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Adeus, máscaras: medo do vírus vs. receio de revelar o rosto

Habituámo-nos a fazer tudo, ou quase tudo, de máscara: trabalhar, fazer compras, passear na rua e até a estar com familiares e amigos. A máscara marcou profundamente as nossas vidas nos últimos dois anos e alterou a forma como nos relacionamos e vivemos o dia a dia.

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Agora, perante a possibilidade de vivermos sem ela, muitos são os que se sentem ansiosos, não só pelo medo de contrair a covid-19, mas também por mostrarem a totalidade do rosto.

 

A máscara cumpriu funções que vão além de proteger contra a Covid-19. Entre elas esteve o papel de agir como barreira para evitar o julgamento alheio sobre o próprio e até mesmo esconder emoções. Cada um foi criando, para si, uma função para a máscara, usando-a a partir da sua história de vida, dos seus medos, das suas dificuldades, das suas exigências, expectativas em relação ao outro e a si mesmo. Foi uma forma de diminuir a exposição e até de camuflagem.

 

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Muitas pessoas que apresentavam níveis mais baixos de autoestima esconderam-se atrás da máscara nos últimos dois anos. Esconder parte do rosto foi uma forma de aumentar a autoestima, um verdadeiro penso rápido para algo mais danoso e profundo. Tornou-se protetora, uma “arma” que ocultava “o acne”, “os dentes tortos”, “o nariz batata”, etc.. Agora perante a possibilidade de retirar surge o medo de não ser aceite, ser criticado, gozado, rejeitado.

 

Mas, as máscaras não podem ficar “indefinidamente” nas nossas vidas.

 

Urge, no entanto, calma na transição, evitando assim a possibilidade de aparecimento de níveis elevados de ansiedade. Por um lado, é importante não forçar demais, indo além do próprio limite na exposição a situações. Por outro, é preciso não se acomodar e observar o grau de sofrimento que tirar a máscara traz a si próprio. O segredo é a exposição gradativa e contínua. Não adianta fazer apenas uma vez e parar. Tem que ir dando passos no sentido do enfrentar gradativo, dentro dos limites, respeitando o próprio tempo para se adaptar à nova realidade.

Para facilitar, deixo-lhe 3 dicas:

  1. Reflita sobre o que significa para si o uso da máscara, que significado lhe atribui.
  2. Identifique que crenças podem estar a impedir que volte a ter experiências sociais sem máscara.
  3. Atente sobre o seu estado físico e emocional. O que revela o seu corpo? Que emoções consegue identificar?

 

Por fim, tenha em mente que faz parte da natureza humana alguma resistência à mudança, pelo que não exija de si, o que não consegue fazer.  No entanto, evite o conformismo, ele é um verdadeiro apagador de sonhos. O conformismo é a arte de se acomodar, de não reagir e de aceitar passivamente as dificuldades que vai encontrando.

 

O conformista prefere ser vítima em vez de protagonista.  Não seja vítima, aja. Não se esqueça que o ser humano é um ser social e precisa de estar integrado numa sociedade, pertencer a grupos, interagir. O mundo tecnológico ajuda, mas não substitui o mundo real. O mundo real tem verdadeiras emoções, tem toque, tem sorrisos, tem a magia de um olhar, a pureza de um beijo, o poder de um abraço.

 

Pense nisso, pois sem vontade não há coragem…

 

 

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