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A nossa alimentação está a mudar

Não só porque há variadíssimas correntes às quais os consumidores podem aderir, como há novos alimentos a entrar na alimentação humana.

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Nunca a alimentação humana mudou tanto e em tão pouco tempo como nas últimas décadas, com as já conhecidas consequências para a saúde. Se os alimentos processados e a fast-food vieram revolucionar a forma como a humanidade se alimenta de há umas décadas a esta parte, podemos dizer que assistimos agora a uma outra revolução, desta feita, desfragmentada em múltiplas escolhas e correntes alimentares. E a isto não é alheio o facto de nos termos tornado numa autêntica aldeia global. A ela se deve isso mesmo.

 

Hoje temos informação disponível sobre tudo e mais alguma coisa. Sabemos que, afinal, os processados, a fast-food, o excesso de carne, o excesso de açúcar e de sal fazem mal à saúde. Sabemos que nos temos andado a alimentar mal e que agora estamos a pagar a fatura, com uma humanidade com muitos problemas de obesidade,  doenças cardiovasculares e cancro. E a alimentação é o elo comum que atravessa todas estas maleitas. Hoje sabemos isto.

 

Não é, portanto, de estranhar que surja na sociedade a vontade de virar a agulha. A opção por uma alimentação saudável está a crescer a olhos vistos, e ainda bem. São muitas as ‘novas’ opções alimentares que cada um, consoante as suas convicções, acolhe para si. Vegana, vegetariana, dieta sem glúten, alimentação biológica, dieta sem lactose, alimentação paleolítica, sem hidratos de carbono, alimentos funcionais… há muitas linhas a seguir, com prós e contras, com defensores e críticos, com especialistas a apoiar ou a criticar. E com estudos a favor e contra. Cabe a cada um estar bem informado e saber fazer escolhas com consciência, de acordo com a linha que quer seguir.

 

Mas a ‘revolução’ não se fica  por aqui. Não se trata só de suprimir ou privilegiar determinados produtos, para este ou aquele fim. Há novos ingredientes a entrar na nossa alimentação, nomeadamente os insetos. Sim, leu bem. Os insetos fazem parte da alimentação de populações em África ou Ásia, mas não da Europa (à exceção dos caracois). Até agora.

 

A grande pressão que a indústria pecuária está a exercer sobre o planeta, bem como o aumento da população, estão a fazer ruir um sistema alimentacional instalado nas últimas décadas. Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, é necessário encontrar substitutos plausíveis às proteínas animais e uma forma de agricultura mais sustentável. Segundo esta organização, em 2050, a população mundial deverá aumentar para os nove mil milhões de pessoas, forçando a um aumento na produção de alimentos, resultando tal numa pressão ainda maior sobre o meio ambiente.  Preve-se, então, escassez de recursos agrícolas, hídricos, florestais, pesqueiros e de biodiversidade, assim como de nutrientes e de recursos não renováveis.

 

E eis que surgem os insetos como solução. Até porque, consta, fazem muito bem à saúde. «As principais vantagens deste novo alimento são o facto de a sua produção contribuir de forma mais sustentável e económica para a obtenção de energia, macronutrientes, como proteína de alto valor biológico e como ácidos gordos essenciais, e micronutrientes, como o ferro e o cobre, o que poderá contribuir para redução da fome ao nível mundial. Contudo, Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) emitiu, em 2015, um parecer que torna claro que é necessário haver mais estudos para a avaliação dos riscos associados ao consumo humano de insetos», conta Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, num artigo recentemente publicado pela MOOD.

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