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Abortos de repetição: algumas causas e anomalias

O aborto de repetição é definido quando acontecem três abortos consecutivos. Saiba mais sobre anomalias endócrinas, defeitos da fase lútea, problemas imunológicos, entre outras possíveis causas.

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Anomalias endócrinas

Os distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, em particular a hipersecreção da hormona Luteinizante (LH), podem aumentar o risco de abortos esporádicos e recorrentes. Outras alterações endócrinas podem levar à infertilidade e perda de gravidez, embora não pareçam causar aborto de repetição (AR), são os casos da diabetes mellitus controlada e do hipotiroidismo. Contudo parece que distúrbios auto-imunes da tiróide podem estar associados a AR e a presença de autoanticorpos para a esta glândula tem maior prevalência em mulheres com aborto recorrente (20-25%) em comparação às gestantes normais (15-20%).

 

Recomenda-se o tratamento com levotiroxina quando a TSH está acima de 2,5 mlU/l. No decurso da gravidez há uma sobrecarga da glândula tiroideia, assim é aconselhável que as mulheres com hipotiroidismo em tratamento tenham os valores da TSH abaixo de 2,5 mlU/l. O hipotiroidismo subclínico, quando associado a autoanticorpos, deve sempre ser tratado.

 

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As mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos parecem ter um risco aumentado de aborto, que anteriormente foi associado com hipersecreção de LH, mas actualmente parece mais provável ser devido aos efeitos da obesidade, resistência à insulina e hiperinsulinémia e aos efeitos sobre o endométrio. Estudos recentes demonstraram que não existe benefício na utilização da metformina na prevenção do aborto na mulher com ovário poliquístico, contrariando os resultados de estudos iniciais.

 

A hiperprolactinémia pode estar associada a aborto de repetição por alterar o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, resultando em alteração no desenvolvimento dos folículos ováricos, maturação ovocitária e insuficiência lútea. O doseamento da prolactina e a normalização dos níveis desta hormona quando elevados pode melhorar os resultados numa próxima gravidez.

 

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Defeitos da fase lútea

As opiniões dos especialistas sobre o papel de uma fase lútea deficitária na infertilidade e no aborto variam um pouco. Assim há quem pense que uma fase lútea deficiente é um reflexo duma função folicular inadequada e duma ovulação de “má qualidade”.

 

As concentrações hormonais nesta fase não se correlacionam com o risco de aborto e a deficiência lútea não parece ser um fenómeno frequente e usual, portanto é improvável que cause aborto recorrente. Alguns estudos parecem indicar que a suplementação de progesterona não diminui o risco de aborto espontâneo isolado, mas em pacientes com aborto de repetição parece haver indícios da vantagem da sua utilização no primeiro trimestre da gravidez, sendo usualmente feita com progesterona 200 mg via vaginal de uma a três vezes ao dia.

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