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ADELAIDE, a plataforma que une o produtor ao consumidor

Este é um projeto que apoia os pequenos produtores no escoamento dos seus produtos e que permite também que o consumidor monitorize os produtos agrícolas que consome, conhecer as hortas onde cresceram e também quem as cultivou.

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«O projeto ADELAIDE é muito mais do que um portal, uma loja online ou mesmo uma tecnologia, é acima de tudo uma ferramenta social», começa por explicar Luis Miguel Campos, gestor e investidor social na MyFarm. A ADELAIDE (adelaide.farm) é a plataforma online que permite aos consumidores escolherem os produtos que querem adquirir, aos produtores indicar os produtos que têm em stock ou em cultivo, e aos organizadores gerir toda a logística associada à recolha os produtos, distribuição entre as múltiplas encomendas e posterior entrega.

 

Mas por detrás desta simples descrição funcional estão detalhes muito importantes e que são de facto a alma do projecto. A plataforma permite aos produtores e consumidores partilharem o risco na produção. Permite dar preferência aos produtores mais próximos dos consumidores, permite aos produtores calcularem com muito mais fiabilidade os verdadeiros custos de produção, entre muitas outras características, explica este responsável.

 

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Assim, por exemplo, os produtores são totalmente livres de colocar os preços que desejarem nos produtos que desejam vender na plataforma, mas esta apresenta de imediato os preços de outros produtores na mesma região permitindo que comparem os seus preços com muita facilidade.

 

Nesta plataforma, os papéis dos produtroes e dos consumidores são claros. Mas e quem são afinal os organizadores? «O papel de organizador é fundamental no projecto ADELAIDE», explica Luís Miguel Campos. Os organizadores são a peça que liga os produtores aos consumidores. Podem ser eles próprios produtores ou outras entidades ligadas à agricultura. Estes verdadeiros embaixadores locais, com a ajuda da plataforma, gerem o processo de encomenda, distribuição e entrega entre produtores e consumidores. Desta forma, os consumidores têm acesso a produtos de diversos locais do país que lhes são entregues em pontos selecionados, os chamados pontos de entrega.

 

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O projeto tem em vista a resolução de dois problemas fundamentais, partilha Hugo Martinho, responsável pelo Marketing e Comunicação da MyFarm: «O abandono rural, responsável por graves problemas ambientais, sociais e económicos, e a falta de confiança do consumidor nos produtos agrícolas que consome. Ao ligar a pequena produção rural diretamente aos consumidores, estamos a levar qualidade à mesa, a diminuir a pegada ecológica da agricultura (a pequena produção pratica uma agricultura sustentável) e a aumentar a rentabilidade dos pequenos produtores (eliminando intermediários) com preços justos quer para o consumidor, para o produtor e para o organizador».

 

Neste sentido, uma das premissas desta plataforma é a transparência, uma vez que os consumidores têm à sua disposição toda a informação acerca dos produtos que consomem, desde a sua origem  aos processos de produção. Por isso, todos os clientes da ADELAIDE, ao fazerem os seus pedidos na plataforma, «estão a fazer muito mais do que comprar produtos com uma qualidade excepcional. Estão a ajudar os pequenos produtores do país a terem um rendimento condigno. A impedir a desertificação do território. A promover um modo de vida sustentável», explica Luis Miguel Campos.

 

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Assim, «se está interessado em fazer parte desta comunidade e quer ser um produtor ADELAIDE, basta preencher o formulário que se encontra no site na página ‘Quero ser Produtor’ ou contactar via e-mail. Saiba ainda que não é obrigado a escoar toda a produção que tem através da plataforma ADELAIDE. Pode colocar apenas os produtos que entender na  plataforma e continuar a vender o restante da produção de outras formas mais tradicionais (mercados, etc)», desafia o gestor da plataforma.

 

Atualmente, a ADELAIDE atua nas regiões do Algarve, Alto Alentejo,  Baixo Alentejo e  Ribatejo. Com  o apoio de diversos investidores sociais e do programa AlentejoXXI, a equipa espera que 2019 seja o ano de consolidação do projecto em Portugal e da partilha da plataforma em outros países que já mostraram interesse na experiência que está a ser desenvolvida em Portugal. A plataforma foi lançada pela empresa social MyFarm, em parceria com a software house PDM&FC, com a GuessWhat e com o Instituto Politécnico de Beja.

 

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