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A nova geração de famílias portuguesas

Por altura do Dia Internacional da Família, celebrado a 15 de maio, falamos com jovens famílias portuguesas para compreender os desafios e sonhos da nova geração de pais

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Em 50 anos, a média de filhos por casal em Portugal passou de 3,2 para 1,2 e a tendência do gráfico é negativa. Por opção ou por falta de recursos, muitos casais abdicam do desejo de constituir uma família numerosa e, nalguns casos, deixam mesmo de lado a possibilidade de terem filhos.

Desde 1994, o mundo celebra a ideia de família no dia 15 de maio, uma data escolhida pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. A data pretende relembrar a importância da família na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil, chamando a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para os direitos e responsabilidades desta.

Mais do que números e estatísticas, importa conhecer os sonhos e expetativas dos jovens casais portugueses que, contrariando a tendência, abraçam o sonho de constituir uma família. Marta e Emanuel, de 30 e 31 anos respetivamente, são pais de Beatriz há dois. O jovem casal natural da Póvoa do Varzim considera importante que a filha saiba que «a família é o nosso porto de abrigo e as nossas raízes são a base da pessoa que somos». Preocupam-se em proporcionar a Beatriz «experiências que a preparem para a vida, transmitindo-lhe ao mesmo tempo a importância das raízes». Quanto ao futuro, desafiam a estatística e querem ter pelo menos mais um filho: «Achamos muito mais rica uma família grande. Para nós, pais, será mais uma importante peça do nosso projeto familiar, e acreditamos que para a Beatriz um irmão será o amigo para a vida.»

Mafalda Vinha e Marco Alves, ambos de 31 anos e pais de Leonor, de dois anos, partilham deste desejo de aumentar a família. Entretanto, focam-se em «garantir que nada lhe falte, inclusive tempo para estar com ela e para que se sinta amada.»

Já Patrícia Sacoto e Rui Morgado, de Lisboa e com 35 anos, não pensam aumentar a família depois de serem pais de gémeos há apenas um mês. «Queremos dar tempo de qualidade aos nossos filhos, além de que ter filhos é muito dispendioso uma vez que há pouco apoio no que concerne a creches e escolas públicas».

O desafio profissional
Patrícia destaca ainda que «conciliar o emprego com a família» é um dos maiores desafios do casal. Ainda, «a pressão feita aos pais para ficarem o mínimo de tempo fora do escritório, levando a mãe a ficar desde muito cedo sozinha em casa com um bebé, no meu caso dois, que requerem muita atenção.»

Mais a norte do país, o casal de Paredes Patrícia e Abílio, de 31 anos, sente a mesma dificuldade: «O desafio maior é conciliar a vida profissional com a familiar. Os filhos exigem sobretudo tempo, que é cada vez mais difícil conseguir. Queremos ser os melhores pais mas, ao mesmo tempo, queremos continuar a ser bons filhos, profissionais, amigos e conjugues».  Ainda assim, o casal quer dar um irmão a Salvador, de quatro meses: «Para nós, família inclui mais do que um filho, é mesmo a nossa representação de família que nos incentiva a ter um segundo. E, claro, apesar das exigências, os filhos também são fonte de felicidade e gostaríamos de ter mais do que um».

Gisela, de 32 anos e Alexandre, de 36, são pais do pequeno Tiago, que recentemente celebrou o terceiro aniversário. A mãe, uma lisboeta a residir no Porto, explica que é um desejo aumentar a família mas «o trabalho precário e a falta de incentivos sociais» não facilitam esta decisão.

O conceito de família

Gisela explica ainda que, mais do que tudo, o casal pretende passar a Tiago «os valores que os nossos avós e pais nos passaram: a valor da família, disciplina e respeito pelos outros». Também Patrícia e Abílio destacam a importância das crianças apreenderem «os valores de família, solidariedade e amor e ainda o respeito pelas tradições».

A bracarense Marta Ferreira é marinheira de primeira viagem no assunto da maternidade. A jovem de 31 anos está à espera da chegada da bebé Margarida, o que deve acontecer no próximo mês. O casal tem vivido a gravidez em pleno apesar das preocupações normais. Marta explica que, prestes a ser mãe, valoriza mais o esforço dos próprios pais pois compreender melhor o desafio que é educar uma criança: «Vou tentar passar-lhe toda a base de princípios e valores que os meus pais me deram, tentando adaptá-los ao contexto social em que vivemos. É um peso enorme a responsabilidade de saber que vem aí um ser inocente, totalmente dependente de nós para toda a vida. Espero poder cumprir esta missão da melhor forma».

Por Joana de Sousa Costa

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