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A fast food e as suas consequências

São os gostos e as escolhas dos consumidores que condicionam as ofertas de produtos pelas cadeias de fast food. E são os consumidores que têm o poder de pressão para que estas encontrem soluções mais saudáveis.

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Como os maus hábitos alimentares se adquirem depressa, em Portugal, a fast food (ou também designado de junk food) veio substituir a alimentação saudável que era sustentada no tempo, a chamada dieta mediterrânica.

 

A dieta mediterrânica baseia-se no consumo de peixe, leguminosas secas (feijão, grão, favas, lentilhas), cereais, pão de mistura, hortaliças e frutas frescas e, por fim, o azeite em quantidades moderadas. A favor da dieta havia ainda um menor consumo de carne vermelha e de açúcares.

 

Nesta dieta, o colorido e a riqueza aromática proporcionam refeições atraentes que, para além dos benefícios psico-emocionais, facilitam a aquisição e desenvolvimento de comportamentos mais saudáveis.

 

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No que se refere à fast food – refeições rápidas, saborosas, enlatadas e muito refinadas – esta caracteriza-se do ponto de vista nutricional por um excesso de proteína animal, gorduras de péssima qualidade, quantidades elevadas de açúcares e de aditivos alimentares, o que acarreta um aumento significativo das doenças cardiovasculares, alérgicas, degenerativas crónicas (como o cancro), obesidade, entre outras.

 

De uma maneira geral, do ponto de vista da alimentação saudável, o homem necessita aproximadamente de 50 – 60% de hidratos de carbono; 25 – 30% de gordura e 12 – 15% de proteína. Hoje em dia, estes valores não são seguidos, havendo um exagerado consumo de gorduras, proteínas animais, açúcares e sal. Por exemplo, um hambúrguer, uma pizza ou um cachorro quente têm um altíssimo valor calórico e são muito pobres em termos nutricionais, havendo falta de vitaminas e minerais.

 

Embora se poupe no tempo de preparação, a fast food não se iguala, sob o ponto de vista nutricional, à cozinha caseira com o recurso a alimentos frescos. Isto porque do aquecimento e reaquecimento constante destas refeições resultam perdas de nutrimentos. Assim sendo, após uma ingestão deste tipo de alimentos, como não ofereceu ao organismo as suas necessidades básicas, a tendência é sentir fome duas horas após o consumo. Pelo contrário, se for ingerido o mesmo número de calorias num prato saudável, a fome só virá cinco horas depois.

 

Como exemplo, verificamos que uma refeição do tipo fast food pode facilmente atingir as 1400 Kcal, enquanto que uma refeição tradicional não ultrapassa as 700 Kcal.

 

As quantidades aumentam

É sabido que a fast food não se deve tornar num hábito, pois como já foi referido vai promover, a longo prazo, o aparecimento de problemas sérios na saúde de quem a consome. A luta entre as redes de fast food para ganhar mais clientela oferece maior quantidade por menor preço. Por isso, todas as semanas ou todos os meses cada cadeia de fast food desdobra-se para incentivar o consumo de uma nova “especialidade”, referindo um novo sabor, a utilização de um ingrediente novo e até mesmo de um formato diferente.

 

Esta nova “iguaria” é quase sempre posta em evidência pelos meios de comunicação. A verdade é que quase sempre este novo menu tem quantidades superiores de gorduras, proteínas, aditivos entre outras, aumentando o aporte calórico e o risco de desenvolver determinadas doenças. Assim fazem com que o conteúdo dos refrigerantes seja cada vez maior, as sanduíches sejam gigantescas e os pacotes de batatas fritas cada vez mais volumosas.

 

Para além destas promoções semanais ou mensais, não devemos esquecer a existência das promoções 2 em 1: na compra de um hambúrguer, pizza ou outra fast food vem a oferta de outro de igual valor, e mais uma vez é o consumidor que tem a responsabilidade de se cuidar.

 

Esta tendência para o aumento das quantidades está diretamente relacionada com o crescente nível de obesidade e de outras doenças que afetam tanta gente.

 

São os gostos e as escolhas dos consumidores que condicionam as ofertas de produtos pelas cadeias de fast food.

 

E são os consumidores que têm o poder de pressão para que estas encontrem soluções mais saudáveis, igualmente saborosas e acessíveis, que vão de encontro às suas necessidades e expectativas.

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