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A hora a que se come interfere com o apetite e a queima de gordura

Um estudo realizado em humanos conseguiu perceber alterações no metabolismo quando se concentram as refeições em apenas seis horas diárias, estando o resto do tempo o corpo em jejum.

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Pesquisadores da Universidade do Alabama, EUA, descobriram que estratégias de temporização das refeições – como fazer jejum intermitente ou comer mais cedo durante o dia – parecem ajudar as pessoas a perder peso. Essa abordagem também demonstrou que é mais eficaz a diminuir o apetite em vez de queimar mais calorias.

 

Segundo comunicado divulgado, o estudo é o primeiro a mostrar como o momento das refeições afeta o metabolismo energético de 24 horas, quando a ingestão de alimentos e a frequência das refeições são combinadas. «Nós suspeitamos que a maioria das pessoas poderá achar útil recorrer a estratégias que têm em conta o tempo de refeição para perder ou manter peso, uma vez que essas estratégias naturalmente parecem reduzir o apetite, o que pode ajudar as pessoas a comer menos», disse Courtney Peterson, uma das autoras do estudo e professora assistente no Departamento de Ciências da Nutrição.

 

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Peterson e os seus colegas também relataram que as estratégias de temporização das refeições podem ajudar as pessoas a queimar mais gordura, em média, durante um período de 24 horas. Numa estratégia a que chamaram eTRF – uma forma de jejum intermitente diário onde o jantar é comido à tarde – ajudou a melhorar a capacidade das pessoas de alternar entre queima de hidratos de carbono em energia para queima de gordura em energia, um aspeto do metabolismo conhecido como flexibilidade metabólica. Os autores do estudo dizem, no entanto, que os resultados sobre a queima de gordura são preliminares.

 

No estudo participaram 11 homens e mulheres adultos com excesso de peso, boa saúde geral, idade entre 20 e 45 anos, com um índice de massa corporal entre 25 e 35 kg, peso corporal entre 68 e 100 kg, uma hora normal de dormir entre as 21h30 e às 00h e nas mulheres um ciclo menstrual regular.

 

Os participantes tentaram duas estratégias de tempo de refeição diferentes de forma aleatória: um cronograma de controlo em que os participantes faziam três refeições durante um período de 12 horas com pequeno-almoço às 8h da manhã e jantar às 8h da noite; e um cronograma de eTRF em que os participantes faziam três refeições durante um período de seis horas com pequeno-almoço às 8h da manhã e jantar às 2h da tarde. As mesmas quantidades e tipos de alimentos foram consumidos em ambos os horários. Períodos de jejum para o cronograma de controlo foi de 12 horas por dia, enquanto que no cronograma de eTRF o jejum foi de 18 horas por dia.

 

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Os participantes do estudo seguiram os diferentes horários durante quatro dias seguidos. No quarto dia, os pesquisadores mediram o metabolismo dos participantes nomeadamente quantas calorias, hidratos de carbono, gordura e proteína foram queimados. Os pesquisadores também mediram os níveis de apetite dos participantes a cada três horas enquanto estavam acordados, assim como as hormonas da fome, de manhã e à noite.

 

Embora o eTRF não tenha afetado significativamente quantas calorias os participantes queimaram, os pesquisadores descobriram que o eTRF reduziu os níveis da hormina da fome, a grelina, e melhorou alguns aspetos do apetite. Também aumentou a queima de gordura ao longo do dia de 24 horas. «Testando o eTRF, conseguimos matar dois coelhos com uma cajadada só», disse Peterson, acrescentando que os pesquisadores conseguiram obter algumas informações sobre o jejum intermitente diário (alimentação com restrição de tempo), bem como estratégias de alimentação que envolvem comer mais cedo durante o dia para estar em sincronia com os ritmos circadianos.

 

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Peterson e os seus colegas dizem que pesquisas anteriores têm sido contraditórias sobre se as estratégias de consumo de refeições ajudam na perda de peso ajudando as pessoas a queimar mais calorias ou diminuindo o apetite. Estudos em roedores sugerem que tais estratégias queimam mais calorias; mas os dados de estudos em humanos eram contraditórios – alguns estudos sugeriram que as estratégias de tempo aumentam as calorias queimadas, mas outros relatórios não mostraram diferença. Os autores do estudo dizem, no entanto, que estudos anteriores não mediram diretamente quantas calorias as pessoas queimavam ou eram imperfeitas de outras formas.

 

Já vários estudos analisaram o horário das refeições como algo impactante na regulação do organismo. Os hábitos alimentares de cada um  também influenciam a  tolerância ao sol, segundo um estudo realizado pela Universidade da Califórnia e pelo Instituto O’Donnell Brain da Universidade do Texas, nos Estados Unidos da América. Segundo este estudo realizado em ratos, comer ‘fora de horas’ perturba o relógio biológico da pele, incluindo a potência diurna de uma enzima que protege contra a radiação ultravioleta nociva do sol.

 

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