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A maioria das pessoas acha-se menos feliz do que os seus amigos

… e a culpa é das redes sociais, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Além da já estudada perceção errada da vida alheia, estas plataformas podem também promover a visão negativa dos utilizadores sobre a sua própria popularidade e felicidade.

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A maioria das pessoas nas redes sociais experimenta o chamado ‘paradoxo da amizade’, ou seja, elas consideram-se menos populares do que os seus amigos. Porém, a relação entre popularidade e felicidade é mal compreendida e o estudo realizado por cientistas informáticos da Universidade de Indiana descobriu que as pessoas com mais conexões nas redes sociais são também mais felizes. Complicado?

 

O estudo é, dizem os cientistas,  essencialmente o primeiro a fornecer evidências científicas para o sentimento que muitas pessoas experimentam quando entram em serviços como Facebook, Twitter ou Instagram: que todos parecem divertir-se mais do que nós.

 

Para os propósitos deste estudo, que utilizou dados públicos disponíveis do Twitter, os seguidores recíprocos foram definidos como “amigos” e os utilizadores com a maioria das conexões foram definidos como “populares”.

 

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«Esta análise contribui para uma crescente evidência de que as redes sociais podem prejudicar os utilizadores que abusam desses serviços, uma vez que é quase impossível escapar de comparações negativas com a popularidade e a felicidade dos seus amigos», disse o autor principal, Johan Bollen, que aconselha as pessoas a limitarem cuidadosamente o uso desses serviços. «Dada a magnitude da adoção das redes sociais em todo o mundo, entender a conexão entre o se uso e a felicidade pode lançar luz sobre questões que afetam o bem-estar de milhões de pessoas», acrescentou.

 

O estudo baseia-se no fenómeno conhecido como o ‘paradoxo de amizade’, que diz que a maioria das pessoas de uma rede social tem menos conexões em média do que os seus amigos, já que os utilizadores mais populares se cruzam com um número maior de círculos sociais. Este estudo, dizem, é o primeiro a revelar que esses utilizadores mais populares também são mais felizes em média, um efeito que os pesquisadores chamaram de ‘paradoxo de felicidade’.

 

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«Até onde sabemos, nunca foi demonstrado anteriormente que os utilizadores de redes sociais não são apenas menos populares do que os seus amigos em média, mas também menos felizes», disse Bollen. «Este estudo sugere que a felicidade está correlacionada com a popularidade, e também que a maioria das pessoas nas redes sociais não são tão felizes quanto os seus amigos devido a essa correlação entre amizade e popularidade».

 

Para realizar a análise, Bollen e os colegas selecionaram aleatoriamente 4,8 milhões de utilizadores do Twitter, depois analisaram o grupo para as pessoas que seguiam na rede, criando uma rede social de cerca de 102.000 utilizadores com 2,3 milhões de conexões. A equipa então estreitou o foco para indivíduos com 15 ou mais amigos na rede e analisaram o sentimento dos tweets desses utilizadores, um método comum em ciência da computação e marketing para avaliar se as postagens digitais são geralmente positivas ou negativas. Isso criou um grupo de 39.110 utilizadores do Twitter. Os utilizadores com maior sentimento positivo foram definidos como “felizes”.

 

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Uma análise estatística desse grupo final concluiu que 94,3% desses utilizadores tinham menos amigos em média do que os seus amigos. Significativamente, também descobriu que 58,5 por cento desses utilizadores não eram tão felizes quanto os amigos em média.

 

O estudo também descobriu que os utilizadores de redes sociais tendem a dividir-se em dois grupos: utilizadores mais felizes com amigos mais felizes e utilizadores infelizes com amigos infelizes. Surpreendentemente, os utilizadores mais infelizes ainda eram suscetíveis de serem menos felizes do que os seus amigos infelizes, sugerindo que eles são mais fortemente afetados pela infelicidade dos seus amigos.

 

«No geral, este estudo descobre que os utilizadores de redes sociais podem experimentar níveis mais altos de insatisfação social e infelicidade devido a uma comparação negativa entre a felicidade e a popularidade dos seus amigos», disse Bollen.

 

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