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Alguns países estão a dar licenças a mulheres por dores menstruais

Japão, Índia e Indonésia são alguns dos países onde é possível uma mulher faltar ao trabalho por dores menstruais, mas a medida é controversa e está a gerar debate sobre os benefícios e efeitos negativos que pode trazer à forma como a mulher é vista no mercado de trabalho. E o debate já chegou à Europa.

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Nos últimos meses, têm-se somado as empresas na Índia que concedem licenças às mulheres para se ausentarem do trabalho por sofrerem de dores menstruais, revela o ‘The New York Times’.

 

A medida já é aplicada por empresas noutros países, como o Japão, Indonésia, Taiwan, Coreia do Sul e Zâmbia, mas está a gerar polémica, pois pode ser encarada como benéfica ou prejudicial às mulheres, uma vez que lhes confere um estatuto diferente no mercado de trabalho e pode ser justificação para ordenados menores, revelam as instituições contactadas pelo jornal americano.

 

No caso concreto da India, as empresas que integrem esta medida podem tirar um dia por mês sem que esta licença interfira no seu vencimento, dias de férias ou número de faltas por motivos de doença.

 

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O movimento desencadeou um aceso debate, não apenas nestes países, mas em todo o mundo. Os especialistas dizem que a propagação de tais políticas – apesar das suas melhores intenções – pode na realidade impedir o progresso das mulheres no local de trabalho.

 

Os dias de folga adicionais podem ser usados para justificar salários mais baixos ou aumentar a descriminação na contratação de mulheres, dizem os críticos. Podem também afastar as mulheres de cargos de chefia e de promoções. A medida pode também gerar um preconceito de que a menstruação torna as mulheres inaptas para o trabalho. «Isto sugere que as mulheres são exclusivamente incapacitadas no local de trabalho pelo facto de terem período», disse ao jornal Emily Martin, vice-presidente de Justiça no Local de Trabalho no Centro Nacional de Leis para as Mulheres dos EUA. Mas faz mais, diz a especialista, uma vez que conota as mulheres menstruadas como doentes.

 

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Os críticos argumentam ainda que, no passado, o período menstrual já foi motivo de descriminação das mulheres e que receiam que esses tempos voltem. Como exemplo, recordam que as jovens e as mulheres eram afastadas da escola e do trabalho nesses dias, nas mais variadas circunstancias.

 

O debate já chegou, entretanto, à Europa. O parlamento italiano irá debater em breve um projeto de lei que, em março, propunha que as empresas oferecessem três dias úteis às mulheres com cólicas menstruais severas. Aqui, também, a preocupação é se a medida prejudicará mais as mulheres do que as beneficiará.

 

 

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