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A complexidade do verbo amar

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Desde miúda que admiro Miguel Esteves Cardoso, doravante MEC. Lembro-me de passar fins-de-semana em casa de uma prima minha, e do marido ter sempre o saudoso ‘Independente’ em cima da mesa. Acho que terá sido uma das minhas primeiras influências, para começar a escrever, e para seguir, bastantes anos depois, o curso de comunicação, especializar-me em jornalismo e, depois de 11 anos, passar-me para o que é (quase) apelidado de lago negro da força, onde estou há quase nove anos.

 

Não conseguiria fazer outra coisa, quer dizer, conseguiria, mas seria muito infeliz. Este bichinho que nasceu comigo, como aquele que acho que nasce em todas as pessoas que fazem destas profissões a sua vida, são infelizes quando obrigadas a tarefas repetitivas e monótonas. Acho que é toda a instabilidade e stress que nos alimenta, e esta necessidade de fazer sentir nos outros um bocadinho de nós, um pouco à semelhança do amor, que, quando nos enche, preenche e ilumina a mais escura das salas.

 

Mas como numa dedicação ao trabalho, também no amor há esta necessidade de sermos nossos e do Universo ao mesmo tempo, porque, se não partilharmos o que vai cá dentro e que se passa lá fora, seremos como uma espécie de pardal na gaiola – infelizes- e morreremos certamente, de tédio, se o nosso trabalho se resumir a carimbos e agrafos, assim como o mesmo acontece se um relacionamento se resume a SMS.

 

Voltando ao primeiro parágrafo – e ao MEC-  acabo de ler hoje a crónica que escreveu no jornal ‘Público’, sobre o amor. Caro Miguel não estou a plagiá-lo, mas as suas palavras seriam tão minhas se, como mente brilhante que é, não o tivesse escrito primeiro, como tal tive necessidade de partilhar este sentimento do amor, que aqui retrata na perfeição, porque quando se gosta nunca é em excesso, é sempre na medida que consideramos a certa: “O amor é uma temperatura boa. A vontade de ser amado aparece sempre, milagrosamente, depois da sorte imensa de se ser amado. No mundo em que vivemos, a melhor maneira de viver é amar cada momento que temos para escolher como vamos reagir”.

 

E podemos amar tanta coisa, mas só quando se cede ao amor e nos libertamos da posse é que realmente conseguimos senti-lo na plenitude, porque realmente amar é ceder, e pela sua pureza, apesar de complexidade, o amor é tão amplo que o podemos oferecer livremente ao nosso trabalho, à nossa família, aos nossos amigos e à nossa metade da laranja. Este último mas tão grande amor, doce com pitadas ácidas em alguns momentos, é sempre o porto de abrigo quando a temperatura baixa no inverno, e só um louco recusa uma lareira, uma manta e um abraço nesta altura do ano (nas outras lá chegaremos).

 

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