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A prisão do amor

Homens e mulheres precisam de entender que a dor da perda ou do abandono deve ser sentida, mas não eternamente.

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Dos livros que li sobre o amor, acho que o mais triste se chama “Do Amor e Outros Demónios”, de Gabriel García Márquez. A primeira vez que o li tive a sensação de que a minha vida, assim como a de Siervia Maria, seria destruída pela esperança de um romance idealizado. Até hoje não entendo a tal relação, mas de uma coisa tenho a certeza: Sierva Maria ainda continua em mim. Pela intensidade, pela força, pelo romantismo, pela vontade de acreditar.

 

A personagem, presa por estar possuída por algum espírito demoníaco, apaixona-se pelo padre que seria o seu exorcista. Ela esperava pela salvação e por viver esse amor. Eu esperava por alguém que nunca veio. A narrativa, as palavras, naquela época da leitura, reafirmaram a minha sensação de melancolia. Queria salvar Siervia Maria, queria ter sido, por um momento, ela, somente para ter tido o amor correspondido.

 

Voltei a ler o livro oito anos depois. Foi diferente, foi desanimador! Não porque perdi o desejo de ser Siervia Maria, mas pela constatação de que esquecer, qualquer coisa, é a nossa salvação. Não existe nada mais pulsante nesta vida do que a capacidade de deixar o tempo levar os nossos sentimentos. Na verdade, é necessário deixar fluir. Muitas vezes, alguém me diz que está a precisar de um namorado ou de casar, mas, ainda assim, não se consegue desevencilhar do passado. Há muita gente encalhada por conta disso. O PASSADO.

 

Homens e mulheres precisam de entender que a dor da perda ou do abandono deve ser sentida, mas não eternamente. Siervia Maria esperava por Caytano porque não tinha outra opção. Estava encarcerada e a sua escolha não dependia do destino. Nós não. Temos a oportunidade de sermos responsáveis pelas nossas escolhas, mas ainda assim preferimos recolher-nos nas prisões mentais, ao que foi e nunca será verdadeiramente real. As nossas relações são como uma viagem de comboio, onde iremos encontrar passageiros interessantes que seguirão connosco nessa viagem até descer na próxima estação. Outros vão continuar até que se sintam prontos para partir. É assim. Sempre. A arte do encontro e desencontro, como dizia o poeta. Devemos pensar que também já fomos passagem breve na vida de alguém, e que, logicamente, já fomos esquecidos. Esse é o ciclo do mundo pós-moderno. O que temos que varrer é o lixo sentimental do passado e entender que o desapego é a chave para as novas aventuras!

 

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