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Alimento é vida – letra G

Hoje a letra do alfabeto que vos trago remete-nos para alguns alimentos tropicais e orientais na sua maioria, que são caraterísticos de lugares longínquos de Portugal, alguns deles trazidos até nós no passado da história comercial no tempo dos descobrimentos.

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Por várias vezes nos artigos que escrevo, eu faço referência que os fatores alimentares são os maiores responsáveis pelo equilíbrio metabólico de cada indivíduo e influenciam a nossa expressão genética.  Ao perdermos esse equilíbrio todo o nosso fenótipo sofre modificações.

 

No entanto, com a globalização, a mistura dos povos torna-se cada vez maior e cada vez mais nos vamos acostumando a comer, saborear e colher dos benefícios alimentares de outros lugares distantes. É nesta mistura de gentes, hábitos, costumes culinários, diferenças socio culturais, que reside a minha preocupação quando me dedico a decifrar as mudanças epigenéticas que cada um de nós sofre ao longo da sua existência, desde que nasce até que morre.

 

Costumo usar com frequência esta afirmação:  ‘Cada ser humano é único, por isso a sua alimentação deve estar focada no seu biótipo e organizada de forma a proteger o equilíbrio do seu sistema.’

 

Todas as interferências que recebemos ao longo da nossa vida modificam a estrutura do nosso metabolismo, gerando mudanças por vezes desastrosas na saúde de cada pessoa.  Estas alterações explicam-se através da epigenética que é o estudo da modificação do genoma herdável durante a divisão da célula e que não envolve a mudança na sequência do D.N.A.

 

A epigenética desponta como uma nova fronteira a ser alcançada e transposta no cenário médico e científico, que nos traz informações á luz das experiências científicas. A compreensão dos seus mecanismos além daqueles que já são conhecidos pela genética molecular permite-nos a criação de modelos para avaliar e estruturar uma solução preventiva, focada no biótipo individual e único de cada ser humano.

 

Por isso, hoje cada vez mais a forma de nos cuidarmos através dos alimentos tem um fator relevante nas nossas vidas e isto acontece em todo o planeta.  Este tipo de nutrição consiste na utilização dos alimentos para podermos prevenir doenças e restabelecer a saúde, onde os alimentos são usados pelas suas propriedades.  Este é o poder da ciência chamada ”nutrigenética”, onde temos de considerar os conceitos sociais e ambientais que envolvem a produção e o consumo dos alimentos e do nosso quotidiano.

 

Cada vez mais especialistas em todo o planeta relacionam a qualidade da saúde à prevenção.  É preciso ainda reafirmar que uma dieta antioxidante, rica em fibras e alimentos orgânicos, exercício físico, limpeza intestinal, pensamentos positivos, meditação e o respeito às características individuais de cada um, ajuda-nos a conquistar uma vida com saúde, longevidade, felicidade e mais beleza.

 

Alimentos com letra G

Grão-de Bico, gengibre, groselha, goiaba, graviola, guaraná, grelos de couve ou de nabiça, geleia real, gérmen de trigo, granola, ginseng e gergelim.

 

Na nossa tradição alimentar mediterrânica, fazemos uso do grão-de bico cozido no inverno, acompanhado de grelos ou couves e bacalhau, muitas vezes consumido no Natal. No entanto, poucas pessoas sabem que o grão-de-bico é um dos principais ingredientes da gastronomia Oriental e do Oriente Médio. Chegou à Europa com as migrações de povos e suas trocas comerciais. Também chamado de gravanço, ervanço, ervilha-de-galinha ou ervilha-de-Bengala, é uma leguminosa da família das fabáceas, muito distribuída na Índia e no Mediterrâneo.

 

Pode ser facilmente encontrado em supermercados em forma de grãos integrais (crus ou cozidos) ou como farinha, já processada. Cada 100 gramas desta leguminosa cozida possui 5g de fibra, na sua maioria solúvel, além de vitaminas A, B6, C, E e K, cálcio, fósforo, potássio, zinco, magnésio, ferro e sódio. Graças ao seu conteúdo rico em zinco, o grão, permite que o corpo assimile e armazene a insulina, e por isso é ideal no caso de diabetes.

 

A sua fibra solúvel mistura-se com a água formando um gel que ajuda na eliminação de gordura, colesterol e açúcar. O grão-de-bico é isento de glúten pelo que é uma boa opção de substituição para pessoas intolerantes ao glúten ou doentes celíacos.

 

Pelas suas propriedades ricas em triptofano, aminoácido essencial para a produção da serotonina, é recomendado para a saúde da mulher, sobretudo no decorrer do período da menopausa, por concentrar mais fito estrogénios que o feijão. Por ter ómega 3 e 6, é indicado para prevenir doenças cardiovasculares. Alguns estudos afirmam que o grão-de-bico proporciona o mesmo efeito que o chocolate na produção de serotonina, o que lhe confere título de “grão da felicidade”.

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