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A bem do rigor

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Errar é humano. Mas uma massa de pessoas a errar, então algo vai mal. Infelizmente, a comunicação social enfrenta aquela que, talvez, seja a sua maior crise. Estamos envoltos numa neblina, sem perceber muito bem o caminho que está à nossa frente. E isto porque a Internet veio virar do avesso os modelos de negócio, não só em termos operacionais, como financeiros.

 

Posto isto, como fica o exercício da profissão de jornalista enquanto o barco anda meio à deriva? Na teoria, na mesma. Na prática? Infelizmente, a qualidade é que ‘paga as favas’. E isto acontece em muitas situações: já não se faz jornalismo de investigação porque requer tempo, e tempo é dinheiro; não se envia jornalistas para reportagens, porque um email e umas fotos resolvem a situação; não se dá devida formação aos jovens jornalistas, com tempo para lhes explicar o certo e o errado, etc..

 

Tudo bem. Há que fazer contas. Há que ajustar. Há que gerir em tempos conturbados. Mas uma coisa não é permitida: não exercer a obrigação de qualquer jornalista que é confirmar os factos.

 

Infelizmente, nota-se muito o copy/paste, o ir atrás do que os outros dizem. Muito bem, quando é para tirar ideias, mas muito mal, quando se difunde notícias sem confirmar a sua veracidade.

 

Mais uma vez, muitos jornalistas e comunicadores – talvez pouco cientes do valor do megafone que têm em mãos – andaram a divulgar que 28 de abril era o Dia Mundial do Sorriso. E não era! Uma pesquisa cruzada e rápida mostra que é em outubro. Porque não fazem esta simples confirmação? É uma efeméride, não tem assim tanta importância? Tem, sim. Pois mostra como anda o rigor jornalístico por cá, e isso nota-se nas pequenas coisas.

 

É desta forma que se perde credibilidade. A profissão de jornalista já não é fácil, tem uma exposição pública sempre pronta a ser alvejada. Então se nós próprios não fizermos o nosso trabalho de casa, não cumprirmos as regras para fazer o mais rigoroso trabalho possível, então andamos a dar tiros nos pés.

 

Errar, todos erram. E os jornalistas, então, erram publicamente. Por isso, é mais seguro fazer como mandam as regras. Se elas existem, é por alguma razão. E confirmar e cruzar os factos, que eu saiba, não caiu em desuso.

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