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Acreditas na divisão mente-corpo?

Contaram-me esta mentira: corpo e mente estão separados. A ti também? Sabias que tens, na verdade, três cérebros? Partilho aqui mais uma das minhas 39 grandes aprendizagens!

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Ao crescer fui ouvindo, ou lendo, “isso são coisas da tua cabeça”, “guia-te pela tua própria cabeça”, ou “isso da intuição não está provado” (para usar palavras simpáticas). Isto apesar da velha expressão gut feeling – em tradução direta: sensação dos intestinos. E apesar das descobertas da neurociência, ou de outras áreas, sobre o corpo humano nas últimas três décadas.

 

A frase de Descartes “Penso, logo existo”, propagada há quase 400 anos, condicionou muitas vidas. A frase foi sendo passada de geração em geração como a primazia da mente sobre o corpo. Como se a mente é que desse existência a uma pessoa. Como se fosse impossível uma pessoa existir sem mente.

 

Ao dar primazia ao raciocínio lógico sobre tudo o resto, especialmente sobre os processos no resto do corpo, pensou-se que o cérebro controlaria tudo no corpo e que seria mais importante que o resto do corpo. Talvez ainda atualmente leias ou ouças alguém a defender isso.

 

Além disso, é bom lembrar que Descartes pretendia mostrar a mais valia de adotar um pensamento crítico independente – apesar do enviesamento racional que daí resultou. Além disso; é útil saber que o que Descartes quis mostrar, especificamente, foi a impossibilidade de “duvidar da nossa existência enquanto estamos a duvidar”. Pois se estamos, conscientemente, a duvidar isso é um sinal da nossa existência. Existirão outros sinais e vamos deixar também fora deste texto o paradoxo do Gato de Schröndiger. Adiante.

 

Somos um todo

O corpo é um sistema complexo, cheio de interligações que conectam os diferentes membros do sistema, numa relação simbiótica, para nos proporcionar esta fascinante, e subjetiva, experiência humana nesta vida.

 

Descobertas nas últimas décadas sobre este sistema humano, sejam científicas ou ainda por “cientificar” (isto é, a ciência ainda não encontrou forma de demonstrar algo), permitem-nos hoje saber que:

 

1 – Existem ligações que interconectam diferentes áreas do corpo, dentro do cérebro que temos na cabeça e… entre os três cérebros que temos!

2 – É que, sim…. temos mais dois cérebros além do que conhecíamos na cabeça!

 

Temos também um cérebro nos intestinos. E… um cérebro no coração! Ah pois é.

 

Para serem considerados cérebros têm de possuir os seus próprios sistemas nervosos intrínsecos, neurónios e uma “vasta gama de capacidades que permitem fazer complexos processos adaptativos. Eles podem receber informação, processá-la, guardá-la, mudar e adaptar. Basicamente, se pode aprender é um cérebro”.

 

É certo que algumas pessoas da comunidade científica duvidam destas “novas” descobertas. É seu direito e percebo. Atendendo a que acreditam no que foram ensinadas; e, a que veem e criam o mundo de acordo com o seu mapa interno. Mas “pesquisas têm demonstrado que o coração comunica com o cérebro [na cabeça] de várias formas e age independentemente deste”, entre outras validações. Para mim, as evidências são cada vez mais sólidas e abundantes. Imagino que algumas pessoas mais românticas ou atentas “ao que o coração lhes diz” estão agora a pensar “Eu sabia!…” ou “Eu bem disse!”.

 

Depois sabemos já mais sobre a existência da memória celular; de neuromuscular lock (como designado no trabalho de trance generativo. Ver por exemplo aqui); e a importância do Nervo Vagal e o trabalho que tem vindo a ser feito na Abordagem Polivagal (prefiro chamar abordagem e não teoria pois, pelo que vou aprendendo, é algo bem prático).

 

Temos ligações, em ambos sentidos, entre os três cérebros: cabeça, intestinos e coração (nota: deste com os intestinos não me recordo de ter lido). Temos informação e memórias a serem guardadas no corpo todo. Temos ligações nervosas a captarem e processarem informação, criando/adaptando algo a partir desse processamento. Temos sinapses (ligações de neurónios) espalhadas pelo corpo, particularmente concentradas na cabeça, intestinos e coração.

 

E algumas pessoas ainda pensam que os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos vêm “só” da cabeça. E que a mente existe a partir desta. Pois: “Uma crescente quantidade de evidências sugere que a mente é um sofisticado software que vai além das limitações físicas nos nossos crânios”.

 

A minha grande aprendizagem? “Isto está tudo ligado”. Aqui no corpo está tudo ligado. E a partir de tudo isto emana a mente, acredito. O meu desafio e convite: cuida melhor do teu coração, dos teus intestinos, de todo o teu sistema.

 

Mas não confies só no que escrevo. Pesquisa, lê, vê vídeos, e(!) experimenta. Põe em prática. Faz sessões com diferentes especialistas. Desde nutricionistas/fisiologistas funcionais, terapeutas “polivagal”, coachs que trabalham somaticamente com o corpo como um sistema – seja numa sala seja em movimento ao ar livre, ou outros profissionais que realmente sabem do assunto.

 

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