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A mecânica celeste

A astronomia é indispensável para a astrologia, para compreendermos os movimentos de rotação, de translação e da precessão dos equinócios, bem como as fases da lua, os eclipses, etc..

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Ter conhecimentos básicos sobre Astronomia é um requisito indispensável para qualquer astrólogo. É verdade que a existência de programas de computador e as várias ferramentas que existem na internet atualmente permitem com uma facilidade tremenda criar um mapa astrológico de um dado momento, quando antigamente era necessário um período de tempo considerável para o obter e que implicava a observação da esfera celeste. Hoje, pode-se interpretar mapas sem sequer espreitar uma noite estrelada.

 

Se é certo que isto implica um avanço extraordinário e a libertação do astrólogo e do seu tempo para o ato interpretativo propriamente dito, também é certo que um desconhecimento dos elementos astronómicos que servem de base para essas interpretações nos fazem igualmente menos astrólogos. A Astronomia é indispensável para a Astrologia, para compreendermos os movimentos de rotação, de translação e da precessão dos equinócios, bem como as fases da lua, os eclipses, a existência dos equinócios e solstícios, assim como a compreensão de pontos astrológicos que são fisicamente invisíveis como os Nodos Lunares, a Lilith ou a Roda da Fortuna, os Asteroides que são elementos interpretativos muito considerados pela esmagadora maioria dos astrólogos.

 

O primeiro ponto a salientar é que a Astrologia utiliza o modelo geocêntrico, ou seja, em que no mapa astrológico a Terra fica numa posição central. Este modelo é recorrente para a análise dos mapas pela simples razão que o que nos importa é a posição do nosso objeto de estudo, seja ele uma pessoa, a criação de uma parceria ou a inauguração de um edifício, todos os fenómenos devem, pois, ser contextualizados tendo a Terra como referência e, mais concretamente, o próprio individuo ou evento.

 

Precisamente, para um observador na Terra, o termo de Esfera Celeste, usado desde a antiguidade, continua a ter o seu sentido para o nosso estudo. Esta Esfera, que se caracteriza por ter um raio indeterminado cujo centro se encontra no centro da Terra, é onde estão inscritos todos os movimentos e fenómenos realizados pelos corpos celestes.

 

Há vários movimentos característicos que podemos observar no céu. Um deles é o caminho aparente efetuado pelo Sol. Obviamente, o Sol não executa qualquer movimento, apenas aparenta fazê-lo, sendo que o factor que provoca as alternâncias entre dia e noite é o movimento de rotação da Terra, em que esta dá uma volta completa em torno do seu próprio eixo, uma linha imaginária que atravessa e une o pólo norte ao pólo sul, num período de 24h. É nestas 24 horas que parece que o Sol gira em torno da Terra.

 

Outro movimento muito importante é o movimento de translação, que se define num período de 365 dias e 6 horas que leva a Terra a efetuar um movimento completo em torno do Sol. É este movimento que leva à origem das estações do ano em simultâneo com o facto de o eixo da Terra estar inclinado cerca de 23’27 graus (até à ultima referência divulgada). Essa obliquidade fará com que a incidência dos raios solares varie na relação que o percurso da Terra faz com o Sol.

 

A partir da Terra não percebemos que o planeta efetua estes movimentos, mas os povos antigos já tinham destacado a importância que o caminho aparente do Sol tinha para a Terra, nomeadamente por perceberem que este caminho ocorria, consecutivamente, sobre uma determinada faixa da Esfera Celeste, designada por Eclíptica. Esta linha da eclíptica estende-se depois em amplitude, formando a Faixa Zodiacal, que possuí cerca de 16º, isto é, ocupa 8 graus a Norte e 8 graus a Sul do Equador, que é uma linha imaginária que corta a Terra em duas partes idênticas, o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul. É na Faixa Zodiacal, que é o total da eclíptica, que nós encontraremos os signos e as constelações que compõem o esqueleto da Astrologia. É nessa faixa que poderemos igualmente observar quase a totalidade dos planetas do sistema solar no decurso de suas órbitas.

 

Nisto há uma importante distinção a ser feita acerca dos signos da Astrologia e que, regra geral, é sobejamente ignorada pela maior dos astrónomos. Na Astrologia existem duas grandes ramificações que foram dar origem a dois tipos de Astrologia que assentam em bases de operação diferentes, eles são o Zodíaco Tropical e o Zodíaco Sideral. No caso da Astrologia Ocidental adopta-se, em esmagadora maioria, o Zodíaco Tropical, sendo o Sideral mais representativo da Astrologia Védica.

 

Como se percebe, falar de signos e de constelações é falarmos de coisas distintas, tais como preferir usar o sistema zodiacal tropical ou o sistema zodiacal sideral. Quando se efetuam críticas à Astrologia Ocidental com base no facto de atualmente não se verificar uma correspondência entre as constelações zodiacais e os signos usados pelos astrólogos, não se está a fazer mais do que revelar ignorância, pelo desconhecimento que revela em perceber que a Astrologia Ocidental estabelece o seu Zodíaco a partir do momento, obtido através de um cálculo matemático, que indica o início da Primavera (0º de Carneiro), dividindo posteriormente a faixa zodiacal em 12 porções equivalentes de 30º. A mesma critica não deve ser levada a sério para a própria Astrologia Védica precisamente porque esta leva em consideração, na construção do seu sistema, o ponto de deslocação da precessão dos equinócios, sendo um facto que uma pessoa que nasça no signo de Capricórnio pela Astrologia Ocidental, seja pela Védica, do signo de Sagitário.

 

Fonte: Livro Ac-Acreditar ou Conhecer a Astrologia – Isabel Guimarães.

 

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