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A esclerose múltipla em Portugal

No Dia Mundial da Esclerose Múltipla, assinalado a 30 de maio, a neurologista Irene Mendes explica-nos os contornos desta doença que afeta cerca de oito mil portugueses, sobretudo jovens adultos e com maior incidência em mulheres.

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A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune do sistema nervoso central (cérebro e medula espinal) caracterizada por sintomas neurológicos variáveis consoante a localização das lesões (placas). A doença pode manifestar-se com visão turva, visão dupla, desequilíbrio, falta de força num membro ou num lado do corpo, entre outros. Surge habitualmente no jovem adulto, com idades compreendidas entre os 20 e os 50 anos, e afeta as mulheres cerca de três vezes mais do que os homens.

 

A Organização Mundial da Saúde estima que existam cerca de 2 milhões e meio de pessoas em todo o mundo que tenham esclerose múltipla. Segundo Gisela Kobelt (2009), no nosso país, existirão mais de 8 mil pessoas com esta doença. Joaquim Pinheiro (EMCode: Esclerose Múltipla – Conhecer e Desmistificar, 2011) estima que existam cerca de 54 casos de esclerose múltipla em cada 100 mil habitantes, em Portugal.

 

A doença tem várias formas de apresentação conhecidas. A mais frequente é a forma surto-remissão que, numa fase mais tardia, pode transformar-se em secundária progressiva. Mais raramente, a doença evolui sem surtos sendo progressiva desde o início e denomina-se de forma primária progressiva.

 

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Um surto corresponde ao aparecimento de sintomas de novo ou ao agravamento de sintomas pré-existentes. Estes sintomas duram mais de 24 horas. Pode haver uma recuperação completa após o surto ou pode haver melhoria com acumulação de incapacidade.

 

O nome esclerose múltipla surge em 1868 por Jean-Martin Charcot. Sendo nessa altura uma doença rapidamente incapacitante, continua a ser atualmente a principal causa de morbilidade não traumática do sistema nervoso central em adultos jovens.

 

Desde os primórdios do conhecimento da doença, altura em que as alternativas medicamentosas eram muito escassas, muito se evoluiu, quer na variedade de medicamentos disponíveis quer na melhoria da sua eficácia. Existe atualmente capacidade de redução marcada do perfil inflamatório e degenerativo da doença, com redução do número de surtos, atraso na progressão da incapacidade e, logo, menor probabilidade de dependência motora, com melhoria da qualidade de vida.

 

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Para um controlo otimizado da doença, o tratamento modificador da doença deve ser iniciado o mais precocemente possível, logo após o diagnóstico, deve haver rigorosa adesão à terapêutica e acesso precoce e rápido ao medicamento mais indicado para cada doente. A decisão sobre a terapêutica mais indicada deve depender do médico e do doente, tendo em conta as caraterísticas psicológicas, físicas e o modo de vida do doente e de acordo com a forma e gravidade da esclerose múltipla.

 

Em resumo, a esclerose múltipla é uma doença neurológica com formas de apresentação, sintomas e progressão variáveis de indivíduo para indivíduo. Constitui um desafio para doentes e médicos assistentes pelo risco de surtos e progressão de incapacidade. Felizmente, houve uma evolução marcada nas armas terapêuticas e no controlo da doença.

 

Existem atualmente disponíveis em Portugal medicamentos injetáveis (subcutâneo, intramuscular, endovenoso) e orais, com um espectro de eficácia e segurança muito variáveis. A disponibilidade e início precoce do tratamento mais indicado é determinante na evolução da doença, sendo que este acesso deveria ser independente de qualquer fator geográfico ou institucional.

 

Por Irene Mendes

Neurologista

irenemendes1@gmail.com

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