Home»BEM-ESTAR»COMPORTAMENTO»Ansiedade durante a interrupção letiva: como gerir uma nova realidade

Ansiedade durante a interrupção letiva: como gerir uma nova realidade

Não bastava toda esta adaptação que nos foi imposta, face à pandemia, como também tivemos de nos reajustar ao modo de ensinar e aprender. A tranquilidade que tanto desejávamos deu lugar a incertezas e momentos de ansiedade, pois de forma imprevisível tudo se alterou.

Pinterest Google+
PUB

Com a chegada do momento da interrupção letiva da Páscoa, também chegam os projetos e as tão desejadas e planeadas férias. Nasce dentro de nós um enorme sentimento de felicidade e alegria, uma vez que deste período advêm momentos bastante agradáveis, em família e com amigos. Mas eis que surge um contratempo e tudo foi corroborado. A 13 de março foi decretado o encerramento das escolas, e com esta decisão, a mais sensata face à evolução da pandemia, o sistema educativo caiu como que numa espécie de abismo.

 

De momentos de certeza, em que tudo estava delineado e programado há tanto tempo, passámos para uma incerteza constante, perdendo o controlo dos nossos dias. Até o dia de amanhã passou a ser uma incógnita, quanto mais definir planos para o futuro, mesmo que um futuro próximo. Passámos a viver um dia de cada vez, esperando que o amanhã não nos traga muitas surpresas ou ainda mais alterações às nossas vidas.

 

Após duas semanas sem aulas presenciais, que tanto veio alterar as rotinas de pais e professores, pois em paralelo com o teletrabalho acrescem as tarefas da casa e os cuidados a prestar aos filhos, deparamo-nos com mais duas semanas de dúvida, que seriam as tão ambicionadas férias.

 

VEJA TAMBÉM: DEPOIS DA QUARENTENA: OS PRIMEIROS DESEJOS DOS PORTUGUESES SÃO AS COISAS MAIS SIMPLES

 

Esta perturbação emerge, pois tivemos de nos adaptar a uma nova realidade, com a qual não estávamos de todos familiarizados. A simples deslocação de casa para o trabalho ou para a escola deu lugar a um vazio, pois nem sequer de casa chegamos a sair. No entanto, pais, professores e alunos continuam a contactar, mas à distância. Com este tipo de contacto, à distância, deparamo-nos com um dos maiores desafios do sistema educativo, uma vez que a realidade das escolas e as ferramentas de ensino não funcionam nestes moldes, ou não funcionavam. Teve de haver mais um reajuste no nosso quotidiano. Não bastava toda esta adaptação que nos foi imposta, face à pandemia, como também tivemos de nos reajustar ao modo de ensinar e aprender.

 

A tranquilidade que tanto desejávamos deu lugar a incertezas e momentos de ansiedade, pois de forma imprevisível tudo se alterou. E tudo o que advém de uma mudança abruta gera ansiedade. Uns mais do que outros, mas todos nós necessitamos de rotinas e de objetivos de vida. É algo que nos torna elementos ativos no processo de aprendizagem e de enriquecimento pessoal. Poder delinear e planear o dia seguinte dá-nos uma sensação de controlo, que deixámos de ter. Perdemos completamente o controlo do nosso dia a dia.

 

Contudo, não devemos hipervalorizar este estado de ansiedade, mas sim aceitar que é normal estarmos ansiosos, uma vez que fomos “obrigados” a sair da nossa zona de conforto. Todo o ser humano que se depara com uma série de alterações no quotidiano, que deixa de ser elemento ativo na construção do seu dia a dia e que deixa de poder traçar projetos fica ansioso.

 

VEJA TAMBÉM: VIROLOGISTA RESPONDE ÀS PRINCIPAIS PERGUNTAS SOBRE O NOVO CORONAVÍRUS

 

E ao pensar quando é que voltamos a ter aulas presenciais, quando é que voltamos a trabalhar e a ter todas as nossas rotinas, ainda nos gera mais angústia. O melhor é encararmos cada dia com muita determinação, continuar a delinear projetos e encaramos toda esta situação com muita firmeza e como algo que irá cessar. Segundo Friedrich Nietzsche, «tudo o que não nos destrói, torna-nos mais fortes», ou ainda, «o que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte».

 

Vamos aguardar que esta fase que absorveu as nossas vidas desvaneça o mais rápido possível, para que de um estado de angústia passemos para um estado de alívio e retorno ao nosso modo de vida. E como permanece a incerteza de quando tudo tomará o seu rumo normal, deixo-vos a sugestão de dois ingredientes que podem e devem utilizar diariamente, uma enorme capacidade de resiliência e perseverança.

 

Vai ficar tudo bem!

 

Hugo Gouveia,

Professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico

Artigo anterior

Malditas rugas! Saiba como travar um pouco o tempo

Próximo artigo

Movimento Helping Algarve recolhe mais de 350 mil euros numa semana