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Apetite: como controlá-lo

Durante os 5 milhões de anos da existência humana, a fome representou uma ameaça constante à sobrevivência da espécie. Por isso, nos nossos antepassados, apenas sobreviveram aqueles que eram capazes de estabelecer um equilíbrio rigoroso entre o número de calorias ingeridas e as necessidades energéticas do organismo.

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Até a segunda metade do século XX, a desnutrição foi um dos principais problemas de saúde pública. Hoje é a obesidade.

 

Cerca de 51,5% dos portugueses adultos estão com excesso de peso (37,0% tem excesso de peso, o que equivale a 3,831 milhões de pessoas e 14,5% são considerados obesos, o que equivale a 1,5 milhões de pessoas). Portanto, com os resultados apresentados, mais de metade da população portuguesa (cerca de cinco milhões de pessoas) deveriam perder peso para evitar as doenças que estão associadas à obesidade, como as doenças cardíacas, os acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, a hipertensão, algumas doenças reumáticas e alguns tipos de cancro, por exemplo.

 

Durante os 5 milhões de anos da existência humana, a fome representou uma ameaça constante à sobrevivência da espécie. Por isso, nos nossos antepassados, apenas sobreviveram aqueles que eram capazes de estabelecer um equilíbrio rigoroso entre o número de calorias ingeridas e as necessidades energéticas do organismo.

 

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Na evolução da nossa espécie, foram seleccionados os indivíduos cujos cérebros eram capazes de criar mecanismos biológicos altamente eficazes para evitar a perda de peso. Através desses mecanismos, assim que o cérebro deteta uma diminuição das reservas de gordura, a energia que o organismo gasta para funcionar em repouso com a finalidade de exercer as suas funções básicas (chamado de metabolismo basal) diminui dramaticamente. Ao mesmo tempo, o cérebro envia determinados sinais para que a pessoa procure e consuma alimentos.

 

Infelizmente, quando ocorre um aumento do peso, os sinais opostos são quase imperceptíveis: não há grande aumento da energia gasta em repouso, a fome não diminui significativamente, nem surge um estímulo para aumentar a actividade física; pelo contrário, tendemos a ser mais sedentários.

 

Para tristeza da mulher e do homem modernos, o organismo protege as reservas de gordura mesmo quando estas se encontram em quantidades muito elevadas. A mais insignificante tentativa de reduzi-las é interpretada pelo cérebro como uma ameaça à integridade física, daí que muitas pessoas que tentam emagrecer não conseguem.

 

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Hormonas associadas ao apetite

Há poucos anos, cientistas japoneses descobriram a grelina, um potente estimulador do apetite na rotina diária. A grelina é a hormona responsável pela fome, que surge quando nos aproximamos da hora do almoço, por exemplo. Determinados estudos concluem que os níveis de grelina na circulação aumentam uma a duas horas antes das principais refeições do dia e que os voluntários do estudo, ao serem-lhes administrado injeções de grelina, tiveram um aumento significativo do apetite.

 

Para contrabalançar o aumento do apetite desencadeado pela hormona grelina produzida quando o estômago fica vazio, com a ingestão de alimentos e a chegada destes ao intestino, provoca-se a libertação de uma hormona chamada péptido YY ou PYY – que é produzida no cólon (os dois terços finais do intestino grosso). Quando são administradas várias injeções desta hormona em camundongos (um pequeno roedor) e em seres humanos voluntários, verifica-se uma diminuição do apetite.

 

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As hormonas “controladoras do apetite” e do metabolismo, a curto ou a longo prazo, atuam predominantemente numa região do hipotálamo conhecida como núcleo arqueado, no centro dno qual reside o controlo-mestre dos sistemas reguladores. Para o núcleo arqueado convergem dois tipos de neurónios que exercem acções completamente opostas, o da estimulação e o da inibição do apetite.

 

Resumindo…

A fome que sentimos resulta de um equilíbrio ajustado entre circuitos antagónicos já referidos, e que foram construídos e selecionados pelos nossos antepassados remotos com a finalidade de resistir à falta permanente de alimentos, numa época em que as refeições eram alternadas com longos períodos de jejum forçado (a fome). Estes acontecimentos fizeram com que houvesse uma adaptação do cérebro para enfrentar a penúria, e que nos dias de hoje, os dias de fartura, deu origem ao flagelo da obesidade.

 

Bibliografia: www.obesidade.online.pt

 

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