmente um dos fatores que contribui para a AR ser duas a quatro vezes superior em mulheres do que em homens. De acordo com o recente estudo epidemiológico realizado em Portugal, o EpiReuma.Pt concluiu-se que os doentes com AR representam 0,7% da população portuguesa.

 

Onde se localiza a inflamação

A inflamação que está presente nesta doença afeta com maior frequência as articulações dos punhos e dedos das mãos e pés. Podem também atingir os ombros, joelhos, cotovelos, ancas e coluna cervical. Este processo traduz-se por edema (inchaço), dor, rigidez e perda de função das articulações.

 

Ocasionalmente, a inflamação pode atingir o revestimento dos pulmões (causando pleurite) ou o revestimento do coração (causando pericardite). Pode ainda atingir o pulmão ou associar-se a secura dos olhos ou da boca, devido à inflamação das glândulas que produzem a saliva e as lágrimas. Em casos mais raros pode haver também inflamação dos vasos que provoca vasculite.

 

Como já foi referido, a AR é uma doença crónica, e por isso não tem cura, mas se for eficazmente tratada, ou seja, se inflamação for suprimida nos estágios iniciais da doença (tratamento precoce), há uma melhoria substancial do prognóstico a longo prazo.

 

No entanto, o facto de ser uma doença crónica traz um peso para a vida e por isso, um diagnóstico de AR pode surgir como uma experiência difícil e provocar alguma ansiedade, angústia e sentimento de revolta.

 

A condição de doença crónica afecta em várias vertentes a maneira de encarar a imagem pessoal, a relação com os outros e até a própria vida. A fase inicial é mais difícil pela intensidade das emoções e pela quantidade de informação nova sobre a doença, os tratamentos, seus possíveis efeitos secundários e necessidade de consultas e análises regulares.

 

Contundo, com o tempo os doentes começam a adaptar-se à nova realidade e conseguem encontrar o seu equilíbrio. Caso não seja atingido esse equilíbrio, apelo aos doentes que procurem ajuda, junto dos profissionais de saúde que o acompanham, da família e aos amigos.

 

A evolução dos tratamentos

Felizmente nesta doença há muito boas notícias. Nos últimos 20 anos, o tratamento da AR evoluiu significativamente, em consequência da avaliação da atividade inflamatória, do conhecimento dos fatores de pior prognóstico e do uso precoce de fármacos imunomoduladores.

 

Sendo uma doença mais frequente nas mulheres não podia deixar de falar de outros aspectos importante na vida de uma mulher, como a fertilidade, a gravidez e a amamentação.

 

A fertilidade da mulher com AR é normal, mas alguns medicamentos utilizados no tratamento podem aumentar o risco de aborto, causar malformações fetais ou mesmo reduzir a fertilidade. Por isso, quando for estabelecido o diagnóstico de AR, a doente deve abordar este assunto com o reumatologista, sobre os medicamentos que está a tomar e de que forma podem afetar a sua fertilidade e se tem que os suspender antes de engravidar.

 

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A AR durante a gravidez não tem tendência a agravar e a maioria das mulheres sente-se melhor das dores relacionadas com a doença. No entanto, caso haja necessidade de tratamento durante a gravidez, atualmente há fármacos imunomoduladores que podem ser utilizados para controlar a doença e as dores, sem que isso afecte o bebé.

 

No parto, não há qualquer risco acrescidos para as mães com AR, desde que tenham um adequado seguimento durante a gravidez e sem problemas de novo. Não existe risco aumentado nem necessidade formal de cesariana, salvo indicação médica. Durante o período da amamentação apenas pode haver necessidade de ajustar alguns fármacos que não são recomendados nesta fase.

 

Atrevo-me a dizer que se for estabelecido um diagnóstico e tratamento precoces, se a adesão ao tratamento e a adoção de certas medidas não farmacológicas forem cumpridas, as doentes com AR tem uma vida completamente normal sem complicações a longo prazo relacionadas com a doença

 

Por Filipa Teixeira

Reumatologista na Unidade Local de Saúde do Alto Minho

Hospital de Ponte de Lima

 

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