Home»ATUALIDADE»ENTREVISTAS»«A incontinência urinária continua a ser uma epidemia escondida»

«A incontinência urinária continua a ser uma epidemia escondida»

Em Portugal, as patologias cardiovasculares continuam a ser o principal problema de saúde das mulheres. Mas há outros, muito específicos da condição feminina, sobre os quais nunca é demais refletir. Como vai  a saúde das portuguesas? Questionámos a ginecologista/obstetra, Bercina Candoso, responsável pelo Centro de Uroginecologia e Pavimento Pélvico, do Centro Materno Infantil do Norte - Centro Hospitalar do Porto.

Pinterest Google+

Quais são os principais problemas de saúde feminina que afetam as portuguesas e porquê?

A saúde da mulher portuguesa é afetada, na maior parte das vezes, por patologia não da área ginecológica, mas sim por patologia cardiovascular que pode ir desde a insuficiência venosa periférica, à hipertensão, ao acidente vascular cerebral e ao enfarte do miocárdio.

 

A hipercolesterolemia (aumento de valor de colesterol), a diabetes mellitus e as doenças osteoarticulares são também muito frequentes na nossa população feminina. Todas estas patologias podem ser despoletadas ou agravadas pela menopausa. É muitas vezes a partir desta fase da vida das mulheres que estes problemas começam a surgir. Aqui, o ginecologista terá algum papel quer na prevenção quer no tratamento.

 

Se quisermos falar puramente de patologia ginecológica, o cancro da mama tem vindo a aumentar, nas últimas décadas, assim como as lesões precursoras de cancro do colo do útero. Dentro das patologias malignas, o cancro gastrointestinal tem também uma alta prevalência na nossa população, tanto feminina como masculina.

 

Considera que ainda existe falta de informação junto das portuguesas sobre a saúde feminina?

Dependendo dos estratos sociais, existe sempre lugar para melhorar a informação sobre os cuidados a ter na prevenção de doenças ginecológicas e sistémicas. Nunca é demais partilhar informação sobre os cuidados a ter para evitar determinadas patologias e sobre os rastreios, nomeadamente de cancro do colo do útero, da mama que, em diferentes idades, são ou deveriam ser obrigatórios, partindo essa iniciativa dos profissionais de saúde e posteriormente competindo às mulheres a procura destes cuidados.

 

Veja a galeria: Dicionário da saúde feminina

 

Quais os sinais de alarme a que uma mulher deve estar atenta para combater cedo problemas de saúde feminina?

A hereditariedade é sempre um fator a ter em conta, tanto nas doenças metabólicas, como nas cardiovasculares, osteoarticulares e na patologia maligna do sistema gastrointestinal. Na área ginecológica, sabemos hoje que existem determinados tipos de doença maligna, nomeadamente o cancro da mama e o do ovário, que podem depender de fatores genéticos, portanto familiares. Existem hoje em dia exames específicos para essas mulheres de maior risco.

 

Mais do que sinais de alarme, existem comportamentos que podem melhorar a qualidade de saúde e de vida das mulheres. Podem ir desde hábitos alimentares corretos, atividade física regular, cessação tabágica, até às idas regulares ao médico de medicina geral e familiar e ao ginecologista, para realização de exames periódicos de rotina que podem servir para o despiste de várias patologias a tempo de serem tratadas.

Artigo anterior

Quer comprar uma ilha?

Próximo artigo

Um jantar (próximo) dos deuses