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Ana Bravo: «Os portugueses já foram mais poupados»

Na altura em que se assinala o Dia Mundial da Poupança, a 31 de outubro, falámos com Ana Bravo, especialista em gestão financeira e autora do livro 'ABC da Poupança'. Afinal, os portugueses têm pouca literacia financeira e já foram mais poupados.

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Qual o maior segredo para uma boa gestão da economia doméstica?

Ter um orçamento bem feito, completo e cumpri-lo.

 

Quais as variáveis mais importantes a ter em conta na definição do orçamento?

O equilíbrio, como em tudo na vida. Quero dizer com isto que o nosso orçamento tem que refletir as nossas necessidades e também permitir “folgas”, ou seja, ter espaço para lazer e prazer, ainda que devidamente orçamentado e de acordo com as possibilidades.

 

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No caso de um casal desempregado ou em que um dos elementos enfrenta esta situação, como é possível poupar, quando o rendimento diminui substancialmente?Poupar muitas vezes não quer dizer ter dinheiro a sobrar no fim do mês, mas sim reduzir o máximo possível os consumos que necessitamos fazer, de forma que o dinheiro que se recebe seja o melhor rentabilizado possível. E acredite que é sempre possível fazer melhor! Não há uma única resposta certa a esta pergunta, mas garantidamente passa por uma avaliação séria dos rendimentos e por perceber se os mesmos comportam a vida que se faz. Muitas vezes são necessárias decisões pouco populares ou simpáticas tais como deixar a casa que se tem, vender o carro e passar a usar os transportes públicos, deixar de tomar café na pastelaria, deixar de fumar e beber, entre outras coisas.

 

É habitual as pessoas não terem noção de onde gastam o seu dinheiro. Como é que pode ser feito este controlo?

É tão habitual que chega a ser o normal. Porém, com o estado geral das finanças nacionais e porque não há outra saída, a quantidade de pessoas que faz contas aumentou bastante. Para controlar aquilo que se gasta, o melhor é: anotar absolutamente tudo o que se gasta; ter um orçamento bem planeado com plafonds para todos os tipos de consumos e seguir à risca o orçamento.

 

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A pasta da economia doméstica está geralmente entregue a um dos elementos do casal ou é dividida? E qual a forma mais positiva de o fazer?

Quando existe pasta de economia doméstica podem ocorrer várias situações: um dos membros do agregado familiar ser o responsável pela administração dos dinheiros comuns; cada um dos membros do casal ser responsável por uma parte dos pagamentos ou fazerem em conjunto a gestão financeira dos rendimentos. Para mim, a gestão financeira de uma casa é similar à educação dos filhos: os dois membros do casal têm que estar alinhados, agir concertadamente e da mesma forma, deve haver coerência nas decisões e ações para os resultados serem os melhores. Por isso o envolvimento dos dois é essencial, a comunicação entre os dois deve ter sempre as linhas abertas, os objetivos devem ser discutidos em conjunto assim como a forma de se chegar a eles.

 

E as crianças, devem ser envolvidas neste processo?

Absolutamente sim! É não só importante mas urgente que se explique às crianças o que é o dinheiro, que para se ter dinheiro é preciso trabalhar, que ‘x’ dinheiro representa ‘x’ horas de trabalho, qual a situação que se vive no momento, quanto custam as coisas que as crianças querem e quantas horas de trabalho isso significa, quais são as despesas da casa, etc. Só dessa forma criamos adultos responsáveis e conscientes do valor das coisas, da melhor forma de usar o dinheiro e com a capacidade de tomarem boas decisões na sua vida. Consegue-se também crianças menos exigentes, mais alerta para a forma como devem usar o dinheiro das suas mesadas ou prendas de familiares.

 

Veja AQUI dicas de Ana Bravo para conseguir poupar. Mais informações em www.abcdapoupanca.com