Home»ATUALIDADE»ENTREVISTAS»«A moda portuguesa está a ganhar notoriedade internacional»

«A moda portuguesa está a ganhar notoriedade internacional»

Para além da edição nacional, que decorre em Lisboa e no Porto, o Portugal Fashion chega já a Londres, Paris e agora Milão. Um caminho trilhado para levar a moda portuguesa além-fronteiras, ao mesmo tempo que se expande entre portas. No arranque de mais uma edição nacional, João Rafael Koehler, presidente da ANJE, revela-nos o estado da moda portuguesa.

Pinterest Google+
PUB

Este ano, o Portugal Fashion estreou-se pela primeira vez na Semana de Moda de Milão e estabeleceu uma parceria com a Sport Zone para criarem uma linha de desporto com assinatura de designers nacionais. Diversificar a atividade é a aposta do Portugal Fashion?

Naturalmente que sim. Ao longo dos seus 20 anos de história, o Portugal Fashion procurou sempre inovar e reinventar-se ao nível da estratégia institucional, do posicionamento no circuito internacional da moda, do modelo organizativo dos desfiles e do conceito estético de cada edição.

 

Com estes propósitos, procuramos marcar presença nos grandes eventos de moda internacionais e em showrooms em mercados com interesse para o setor têxtil português. Depois dos desfiles em Milão, já podemos afirmar que participámos nas quatro maiores semanas de moda: Nova Iorque, Londres, Paris e agora a capital da Lombardia.

 

Acresce que o Portugal Fashion tem vindo a estabelecer acordos com empresas e instituições no sentido de melhor promover os criadores portugueses. De resto, um dos grandes propósitos do evento sempre foi, justamente, conciliar os interesses da indústria têxtil e dos criadores, de modo a que, por um lado, a produção nacional ganhe capacidade de diferenciação pelo design e, por outro, que os designers de moda possam produzir as suas coleções com qualidade, escala e preços competitivos. Ora, a parceria com a Sport Zone insere-se nesta dinâmica.

 

Como correu a prestação dos designers Miguel Vieira e Carlos Gil na estreia do Portugal Fashion na Semana de Moda de Milão?

No que aos desfiles diz respeito, correu muito bem. Assistiram aos desfiles agentes de compras internacionais, jornalistas especializados (nacionais e internacionais) e potenciais clientes, o que significa que as coleções foram observadas pelos diferentes públicos-alvo desta iniciativa promocional. E embora ainda seja cedo para avaliar o impacto que as criações de Miguel Vieira e Carlos Gil tiveram do ponto de vista comercial e mediático, é já possível afirmar que as primeiras impressões recolhidas no final dos desfiles são bastante positivas. A assistência ficou bem impressionada.

 

Quem escolhe os nomes para representar Portugal além-fronteiras, seja em Londres, Paris e agora Milão, e quais os critérios utilizados?

É a organização Portugal Fashion quem seleciona os criadores e marcas tendo em consideração a qualidade das suas coleções, a pertinência estética da sua apresentação no evento internacional em causa e a sua capacidade de penetração comercial no mercado correspondente. Ou seja, os criadores e marcas são escolhidos em função das características do evento, procurando-se compatibilizar a linguagem estética e o potencial comercial das coleções com a orientação de moda das passerelles onde vão desfilar.

 

Como é vista a moda portuguesa nessas capitais da moda?

A moda portuguesa está a ganhar notoriedade internacional, graças ao reconhecimento que alguns criadores e marcas têm obtido quer nas passerelles, quer em showrooms, quer no próprio mercado. As criações portuguesas são hoje vistas internacionalmente sem os preconceitos do passado e enquanto propostas credíveis de moda, passando para o exterior uma imagem de modernidade, originalidade, sofisticação e cosmopolitismo.

 

O que caracteriza genericamente a moda portuguesa? O que a distingue das demais?

Como quase tudo, a moda é também um fenómeno crescentemente global. Neste sentido, os criadores e marcas portugueses não podem deixar de desenvolver as suas atividades sob uma perspetiva globalizada, aberta ao mundo. Se assim não for, correm o risco de não serem competitivos ou de não terem notoriedade para lá das fronteiras do país.

 

Mas também é verdade que, como qualquer atividade criativa, a moda é sempre contaminada pelas circunstâncias locais, ou seja, pelo contexto sociocultural em que é produzida. Neste sentido, a moda portuguesa tem certamente elementos estéticos que a distinguem da moda concebida noutros países. Lembro, por exemplo, a influência que a azulejaria portuguesa e outros símbolos nacionais têm tido no trabalho de alguns criadores.

Artigo anterior

Parque norueguês organiza encontros com lobos

Próximo artigo

Dicionário das identidades sexuais