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A obesidade e a pandemia da COVID-19

Na altura em que se assinala o Dia Nacional de Luta contra a Obesidade, a 23 de maio, Paula Freitas, médica e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, traça um retrato das implicações da Covid-19 nas pessoas com obesidade e dá algumas orientações a ter em conta.

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Esta reestruturação dos serviços de saúde foi realizada no sentido de preservar equipamentos de proteção individual, camas, ventiladores, e outro material para realocação em resposta à crise COVID-19.  Muitos procedimentos cirúrgicos, nomeadamente a cirurgia da obesidade, foram cancelados e as consultas regulares de rotina foram reduzidas, ou efetuadas por teleconsulta.

 

No entanto, a teleconsulta pode ser uma opção para ficar dado que pode permitir manter teleconsultas intercaladas com consultas presenciais no seguimento dos doentes com obesidade, monitorizar e avaliar mais frequentemente com o doente se está a atingir os objetivos definidos, se está a aderir às medidas instituídas na consulta prévia, monitorizar eventuais efeitos secundários de terapêutica farmacológica e até fortalecer a relação médico-doente.

 

Não podemos esquecer que a obesidade é uma doença crónica, persistente, grave, complexa e recorrente, e que é importante prestar atenção especial aos novos desafios colocados pela pandemia, para evitar consequências ainda maiores e encargos para os indivíduos, sistemas de saúde e sociedade em geral a curto, médio e longo prazo.

 

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Durante o período de confinamento, quarentena e isolamento poderão ter ocorrido “alterações do pensamento”, comportamentos desadaptados e distorção cognitiva, que aumentarão o sofrimento psicossocial de várias formas, influenciado pela duração do confinamento, disponibilidade de informações a todo o momento sobre a infeção COVID-19, instalação de medo da infeção, maior isolamento social e familiar, diminuição  na disponibilidade de alimentos pelos problemas económicos e financeiros agravados pela redução dos vencimentos ou desemprego, e ainda mais e maiores problemas de estigmatização da pessoa com obesidade.

 

No entanto, existem várias estratégias que podem ajudar a reduzir o impacto desses fatores geradores de stress. Nesse contexto, fornecer informações detalhadas e credíveis sobre a infeção, o suporte clínico remoto com recurso à teleconsulta, contacto virtual com familiares e amigos para aumentar, apoiar  e melhorar a proximidade emocional, manter  atividades e diversões (por exemplo, livros, jogos, hobbies e atividade física mesmo dentro de casa,  acesso à Internet) e apelar ao altruísmo dos amigos e conhecidos para  reduzir a sensação de isolamento podem ter sido e poderão continuar a ser estratégias úteis.

 

Agora que estamos na fase de desconfinamento há que o fazer de acordo com as regras de segurança e proteção individual e coletiva, refletir sobre o que aconteceu nos últimos meses e tirar lições para o futuro. Modificar a nossa vida, que faz sentido ser vivida de uma forma plena, com estilos de vida saudáveis em termos alimentares, de atividade física e da higiene do sono, e tentar minimizar o stress psicológico. E elenco algumas dicas que poderão ser úteis.

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Não descurar a hidratação – As pessoas com obesidade devem manter-se bem hidratadas, bebendo sobretudo água e evitando a ingestão de bebidas alcoólicas e açucaradas, que além de muito calóricas podem contribuir para a desidratação.

 

Manter uma alimentação saudável – O tempo passado em casa pode ter convidado a refeições mais demoradas ou a snacks mais frequentes. É importante que as pessoas com obesidade continuem a seguir os conselhos dos seus médicos e nutricionistas assistentes e optem por uma alimentação saudável e equilibrada e não hipercalórica e enraízem esses hábitos para sempre.

 

Praticar exercício físico – O tempo de confinamento pode ter sido sinónimo de inatividade. É importante agora manter ou iniciar um programa de exercício físico. Não precisa de ser complexo. Coisas simples como descer e subir escadas quando se vai levar o lixo ou levantar-se para mudar o canal de televisão podem ser o primeiro passo para dias mais ativos, ver e replicar exemplos de exercício físico disponíveis em vídeos.

 

Além das medidas de distanciamento social, higiene respiratória e das mãos, este período de desconfinamento pode ser uma oportunidade para evitar o sedentarismo prolongado e a má prática alimentar associados ao stress emocional e a um padrão alimentar psicopatológico, e começar a evitar comer emocionalmente. Pode ainda ser uma oportunidade para otimizar os ciclos de sono.

 

As pessoas com obesidade poderão encarar este período de desconfinamento como uma oportunidade para iniciar uma mudança para todo o sempre, como uma nova etapa, com o início de adoção de medidas de estilo de vida saudáveis, com técnicas culinárias saudáveis, e início de atividade física quer nas tarefas domésticas, quer algo mais estruturado. Sugiro uma visita ao site da SPEO e descarregar o “Manual para a Pessoa com Obesidade e Pré-Obesidade” onde podem encontrar dicas sobre alimentação, atividade física e do foro da Psicologia.

 

Por Paula Freitas

Presidente da SPEO – Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade

 

 

 

 

 

 

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