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A (nova) relação entre pais e filhos

Numa altura em que a dinâmica familiar tem sofridos muitas alterações, falamos com a psicóloga Catarina Lucas sobre a educação e valores que os pais transmitem aos filhos.

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A alteração da noção de hierarquia familiar e o alargamentos de tipos de família, com o aumento de divórcios e famílias monoparentais, são apenas algumas das explicações sociológicas para o fenómeno da alteração na relação entre pais e filhos. Na verdade, fenómenos sociológicos mais profundos estão na raiz desta questão, como explica a psicóloga Catarina Lucas, especialista nas questões familiares: «Uma das hipóteses para tal mudança pode residir no facto de os pais quererem ‘cortar’ com estilos educativos autoritários de que muitos pais atuais foram vítimas. Era comum, há alguns anos, em Portugal, um estilo parental mais autoritário e agressivo. Neste sentido, a necessidade de distanciamento destes estilos educativos pode ter levado os pais ao exagero, esquecendo-se que existiam regras básicas que deveriam ter sido mantidas, nomeadamente o respeito pelos demais».

 

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A psicóloga refere-se ao facto de a permissividade exagerada dos pais poder revelar consequências maléficas no desenvolvimento da personalidade da criança, que ‘precisa de regras’ para compreender que, ao longo da vida, estará sempre sujeita ao cumprimento de normas e à frustração dos muitos ‘nãos’ que irá ouvir. «A vida é feita de obstáculos e a permissividade dos pais em nada ajuda as crianças a prepararem-se para esta realidade. Pelo contrário, com este estilo parental estão indiretamente a dizer-lhes que podem ter tudo sem precisarem esforçar-se, que podem fazer tudo aquilo que querem sem restrições. Além disto, deixam de reconhecer os pais e outras pessoas como figuras de autoridade, com legitimidade para impor regras e limites. Equiparam-se a estas nas tomadas de decisões, sendo que, comummente os pais se esquecem de exercer a legitimidade que lhes assiste para decidir e em última instância impor, uma vez que são os decisores, as figuras de autoridade», explica a psicóloga.

 

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Assim, deixar para as crianças o papel de decisoras no seio da família é um erro que, inevitavelmente, custará aos pais e à própria criança. Os pais perdem o poder «no momento em que se esquecem que o seu papel é serem pais e educadores para passarem a ser amigos».  A psicóloga defende que esta ideia contemporânea de que os pais devem ser, antes de mais, amigos dos filhos não faz sentido: «A questão é que amigos e pais têm funções diferentes e, se um pai e uma mãe não assumirem essa função de educador, quem o fará?” Assim, a via para os pais manterem o controlo da educação dos filhos e, assim, garantirem que estes os vêem como uma figura de autoridade é não se deixarem equipar aos filhos: «Por muito próximos que queiram (e devem) ser, não se podem esquecer de que estão num patamar diferente do filho, o patamar dos pais, aqueles que impõem regras».

 

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Por outro lado, a história mostra-nos que a anterior geração não teve a mesma facilidade no acesso a bens de conforto e, por esta razão, os pais querem que os seus filhos não passem pelas mesmas necessidades, acabando por errar: «Caindo no exagero do consumismo e da fácil obtenção das coisas sem necessidade de esforço, transmite-se assim às crianças a ideia de que não é necessário lutar para alcançar as coisas».

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