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150 ONG subscrevem manifesto para desencorajar novas barragens na Europa

ANP|WWF, GEOTA e Movimento ProTejo são três das organizações signatárias que pretendem que governos e empresas trabalhem em conjunto para substituir a tradicional resposta infraestrutural por soluções naturais baseadas no funcionamento dos ecossistemas.

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150 ONGs uniram-se num manifesto para pedir às instituições da UE que acabem com o financiamento público para novos projetos hidroelétricos na Europa.

 

O manifesto pede o fim dos subsídios da UE a novas centrais hidroelétricas de todos os tamanhos, inclusive por meio de políticas regionais e fundos de Projetos de Interesse Comum. Pede também, o fim do financiamento do Banco Europeu de Investimento e do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento para todas as novas centrais hidroelétricas na Europa. Pede que todas as novas fontes de energias hidroelétrica devem ser excluídas da lista de energias renováveis ​​elegíveis para auxílio Estatal. E pede também que o financiamento público para novas centrais hidroelétricas seja transferido para reformas ecológicas, projetos de remoção de barragens (especialmente as obsoletas), e para outras energias renováveis, ​​como a eólica e a solar.

 

Ângela Morgado, diretora executiva da ANP|WWF, afirma que «construir mais barragens hidroelétricas vai contra os objetivos de biodiversidade do Pacto Ecológico Europeu, dada a pequena contribuição que novas centrais hidroelétricas trariam para a transição energética em comparação com os danos ambientais que causam, razão pela qual consideramos fundamental subscrever este manifesto europeu».

 

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Os signatários, onde se incluem também a Climate Action Network Europe e a BirdLife, pedem que os investimentos públicos sejam redirecionados para a atualização das centrais hidroelétricas existentes, para medidas de eficiência energética, e para alternativas de energia renovável de menor impacto, como a energia eólica e a solar.

 

Para Afonso do Ó, especialista em Água da ANP|WWF, «o financiamento contínuo da Comissão Europeia e das instituições financeiras europeias para novos projetos hidroelétricos contradiz completamente as ambições da Estratégia de Biodiversidade da UE e o seu objetivo de restaurar 25.000 km de rios de fluxo livre. Remover as ferramentas de financiamento e incentivos para novos projetos hidroelétricos é um passo cada vez mais urgente para reverter a perda de biodiversidade na UE, cumprindo as metas estabelecidas pela Diretiva-Quadro da Água e apoiando o Pacto Ecológico Europeu».

 

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A mobilização das ONGs ocorre alguns meses após uma nova análise constatar que se perderam 93% dos peixes migratórios de água doce europeus, desde 1970, em parte devido à energia hidroelétrica. Enquanto 91% das centrais hidroelétricas existentes e planeadas na Europa são consideradas “pequenas” – o que significa que têm uma capacidade inferior a 10 MW – e pouco contribuem para a matriz energética, os seus impactos ambientais são dramáticos. Se estas centrais hidroelétricas avançarem, destruirão os últimos rios de fluxo livre da Europa e degradarão ainda mais os ecossistemas de água doce cada vez mais vulneráveis.

 

«Precisamos urgentemente de mudar para um sistema de energia 100% renovável. Mas a contribuição que a nova energia hidroelétrica poderia dar é trivial em comparação com os enormes danos ecológicos que causaria. Deveríamos antes investir em energia eólica e solar, combinados com a flexibilidade da procura e do armazenamento», acrescenta Afonso do Ó.

 

 

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