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A enfermagem e a competência para o cuidado espiritual

A Organização Mundial de Saúde despertou para o interesse em aprofundar a inclusão de um aspeto espiritual no conceito multidimensional de saúde. Tem-se então por espiritualidade o conjunto de todas as emoções e convicções de natureza não material, com a suposição de que há mais no viver do que pode ser percebido ou plenamente compreendido.

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A Ordem dos Enfermeiros apresenta-nos a saúde como «o estado e, simultaneamente, a representação mental da condição individual, o controlo do sofrimento, o bem-estar físico e o conforto emocional e espiritual».

 

Como enfermeiros, enfatizamos que o cuidar em enfermagem deve atender a uma visão holística, olhando a totalidade da pessoa e não só a soma das partes, conferindo a possibilidade de uma prestação de cuidados globais, com os quais a pessoa poderá recuperar não só a sua saúde, como também muito da sua dignidade, pelo que não podemos omitir a dimensão espiritual.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) despertou para o interesse em aprofundar as investigações nessa área, com a inclusão de um aspeto espiritual no conceito multidimensional de saúde. Tem-se então por espiritualidade o conjunto de todas as emoções e convicções de natureza não material, com a suposição de que há mais no viver do que pode ser percebido ou plenamente compreendido, remetendo para questões como o significado e sentido da vida, não se limitando a qualquer tipo específico de crença ou prática religiosa (OMS, 1998).

 

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A clarificação dos termos associados à espiritualidade e religiosidade são importantes, pois a errónea interpretação dos termos pode levar a um preconceito por parte de alguns profissionais e utentes.  A espiritualidade é uma componente inerente ao ser humano e envolve a busca de sentido da vida por parte do homem, enquanto a religião é algo organizado e que a muitas pessoas pode ajudar a viver a sua própria espiritualidade, mas não é estritamente necessário ter determinada religião para que se considere a pessoa como um ser espiritual, pois tem em si esta dimensão espiritual ainda que possa não ser consciente de a ter. (Tanyi, R. 2002). A espiritualidade pode ser entendida como de natureza pessoal enquanto a religiosidade de natureza social.

 

Esta temática deve ser incluída nos planos de estudo académicos e na formação do profissional de enfermagem, a aquisição de conhecimento (qualificação académica) aliado à autoconsciência, competências na comunicação e experiência, tornam o enfermeiro competente nesta dimensão, possibilitando o suporte espiritual ao utente.

 

Por constatação, na minha prática profissional e vivência pessoal, os enfermeiros são cada vez mais solicitados para participar no cuidado espiritual aos seus pacientes. A atenção dispensada ao cuidado espiritual e promoção de medidas que levem a uma vivência da sua espiritualidade constitui um fator facilitador na promoção de saúde integral. As satisfações de necessidades espirituais influenciam a condição humana enquanto mente, corpo e ser social.

 

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O enfermeiro não deve continuar a limitar-se a omitir esta dimensão ou confundi-la com religião, tendo por ação apenas encaminhar para o capelão ou algum agente religioso, embora isto também seja válido e importante. Será relevante saber qual a religião que professa, mas também, e não menos importante, perceber qual o sentido que a pessoa dá à sua vida no momento atual e como intervir para ser ajudada nesta dimensão.

 

Num ano em que se destaca as estratégias de promoção de saúde mental, considero imperiosa uma visão mais abrangente, inclusiva e flexível.  Educar sobre a importância da promoção de saúde espiritual, nas instituições de ensino e de saúde pode constituir uma medida que acarrete poucos riscos e possibilite ganhos em saúde consideráveis. Medidas que suportem uma mudança neste sentido constituem, indubitavelmente, a valorização da integralidade e dignidade humana.

 

 

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