Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»A preservação da fertilidade feminina: da idade aos tratamentos

A preservação da fertilidade feminina: da idade aos tratamentos

Estima-se que uma mulher tem oportunidade de ovular e engravidar cerca de 400 vezes. A idade é, por isso, o fator predominante para o sucesso da gravidez. Estamos na Semana Europeia da Fertilidade.

Pinterest Google+
PUB

A capacidade reprodutiva da mulher é, em grande parte, ditada pela quantidade e qualidade dos ovócitos que existem nos seus ovários. A mulher nasce com todos os ovócitos que irá usar durante a sua vida reprodutiva e estima-se que uma mulher tem oportunidade de ovular e engravidar cerca de 400 vezes. A idade é, por isso, o fator predominante para o sucesso da gravidez, quer seja de uma forma natural, ou através de técnicas de procriação medicamente assistida.

 

A possibilidade de engravidar para uma mulher até aos 30-32 anos é de cerca de 20% por tentativa, e ao fim de um ano cerca de 80% dos casais conseguirão uma gravidez, se não existirem problemas. Este valor é satisfatório, mas não para os 15-20% dos casais que têm problemas em conseguir uma gravidez nesse período, sendo que muitos virão a necessitar de tratamentos de fertilidade.

 

VEJA TAMBÉM: OBESIDADE E FERTILIDADE: REPERCUSSÕES NA GRAVIDEZ

 

Para além da idade, existem situações que levam a uma diminuição acentuada dos ovócitos e obviam a uma gravidez. Várias doenças cancerígenas são tratadas agressivamente por drogas citotóxicas ou radiações, que acabam também por destruir os ovócitos e tornar a mulher infértil. Com a melhoria das taxas de cura de cancro em mulheres jovens e crianças, a perspetiva de uma gravidez futura é um fator muito positivo para as suas vidas. Também cirurgias aos ovários podem diminuir a possibilidade de gravidez.

 

As técnicas de fertilização in vitro e de congelamento de embriões auxiliam milhares de casais a terem filhos em todo o mundo. Uma das técnicas, chamada vitrificação, permite com sucesso criopreservar embriões, espermatozóides e ovócitos para uma utilização futura. Esta técnica pode ser usada nas doentes oncológicas antes de receberem o tratamento citotóxico.

 

A mesma técnica pode ser usada também para a preservação da fertilidade por motivos sociais. Mulheres jovens que pretendem adiar a gravidez por falta de parceiro ou por motivos profissionais, podem vitrificar os seus ovócitos para poderem ser utilizados posteriormente em fertilização in vitro, na eventualidade de não conseguirem engravidar naturalmente. É uma dádiva de si para si mesma.

 

Casal a olhar o por do sol

Se a vitrificação dos ovócitos antes de tratamentos cancerígeno é um procedimento aceitável, já a preservação dos ovócitos por motivos sociais tem tido uma divulgação mais lenta na maioria dos países, devido ao desconhecimento das técnicas e dos custos.

 

Os homens já têm a oportunidade de criopreservar espermatozóides há mais tempo, pois são mais fáceis de preservar do que os ovócitos. Mas o sucesso da sobrevivência dos ovócitos e o aumento das taxas de gravidez após o seu uso, permite que a vitrificação dos óvulos possa ser mais difundida. A técnica de vitrificação já é usada em muitas clinicas de fertilidade portuguesas para criopreservar ovócitos e embriões.

 

O melhor plano familiar continua a ser tentar engravidar naturalmente numa idade jovem, de preferência antes dos 33-35 anos. A fertilidade baixa muito com a idade da mulher, e não se podem esquecer também as causas masculinas de infertilidade. O mais importante continua a ser a educação da população e divulgar as vantagens de uma gravidez na idade jovem. Isso permite obter o número de filhos desejado ou então iniciar precocemente os tratamentos de fertilidade em caso de necessidade.

 

VEJA TAMBÉM: GRAVIDEZ DEPOIS DOS 40: O QUE DIZ UM GINECOLOGISTA

 

Preservação de ovócitos

Muitas das mulheres que procuram hoje em dia a preservação de ovócitos por motivos sociais já tem mais de 38 anos o que não é ideal para o seu sucesso. Idealmente, a criopreservação dos ovócitos deverá ser efetuada até aos 30-33 anos para permitir obter ovócitos de melhor qualidade e melhorar as taxas futuras de gravidez.

 

Para obter e vitrificar os ovócitos, a mulher necessita efetuar um tratamento hormonal e retirar os ovócitos através de uma punção dos ovários, técnica que é utilizada comumente nos tratamentos de fertilização in vitro e aos quais se associam alguns riscos, se bem que pequenos.

 

Muitas clinicas de fertilidade modernas oferecem consultas de check-up de fertilidade para mulheres ou casais que querem avaliar o seu potencial reprodutivo e saber das suas opções. A consulta do casal com um médico especialista, associado a exames complementares (ecografia vaginal e espermograma, essencialmente), permite despistar causas de infertilidade e permitir dar conselhos úteis.

 

Se tudo estiver bem, o casal pode continuar a tentativa para engravidar. Mas, se houver problemas, é mais eficaz o tratamento numa idade mais jovem. Durante este check-up de fertilidade, o casal pode obter informações sobre os métodos e taxas de sucesso dos tratamentos de reprodução medicamente assistida e também da possibilidade de criopreservação dos ovócitos para a sua utilização futura.

Em conclusão, a vitrificação e preservação dos ovócitos permitem ampliar o potencial reprodutivo de algumas mulheres e pode ajudar a dissociar a vida profissional dos planos familiares. No entanto, é importante discutir com um especialista as incertezas e limitações da técnica em relação ao momento ideal de se efetuar, ao seu sucesso, aos riscos e aos custos dos tratamentos. Mesmo com o avanço da medicina, nada melhor do que tentar uma gravidez em idade jovem e pelo método natural!

 

Boa sorte!

Texto elaborado com a colaboração do Prof. Cândido Tomás

Artigo anterior

Apenas um olhar desvenda se é amor ou desejo sexual

Próximo artigo

Alforreca gigante circula em exposição sobre reciclagem