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76 por cento dos casos de delirium não são identificados pelos profissionais de saúde

Este distúrbio desenvolve-se num curto período de tempo, habitualmente horas a poucos dias, e afeta sobretudo pessoas de idade avançada e com demência.

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A maioria dos casos de delirium (76%) não são identificados pelos profissionais de saúde, segundo alerta Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Cérebro & Mente – Associação para o Desenvolvimento em Investigação em Saúde Mental.

 

«O delirium está associado a um aumento da duração do internamento, da morbilidade e da mortalidade intra-hospitalar, e compromete as taxas de deterioração cognitiva e funcional e de mortalidade. Assim, esta síndroma aumenta significativamente a necessidade de cuidados de saúde à população, representando um acréscimo económico, comparável à diabetes mellitus e às quedas, calculado em mais de 50.000 euros/doente/ano», explica Joaquim Cerejeira.

 

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Um episódio de delirium corresponde à falência aguda do cérebro, em consequência de uma condição médica (ex.: infeção) e/ou exposição a um fármaco. Na maior parte dos doentes idosos internados, a causa é multifatorial e complexa. Independentemente das causas subjacentes, o que carateriza o delirium é a perturbação da atenção (exemplo: redução da capacidade de dirigir, focar, manter e mudar a atenção) e da consciência (diminuição da orientação em relação ao ambiente). Este distúrbio desenvolve-se num curto período de tempo (habitualmente horas a poucos dias).

 

«Infelizmente, a maioria dos casos de delirium (até 76 por cento) não são identificados pelos profissionais de saúde. Vários fatores contribuem para este subdiagnóstico como o desconhecimento em relação aos benefícios do diagnóstico precoce; considerar erradamente que é uma complicação inevitável do internamento; e ignorar os sintomas de delirium atribuindo-os exclusivamente a uma demência. Assim, as ações de formação dirigidas para todos os profissionais, como as que vamos desenvolver no Encontro Anual, devem focar-se na promoção do conhecimento sobre delirium e no treino de competências específicas para reconhecer esta síndroma e implementar as medidas terapêuticas necessárias», refere o psiquiatra.

 

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O delirium, um tema pouco falado, vai estar em debate no 8º Encontro Internacional Psicogeriátrico, dirigido a profissionais de saúde nacionais e internacionais, a decorrer de 2 a 4 de novembro, em Vilamoura.

 

 

 

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