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«A incontinência urinária continua a ser uma epidemia escondida»

Em Portugal, as patologias cardiovasculares continuam a ser o principal problema de saúde das mulheres. Mas há outros, muito específicos da condição feminina, sobre os quais nunca é demais refletir. Como vai  a saúde das portuguesas? Questionámos a ginecologista/obstetra, Bercina Candoso, responsável pelo Centro de Uroginecologia e Pavimento Pélvico, do Centro Materno Infantil do Norte - Centro Hospitalar do Porto.

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Que impacto a incontinência urinária pode ter nas mulheres?

Quando não tratada, pode ser fator de isolamento, de baixa autoestima que, em último caso, leva a síndromes depressivos. São mulheres que deixam de conviver até com a própria família, de executar as suas tarefas diárias, que deixam de participar nos eventos sociais ou familiares, por medo de perderem e de cheirarem mal. Muitas vivem em função de ter uma casa de banho por perto. Não podemos também ignorar o facto de este problema poder interferir com o relacionamento do casal. Concluindo, é um problema que pode afetar os aspetos sociais, afetivos, laborais e económicos da mulher com este problema.

 

No leque dos cancros femininos (colo útero, ovários, mama…) quais os mais prevalentes em Portugal e porquê?

Sem dúvida, o mais prevalente é o cancro da mama, em seguida o do colo do útero e posteriormente o do ovário. Os fatores de risco apontados para o cancro da mama continuam a ser objecto de debate em todo o mundo. No entanto, sabe-se que a hereditariedade é um problema maior a ter em conta. Se a mãe, a irmã, uma tia, tiveram cancro da mama em idade jovem o risco aumenta. O consumo de álcool e de tabaco, a ausência de gravidezes e de amamentação, a menarca (1ª menstruação) precoce e menopausa tardia, a obesidade, a raça branca, o uso de THS (terapêutica hormonal de substituição) e ainda a idade também aumentam o risco. O risco de desenvolver cancro da mama vai aumentando conforme vamos envelhecendo, sendo raro antes dos 30 anos. Mais de 50% dos cancros da mama são diagnosticados em mulheres acima dos 65 anos de idade. Há estudos que apontam também para o sedentarismo, falta de atividade física como fator de risco.

 

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Quanto ao cancro do colo do útero, as evidências apoiam uma relação de causa-efeito entre alguns tipos de HPV (Papiloma Vírus Humano) e este tipo de carcinoma, tornando assim esta patologia numa doença sexualmente transmissível. As lesões precursoras de cancro do colo do útero são cada vez mais frequentes em idades precoces, por início de vida sexual mais cedo, mas também mais diagnosticadas, por maior esclarecimento da população feminina jovem que hoje em dia sabe que deve recorrer ao ginecologista ou ao seu médico de medicina geral e familiar para a realização de exames de despiste, após o início de vida sexual.

 

Como é do conhecimento de todos, estão já ao dispor das meninas, segundo o plano nacional de vacinação, vacinas que cobrem os vírus mais prevalentes no desenvolvimento de cancro do colo do útero. Essa vacinação é grátis entre os 12 e os 17 anos, disponibilizada nos centros de saúde. Para as jovens e mulheres até aos 45 anos de idade, que já não estão ao abrigo deste programa, a vacina está comparticipada e pode ser administrada.

 

O cancro do ovário parece estar relacionado primeiro com o fator hereditário e depois com a nuliparidade, a obesidade, os tratamentos de infertilidade, a raça branca. O uso de contraceptivos durante 5 anos parece diminuir o risco. O mesmo já não acontecendo com a terapêutica hormonal de substituição utilizada pelas mulheres na pós-menopausa. Nesta última situação, as opiniões dividem-se mas tudo indica que quando utilizada por longos períodos de tempo aumenta o risco.

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