Home»LAZER»DICAS & VIAGENS»A Bauhaus faz 100 anos… e a Alemanha é o destino de 2019

A Bauhaus faz 100 anos… e a Alemanha é o destino de 2019

Em 1919, nascia uma escola de design e arquitetura revolucionária cuja influência persiste até hoje, nomeadamente no mobiliário que temos nas nossas casas. Novos museus e muitos eventos vão assinalar o centenário da Bauhaus ao longo do ano em vários pontos da Alemanha. Mais motivos para visitar o país nos próximos meses.

Pinterest Google+

Nascida na bela cidade de Weimar, depois transferida para Dessau e, finalmente, Berlim, onde seria definitivamente encerrada pelo partido Nacional-Socialista em 1933, a Bauhaus revolucionou a arquitetura e o design do século XX. Sob motes como “menos é mais”, inspiraria a criação de edifícios e de objetos que temos atualmente nas nossas casas, nomeadamente de uma famosa marca sueca de decoração e móveis para montar.

 

Trata-se de uma escola “tão influente globalmente” que a conceituada Lonely Planet, a mais conhecida editora de guias de viagem do mundo, destacou a Alemanha na sua lista de destinos a visitar em 2019 (surgindo em segundo lugar, logo a seguir ao Sri Lanka, que ocupa o primeiro).

 

A celebração do centenário da Bauhaus vai ter lugar em vários locais da Alemanha e do mundo durante todo o ano. O Turismo da Alemanha destaca três destinos de visita obrigatória, aqueles onde a escola funcionou durante os seus 14 anos de existência: Weimar (situada a cerca de 2h30 de Frankfurt), Dessau (a 120 quilómetros de Berlim) e Berlim.

 

VEJA TAMBÉM: OS MAIS BELOS CASTELOS DA ALEMANHA

 

1 – WEIMAR

Na bela cidade onde viveram Goethe, Schiller, Liszt e Bach, a 1 de abril de 1919 foi lançada a pedra fundamental da mais famosa escola de design e arquitetura do mundo. O arquiteto Walter Gropius tornou-se diretor da antiga escola de arte de Weimar e fundiu-a com a de artes aplicadas, encerrada há uns anos.

 

Nascia assim a Bauhaus, escola revolucionária com métodos de ensino inovadores onde artistas como Paul Klee ou Wassily Kandinsky seriam professores, tornando-a num ponto de encontro para a vanguarda internacional. Quem não a via com bons olhos era o governo conservador do estado da Turíngia: cortes drásticos no orçamento fizeram com que a escola tivesse de mudar de cidade em 1925, seis anos após a sua fundação.

 

Novo museu abre já em abril

A 6 de abril vai ser inaugurado um museu que evoca a primeira fase da mais importante escola de arte e design do século XX. Num edifício desenhado pela arquiteta alemã Heike Hanada, a exposição inclui a mais antiga coleção de objetos, alguns expostos ao público pela primeira vez, e combina a história da Bauhaus com questões sobre o nosso modo de vida atual e o que projetamos para o futuro.

 

VEJA TAMBÉM: DESTINOS DE INVERNO PARA OS MAIS AVENTUREIROS

 

2 – DESSAU

Frankfurt am Main, Magdeburgo e outras cidades competiram para acolher a escola, mas Dessau, com uma indústria em ascensão, sairia vencedora. Abriria em 1926, num edifício projetado pelo próprio Walter Gropius e onde cerca de 1500 convidados de todo o mundo estiveram presentes na inauguração. Mais do que centrar-se em obras de arte únicas, o foco da escola eram objetos do dia a dia a fabricar em colaboração com a indústria local. Foram criadas peças especiais como os famosos móveis tubulares de aço de Marcel Breuer, por exemplo.

 

Já com Hannes Meyer como diretor, as preocupações sociais ganham cada vez mais destaque, nomeadamente a questão de como produtos e edifícios bem projetados podem ser acessíveis para todos. Alunos politicamente radicalizados e envolvidos com o comunismo levariam à substituição de Meyer por Ludwig Mies van der Rohe mas a maioria entretanto conseguida pelo partido Nacional-Socialista no Município acabaria por fechar a escola em 1932.

 

Em setembro inaugura o museu Bauhaus

Com a inauguração deste edifício, concebido pela addenda architects (González Hinz Zabala), sediada em Barcelona e vencedora de um concurso internacional que recebeu mais de 800 projetos, será finalmente possível exibir a variedade e qualidade da coleção pertencente à Fundação Bauhaus Dessau. Inclui cerca de 40.000 objetos que vão ser usados para contar a história da Bauhaus na cidade.

 

VEJA TAMBÉM: COLÓNIA, UMA CIDADE ECLÉTICA NO CORAÇÃO DA EUROPA

 

3 – BERLIM

Autor da máxima “menos é mais”, Van der Rohe dirigiu a Bauhaus, agora uma instituição privada e a funcionar numa antiga fábrica de telefones, durante um único semestre. Anunciaria a sua dissolução em agosto de 1933, depois de o partido Nacional-Socialista ter cancelado o contrato de arrendamento do edifício, entre outras medidas que impediam o seu funcionamento.  Entretanto, o “espírito” Bauhaus já se espalhara pelo mundo através dos muitos alunos estrangeiros, oriundos de 29 países, que acolheu durante a sua curta existência.

 

Um ano cheio de eventos

Berlim não terá um novo museu, mas o Bauhaus Archiv, inaugurado em 1979 e com uma coleção que não para de crescer, vai ter uma extensão, projeto do arquiteto alemão Volker Staab cuja abertura está prevista para 2022. O próprio Archiv encontra-se encerrado para remodelação, mas celebrará o centenário com a mostra Original Bauhaus, que incluirá quer clássicos do design quer peças que representam a resposta de artistas contemporâneos aos ícones do modernismo, na Berlinische Galerie a partir de setembro.

 

E este é apenas um dos muitos eventos que vão animar Berlim este ano. Também foram criadas visitas guiadas especiais, como a Grand Tour of Modernism, e a celebração do centenário passa igualmente pela gastronomia, com restaurantes a criarem menus temáticos, como é o caso do Duke, no Ellington Hotel. No verão, durante a Semana Bauhaus (31 de agosto a 14 de setembro), restaurantes e bares na Kantstrasse e na Potsdamer Strasse também servirão ementas especiais.

 

 

Veja na galeria, no inicio do artigo, algumas peças típicas desta escola e dos museus que vão nascer.

Artigo anterior

Gosta de lampreia? Está à prova até abril

Próximo artigo

Bouquets para oferecer no Dia dos Namorados