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Amizade em tempos de COVID-19: a importância de manter as relações sociais

Falámos com a psicóloga Alexandra Barros, que nos explica a importância de manter as amizades nestes tempos conturbados, mesmo que à distância.

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Segundo um estudo do Hospital Júlio de Matos e do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa sobre o impacto do isolamento na saúde mental, 8,97% dos estudantes manifestaram sintomas de depressão, 11,21% de ansiedade e 7,01% de insónia. Já nos adultos empregados durante a pandemia, os valores são de 6,86% para sintomas de depressão, 9,97% sofreram sintomas de ansiedade e 6,23% de insónia.

 

Durante uma altura em que todos vivemos ansiosos e stressados com o que o mundo atravessa, o isolamento pode ser bastante perigoso para a saúde mental. «Somos seres sociais, pelo que a maior parte das pessoas carece de contactos e vínculos, podendo o isolamento ter um impacto negativo, sobretudo em pessoas que já apresentavam algum tipo de vulnerabilidade, seja ao nível de saúde, social, emocional ou económico. O isolamento pode causar ou agravar o sentimento de solidão, que por sua vez aumenta o risco de depressão e de ansiedade, por exemplo», explica a psicóloga.

 

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Em casos mais graves, o isolamento pode até provocar uma fobia social, pelo medo de contágio. «Não podemos esquecer que a saúde mental e a saúde física não podem ser dissociadas, o impacto de uma terá influência na outra. Uma saúde mental mais debilitada trará maior vulnerabilidade a nível imunitário, por exemplo. Por outro lado, o isolamento pode também dificultar a adaptação a esta nova realidade, prejudicando o desenvolvimento de estratégias e recursos que podem ser desenvolvidos ou potenciados pelo contacto com os outros».

 

Para Alexandra Barros a melhor forma de manter o contacto com os amigos é aquela que funciona entre todos «de acordo com os hábitos individuais, familiares e sociais de cada um». Já nesta altura, em que se recomendam medidas de distanciamento, a psicóloga explica que «é importante que se privilegiem os contactos ao ar livre, em pequeno grupo e com as devidas cautelas, para além dos canais digitais que atualmente possibilitam encurtar a distância».

 

Com a diminuição da convivência presencial surge também o receio de algumas amizades findarem. Para Alexandra Barros isto só acontecerá caso estas já estejam numa fase difícil: «Se o vínculo é forte, não será tão facilmente quebrado por esta interrupção ou distância física. Não é por acaso que há amizades antigas em que, por diversas razões, as pessoas estão distantes, não se encontram nem ligam com grande frequência, mas mantêm um elo forte. Há outras relações com maior convivência e contacto que talvez não sejam tão profundas».

 

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Logo, de forma sucinta, «o prognóstico das amizades nesta altura dependerá muito se o vínculo pré-existente era forte ou se era algo mais circunstancial, ou seja, aquelas relações que só existiam associadas a um determinado contexto ou situação».

 

Em qualquer momento mais desafiador, a rede de suporte sociofamiliar é um fator de grande importância e até mesmo um facilitador. Alexandra Barros alerta que «vivemos tempos de grande insegurança e incerteza relativamente ao futuro, não só no que respeita à saúde, mas também a nível social, profissional, académico, económico e financeiro. Neste sentido, as amizades serão de extrema importância para ajudar a superar estes desafios».

 

Todas as relações e afetos requerem genuinidade, intimidade, empatia e vínculo, pelo que a psicóloga realça mais uma vez que «as relações se constroem ao longo do tempo, pelo que uma amizade verdadeira e sólida se irá manter independentemente da distância física». Para manter as amizades nesta altura pode usufruir por exemplo das tecnologias, «que reaproximaram algumas pessoas que, por estarem mais isoladas, estiveram mais ativas nas redes sociais, restabelecendo de certa forma vínculos antigos».

 

A psicóloga explica que «numa primeira fase houve um impulso de contacto online ou telefónico, movido pela adrenalina do desconhecido e do medo. Agora parece que a maior parte das pessoas voltou ao piloto automático, pelo que espontaneamente acontecerá uma de três coisas: as amizades sólidas não irão sair abaladas, amizades antigas ou esmorecidas poderão arrebitar de forma temporária ou permanente, e aquelas amizades superficiais que só precisavam de uma desculpa para criar afastamento, eventualmente terminarão».

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