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Alterações da menstruação. Quando deve procurar o médico?

As mulheres têm habitualmente uma boa perceção do padrão de normalidade do seu ciclo menstrual e de que este pode sofrer pequenas variações que não são preocupantes. Contudo, quais os limites para estas variações e o que deve ser considerado anómalo e levar a mulher a procurar o seu médico?

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Como regra “base”, deve valorizar qualquer sangramento genital que seja diferente do seu habitual em termos da sua frequência, regularidade, duração e volume. O contexto em que estas alterações ocorrem também deve ser tido em consideração, como por exemplo, tente confirmar que a toma de contracetivos ou fármacos hormonais esteja a ser feita corretamente ou descarte uma gravidez caso haja essa possibilidade. Vamos então tentar clarificar conceitos de forma a que melhor compreenda os limites da normalidade e quando deverá procurar ajuda, de acordo com os consensos internacionais, incluindo o da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

 

FREQUÊNCIA

A frequência considerada normal é a da ocorrência de uma menstruação a cada 24 a 38 dias (desde o primeiro dia da menstruação ao primeiro dia da menstruação seguinte). Por outras palavras, é normal ocorrerem 5 a 6 menstruações num período de 6 meses.

 

Deve, pois, procurar o seu médico se tiver menstruações muito frequentes (ciclos inferiores a 24 dias) ou se, pelo contrário, as suas menstruações forem infrequentes (ciclos superiores a 38 dias). Também deve ser observada se deixar totalmente de ter menstruações por um período superior a 3 a 6 meses, condição designada por amenorreia secundária. As meninas que não tenham tido a primeira menstruação (menarca) até aos 15 anos de idade – amenorreia primária – também precisam de ser avaliadas.

 

REGULARIDADE

A menstruação ocorre normalmente em intervalos regulares e razoavelmente previsíveis, sendo considerada irregular se a variação dos intervalos entre cada ciclo for superior a 9 dias, num período de referência de 6 meses.

 

DURAÇÃO

A duração da menstruação refere-se ao número de dias de sangramento. O normal é que dure até 8 dias, pelo que deve consultar o seu médico se a menstruação for persistentemente prolongada, isto é, com duração superior a 8 dias.

 

VEJA TAMBÉM: MULHERES PORTUGUESAS UNEM-SE PELO COMBATE À POBREZA MENSTRUAL EM ÁFRICA

 

VOLUME

A definição de menstruação abundante é um pouco mais subjetiva que as anteriores e baseia-se na perceção, por parte da mulher, de hemorragia menstrual excessiva e que interfere com a sua qualidade de vida. Pode ou não estar associada a menstruação prolongada.

 

Sangramentos que ocorrem fora da menstruação (intermenstruais) devem motivar observação médica, embora algumas destas perdas possam estar associadas a situações fisiológicas, como é o caso de curtos e escassos sangramentos durante a ovulação. Já em situações de spotting pré e pós-menstrual, isto é, perdas de sangue escassas durante um ou mais dias antes ou depois da menstruação deve ser avaliada.

 

Perdas de sangue que surgem com as relações sexuais (coitorragias) são já identificadas como um sintoma de alerta pela grande maioria das mulheres, não sendo, contudo, demais reforçar a necessidade de avaliação médica. O mesmo deve acontecer perante qualquer sangramento, por escasso que seja, que surja após a menopausa, isto é, mais de um ano após a última menstruação.

 

Como mensagem final, não podemos deixar de transmitir a preocupação da comunidade médica em relação ao facto de muitas pessoas, nestes tempos de pandemia, estarem a desvalorizar sintomas e sinais de alerta com receio de ir ao hospital, adiando assim o diagnóstico de doenças que tardiamente diagnosticadas podem ser irreversíveis.

 

Esteja atenta a sinais de alerta e na presença de sintomas procure o seu médico de imediato. Algumas das complicações podem ser minimizadas se precocemente detetadas, o que implica um acompanhamento médico regular.

Gostaria de sublinhar que as unidades de saúde seguem protocolos e circuitos para garantir a segurança de todos, doentes e profissionais de saúde, pelo que não deve adiar a sua deslocação aos hospitais por receio de segurança seja para uma consulta, exame ou tratamento.

 

Por Sónia Valente Duarte

Ginecologista-Obstetra do Hospital CUF Porto e Clínica CUF S. João da Madeira

 

 

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