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Alimentação na época natalícia: a culpa no centro da mesa?

Nesta época natalícia, o consumo alimentar altera-se frequentemente. Começou no início de dezembro e prolonga-se até ao Ano Novo. É tempo de celebrar a vida à mesa, onde deve predominar a alegria dos sabores e a convivialidade. Porém… há um porém… estes momentos são também acompanhados de sentimentos de culpa. Como gerir tudo isto? Maria João Brito, psicóloga, e Diana Teixeira, nutricionista, explicam-nos como.

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Porque nos sentimos culpados quando comemos demais? A psicóloga Maria João Brito explica:

Hoje em dia os estereótipos de beleza e elegância são incontornáveis: o feminino é magro e o masculino é atlético, portanto ninguém quer ter peso a mais, e consequentemente, não ser atraente e não vir a ser desejado pelo sexo oposto.

 

Percebemos assim que não há uma culpa no Natal, há uma culpa todo o ano. Claro que no Natal há mais quantidade na mesa, há mesmo pratos e doces típicos (bacalhau, peru, sonhos, filhós, rabanadas, bolo rei, tronco de Natal, etc., etc.), o que aumenta a premência da questão do equilíbrio no que se ingere.

 

Não nos devemos esquecer que o Natal é uma festa religiosa, é a festa do nascimento de Cristo, uma história que nos enternece desde crianças: Uma família que caminha até Belém, para ali nascer o Menino Jesus, e uma estrela que indica o caminho aos Reis Magos que vêm adorar o menino. No fundo, todos nós inconscientemente imaginamos e gostaríamos que o nosso nascimento fosse igualmente desejado e fossemos tão amados, ora é esta identificação que fazemos ao Menino Jesus que confere ao Natal um poder emocionalmente tão forte.

 

Ora as emoções nem sempre são fáceis de gerir, neste caso de ingerir. E quando à mesa confrontados com determinados aspetos do amor e do relacionamento com a família, bem como com o mais profundo de todos os relacionamentos, que é aquele que temos para com nós mesmos, pode surgir uma parte destrutiva e consequentemente uma falta de controlo sobre o impulso de comer.

 

Comer de mais ou não comer quase nada (que é por ex. o desejo das meninas com anorexia nervosa) é uma forma desequilibrada de reagir, pois a finalidade da vida é viver e viver prazerosamente. Mas eis que chega a festa de fim de ano, e com ela a voracidade manifesta-se no desejo de viver, pedimos desejos com as badaladas e aproveitamos para reparar a “culpa”: prometemos voltar para o ginásio, só comer alimentos saudáveis, no fundo vamos tomar mais conta de nós próprios.

 

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Como juntar a saúde com o prazer à mesa? A nutricionista Diana Teixeira explica:

Se procura os ingredientes secretos para um Natal saudável, eles são a combinação dos saberes que permitem juntar a saúde com o prazer à mesa, nomeadamente:

– Respeite o esquema habitual das refeições durante o dia para evitar o consumo excessivo nas refeições de Natal, que vão desde a Consoada até vários dias depois a consumir os excessos. Só assim evitará chegar à hora das refeições com demasiada fome.

 

– Utilize ingredientes locais, produzidos na proximidade e prefira ingredientes da época. Promova a sustentabilidade à mesa. Na verdade, estes alimentos, para além de um custo económico e ambiental inferior ao dos alimentos consumidos fora da época, podem apresentar melhores características organoléticas e nutricionais.

 

– Cozinhe de (e para) o coração. Para mostrar à família e aos amigos que realmente se importa com eles, seja criativo com receitas que usem menos gordura (privilegiando o uso do azeite no momento da confeção) como os estufados, e cozidos a vapor. Evite fritar. Se assar, retire as partes mais escuras ou queimadas antes de servir. Prepare o peru e/ou bacalhau ou polvo em vez de carne vermelha.

 

– Inicie as suas refeições com uma sopa. A sopa com hortícolas, adicionando também leguminosas como o feijão, a ervilha ou o grão promove a saciedade por um período mais longo de tempo, hidrata, é fonte de vitaminas e fibra e ajuda a limitar a ingestão de outras entradas da época. De preferência.

 

– Acompanhe as refeições com hortícolas e outros produtos vegetais. Seja criativo nas cores em metade do seu prato, desde as couves cozidas aos grelos, cogumelos, lentilhas, ervilhas, beringelas ou curgetes, são excelentes formas de reduzir a ingestão de calorias.

 

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– Privilegie a água à mesa e evite o consumo excessivo de álcool. O álcool pode aumentar o seu apetite e diminuir a capacidade de controlar o que come; evite também o consumo excessivo de bebidas açucaradas.

 

– Modere a quantidade de sobremesas. Também aqui prefira as da época como as rabanadas, o bolo rei ou as azevias. Evite bombons e chocolates ou estará claramente fora da época natalícia.

 

– Coma calmamente. Demoram alguns minutos até que o sinal do seu estômago “estou cheio” chega ao cérebro. Faça uma pausa de 10 minutos entre pratos. Beba um pouco de água. Converse e respeite o seu apetite.

 

– Mantenha-se ativo.  Neste Natal saudável opte por caminhar ou por um bom passeio em família. Todas as oportunidades são boas para cumprir os seus 10000 passos diários. Cada passo a mais conta.

 

– Proteja o meio ambiente. Evite comprar mais plástico. Compre produtos nacionais e de proximidade. Prefira produtos sazonais. Se possível, invista em alimentos produzidos em modos de produção biológica ou integrada. Reutilize as sobras. O planeta agradece.

 

– Preste atenção ao que realmente importa. Embora a comida seja parte integrante das festas, coloque o foco na família e nos amigos, risos e alegria. Se o equilíbrio e a moderação forem os seus guias habituais, não há problema em aproveitar ou comer demais de vez em quando. Depois é tempo de voltar à rotina o que presume alimentação equilibrada e exercício físico.

 

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