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Aprender a ler uma língua em adulto altera profundamente o cérebro

Os cientistas descobriram quais as mudanças que ocorrem no cérebro adulto quando as pessoas aprendem a ler e a escrever uma língua.

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A leitura é uma habilidade relativamente recente na história da evolução humana e, por isso, não existe no cérebro uma área dedicada a essa funcionalidade. Cientistas do Instituto Max Planck, Alemanha, e do Centro de Pesquisas Biomédicas de Lucknow e da Universidade de Hyderabad, ambos indianos, descobriram que aprender a ler uma língua em adulto reconfigura estruturas cerebrais evolutivamente antigas até então atribuídas a diferentes habilidades. Estes resultados foram obtidos num estudo em larga escala, na Índia, no qual mulheres completamente analfabetas aprenderam a ler e a escrever durante seis meses.

 

O processo de aprendizagem requer uma reorganização que se estende às estruturas cerebrais profundas. Para tal, tem de ocorrer uma espécie de reciclagem no cérebro enquanto se aprende a ler, isto é, áreas que se desenvolvem para reconhecer imagens complexas, como rostos, entram em ação para traduzir letras em linguagem. Algumas regiões do nosso sistema visual convertem-se assim em interfaces entre os sistemas visual e linguístico.

 

«Até agora, supunha-se que essas mudanças eram limitadas à camada externa do cérebro, o córtex, que é conhecido por se adaptar rapidamente a novos desafios», diz o líder do projeto Falk Huettig, do Instituto Max Planck.

 

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«Observamos que os designados colliculi superiores, parte do tronco encefálico, localizados no tálamo, adaptam o tempo dos seus padrões de atividade aos do córtex visual», afirma Michael Skeide, investigador principa do estudo.

 

No entanto, ao que parece, quanto maiores os intervalos de sinais entre as duas regiões do cérebro melhores são as capacidades de leitura. Os cientistas acreditam que estes sistemas cerebrais aprimoram cada vez mais a sua comunicação enquanto os alunos se tornam cada vez mais eficientes na leitura, situação que pode explicar o porquê de os leitores experientes navegarem com maior eficácia através de um texto».

 

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Na Índia, há uma taxa de analfabetismo de cerca de 39%, pois a pobreza ainda limita o acesso à educação em algumas partes do país, especialmente para as mulheres. Portanto, este estudo teve como ‘cobaias’ o povo indiano, mas de todos os participantes as mulheres acima dos 30 anos representavam a maioria.

 

No ínicio dos teste, a maioria dos participantes não conseguia decifrar uma única palavra escrita na sua língua materna. Curiosamente, os participantes atingiram um nível comparável ao de um aluno do primeiro ano após apenas seis meses de prática em leitura. Embora seja difícil aprender uma nova língua, para o ser humano adulto parece ser mais fácil aprender a ler. Segundo estas descobertas, o cérebro adulto é surpreendentemente flexível.

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