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Ana Bravo: «Os portugueses já foram mais poupados»

Na altura em que se assinala o Dia Mundial da Poupança, a 31 de outubro, falámos com Ana Bravo, especialista em gestão financeira e autora do livro 'ABC da Poupança'. Afinal, os portugueses têm pouca literacia financeira e já foram mais poupados.

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Ana Bravo é licenciada em Relações Públicas e Publicidade, tendo depois feito formação em Consultoria Financeira, Contabilidade e Finanças e Coaching. É apaixonada pelas áreas de Finanças Pessoais e Sustentabilidade, o que a levou, em 2007, a abrir uma empresa de consultoria financeira de crédito.

 

Aí percebeu a lacuna existente nos conhecimentos financeiros básicos e, por essa razão, desenvolveu workshops de Economia Doméstica. Até chegar à área comportamental foi um curto passo, por acreditar que a área financeira está diretamente ligada ao nosso desenvolvimento enquanto pessoas e, portanto, as finanças precisam de ser tratadas de uma forma mais holística. No final de 2010, foi convidada para iniciar uma rubrica mensal sobre poupança no jornal online “Boas Notícias”. Numa entrevista ao ‘Contas Poupança’ da SIC, o jornalista Pedro Andersson lançou-lhe o desafio de escrever um livro. O projeto nasce três anos depois, sob o nome ‘ABC da Poupança’, lançado em setembro de 2014. Atualmente, tem uma rubrica semanal de poupança no programa ‘Praça da Alegria’, na RTP1, às 5ªs feiras.

 

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Ao longo de anos de workshops terá conhecido muitas histórias. Os portugueses são naturalmente poupados?

Os portugueses já foram poupados, hoje não são. Se pensar que cerca de 80 a 85% dos portugueses têm uma muito fraca ou inexistente literacia financeira, já fica com uma ideia dos números que estamos a falar. Por várias razões: a tecnologia e os media desenvolvem em nós a urgência no consumo; não se ensina nas escolas a fazer contas, orçamentos e economia pessoal em geral; antes desta crise financeira tivemos uma aparente fase de “vacas gordas” que, na realidade, não o eram; estamos esquecidos dos verdadeiros valores, privilegiando a aparência e o ter.

 

Qual diria ser a maior dificuldade dos portugueses nesta temática da poupança?

Viver à medida do que ganham, planear a sua vida de acordo com o que podem, em vez de agir de acordo com o que gostavam que fosse. E aqui tenho que dizer ainda que quando se vive à medida do que se pode e tem, grande parte das vezes temos muito daquilo com que sonhamos. Esta é a recompensa, para além de uma vida tranquila financeiramente, claro!

 

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Qual é o primeiro passo a tomar para começar a poupar?

Fazer um orçamento é a resposta óbvia. Apurar quanto se ganha e quais as despesas que se tem.

 

As pessoas estão mais atentas às formas de poupança, como artigos com desconto ou partilhar boleias, por exemplo?

Os artigos com desconto serão sempre um sucesso pois juntam duas coisas que adoramos: comprar e comprar mais barato. E sim, penso que podemos falar de um alerta geral para pagar menos por todos os serviços e produtos em geral.

 

Pode dar-me um caso prático de uma pequena atitude ou alteração que resulte numa poupança substancial no orçamento familiar?

Anotar tudo o que se gasta! Num bloco de notas ou no telemóvel, anotar absolutamente tudo o que lhe sai da carteira, independentemente do valor ser maior ou menor. Ao fazer isto tem dois ganhos importantíssimos: a consciência do que gasta e um anjinho por cima do ombro direito a perguntar-lhe: ‘Precisas mesmo disso?’. São sempre surpreendentes os resultados que se obtêm com esta medida. Percebe-se que algumas despesas podem ser evitadas e, em média, os meus clientes conseguem poupanças imediatas de 200 euros por mês, mas estes valores podem ser muito superiores. Este é o exemplo de uma família que acompanho e que tem uma situação financeira e social próxima da maioria da população portuguesa.

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