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A saudade e o impacto nos emigrantes

Por vezes, a saudade pode ser de tal forma profunda que leva à síndrome de Ulisses, uma alusão a Ulisses que no regresso a casa teve de enfrentar a solidão, o medo e a tristeza ao naufragar e ficar preso durante anos numa ilha.

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Palavra tão pequena, mas de tão grande sentido. Sem tradução noutros idiomas, assume um significado diferente para cada pessoa, o que me leva a dizer que teremos quase tantas definições quanto pessoas. A saudade é uma experiência universal, que se refere a sentir falta de algo ou alguém. Sentimos saudades de pessoas, de imóveis, de móveis, de objetos, de gostos, de sabores.

 

Em regra, é uma experiência natural e faz parte do ciclo de vida do ser humano, no entanto pode transformar-se em algo patológico quando não se aceita a realidade atual e se permanece no passado. Não esqueçamos que a saudade é uma experiência de memória, “têm-se saudade de algo que se vivenciou, esteve ou teve”. A saudade assume um maior impacto no caso dos emigrantes. Por vontade própria, ou buscando a concretização de um sonho de um futuro inexistente abandonam o seu país, a sua família, as suas raízes.

 

Tal como diz a música, “a vida avança e não espera pela gente, sendo o processo doloroso para os que partem, mas também para os que ficam. Para os que ficam, a saudade é muita, inevitavelmente os familiares nunca partem, afinal o coração não reconhece o passaporte. Para os que vão a “placa Portugal” ou a felicidade de ouvir alguém falar português enche o coração, pois como também diz outra música, “quero voltar para os braços da minha mãe”.

 

Em regra, há dez coisas que estes emigrantes têm mais saudades, a família, o sol de Portugal, jantar ao ar livre, os bailes da aldeia, as festas populares, a praia, a comida, a cerveja, as aldeias e por último aquele que provavelmente todos nós mais sentimos saudades aquando de uma viagem de lazer ou negócios, o café.

 

No entanto, por vezes a saudade pode ser de tal forma profunda que leva à síndrome de Ulisses, uma alusão a Ulisses que no regresso a casa teve de enfrentar a solidão, o medo e a tristeza ao naufragar e ficar preso durante anos numa ilha. Esta síndrome pode definir-se pelo conjunto de sintomas depressivos, de ansiedade e stress causados exclusivamente pela emigração.  Basicamente a pessoa, vive em constante nervosismo, estado de irritabilidade e “sente-se perdida”, incapaz de se adaptar à nova realidade. Não sobrevive, vive acreditando que tudo é mau, no seu país tudo é melhor e não dão sequer oportunidade a uma possível adaptação e “paixão” pelo novo país.

 

Para que tal não ocorra deixo algumas dicas:

1- Permita-se ter saudades, mas siga em frente. Dê uma oportunidade ao novo país e comece a criar rotinas. As rotinas securizam e permitem criar laços.

2 – Procure lugares familiares. Todos nós temos lugares que nos tranquilizam, ou pelas pessoas, contexto ou até mesmo pelo lugar em si. No novo país procure esses lugares, interaja com as pessoas, crie novas raízes.

3 – Combata o aborrecimento e evite não ter nada útil para fazer. Este aborrecimento em regra gera pensamentos negativos, ocupe-se.

4 – Viva uma vida real, em vez de uma “e-vida” através das redes sociais. Conheça pessoas reais, partilhe experiências, integre-se na comunidade onde se insere.

5 – “Abuse” das novas tecnologias para fomentar o contatos com os seus familiares, mas não faça disso o seu estilo de vida. Permita-se ter uma nova vida. Os familiares continuam a ter o seu espaço e a sua importância.

6 – Aceite que nada é permanente salvo a mudança. Adapte-se de forma gradual à sua nova realidade, lembre-se “Roma e Pavia, não se fizeram num dia”. Faça cedências, experimente novas formas de fazer as coisas ou eventualmente crie novos hábitos. A vida é sua, transforme-a e viva-a.

7 – Divirta-se com esta nova etapa da sua vida. Sem sentimentos de culpa, usufrua do prazer da descoberta. Desperte em si o lado de criança e com os olhos desta veja o novo país.

Em suma, permita-se ser feliz. Pense nisso!

 

P.S- Agora que está muito próximo o Natal, se não tiver possibilidade de visitar a família e estar com os seus porque está fora, não deixe que isso condicione a ter um Natal único. Sei que não será nunca a mesma coisa, mas esse é o ponto. Pode ser um Natal diferente e muito interessante. Permita-se conhecer a forma como o país onde está comemora o Natal e entre nesse espírito. Quem sabe não fica surpreendido.

 

Aproveite também para interagir socialmente com vizinhos e os que o rodeiam, vai estar ocupado mentalmente e isso ajuda a lidar de forma mais tranquila com a saudade. Aceite que vai ter saudades dos seus, das tradições, dos cheiros, das comidas e recorrendo às novas tecnologias viva também um pouco de tudo isso. Viverá de forma diferente, mas estará presente ainda que por minutos. Faça com que esses minutos lhe confiram energia e motivação para que também o seu natal seja especial.

Aceite o desafio!

 

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